Dicas para aprender LaTeX

A linguagem \LaTeX  é altamente recomendada para qualquer trabalho acadêmico que se for fazer. Para quem não conhece, \LaTeX é (mais que) um substituto sofisticado do Word. As vantagens são diversas. Seja pela agilidade em escrever símbolos e equações, ou pela praticidade em gerenciar a bibliografia. Os estilos dos trabalhos também podem ser facilmente alterados ao sabor da necessidade. Se o objetivo é escrever usando a ABNT, por exemplo, alguns comandos são suficientes para isso.

Aí vão algumas dicas para quem quiser dar o pontapé inicial:

Para instalar

A dica é seguir um tutorial da instalação passo a passo, como este (pdf) feito pelo Murilo (UTFPR). Digo isso porque muitos desistem de aprender a linguagem por conta de complicações já na hora de instalar. O tutorial do Murilo é bem didático e ele disponibiliza neste link todos os programas necessários num único arquivo .zip.

Outra possibilidade

Não precisa instalar nada se não quiser. Isto graças ao ShareLaTeX, serviço online (gratuito em sua versão padrão) que contém toda a documentação e packages do \LaTeX na nuvem. É bem simples, basta fazer o registro com nome e email e já pode começar a usar. O aplicativo ainda tem a vantagem de poder sincronizar seu arquivo .tex com o seu orientador.

print Share LateX
ShareLaTeX

Vídeo-aulas e Tutoriais

Para quem está começando do zero, a dica é assistir a algumas vídeo-aulas no Youtube até se familiarizar com a linguagem. As aulas do Ray Fan são recomendadas. Consultar um manual (este e este, por exemplo) também ajuda.

Academia | 2 Comentários

A Ordem do Progresso atualizado

a ordem do progressoEm boa hora, saiu uma nova edição do livro A Ordem do Progresso (dica do Pedro). Desde que foi lançado, há 25 anos, o livro é referência obrigatória em Economia Brasileira, em especial para quem presta a prova da Anpec, já que a banca tem tradição de pegar muitos itens de lá.

Na atualização foi incluído o período pós 89 chegando até os anos recentes. Ao blog, Marcelo de Paiva Abreu enviou a Introdução (pdf) do livro, com os detalhes das mudanças.

ANPEC, Leitura | 2 Comentários

É esta política econômica que queremos?

O momento é propício a se fazer balanços. Agora que terminei de ler, posso comentar do novo texto para discussão (pdf) que muito tem a agregar ao debate de conjuntura. Escrito por Vinicius Carrasco, Isabela Duarte (ambos da PUC-Rio) e João Manoel P. De Mello (Insper), o texto se propõe a analisar o período de 2003 a 2012, no que se refere a variáveis macro, micro, setoriais e sociais.

A publicação tem 138 páginas e vale ser lida na íntegra; no entanto, se você quiser ter uma ideia do que encontrar lá, faço aqui uma breve síntese. Os autores fizeram uma análise comparativa via controle sintético. O método consiste em estabelecer um grupo de comparação que seja o mais parecido possível com o Brasil de antes de 2003: “se o desempenho dos grupos de tratamento e sintético é similar no período anterior à intervenção, possíveis diferenças em desempenho após o tratamento representam o efeito resultante da intervenção”. Os detalhes da metodologia estão no Apêndice A — há também uma boa discussão (aqui e aqui) sobre o método. Vamos a alguns resultados.

Crescimento econômico

pib per capita

Notadamente, o país cresceu. Em termos comparativos, muito aquém do que poderia. Em todos os grupos de comparação testados pela pesquisa contatou-se que o Brasil poderia estar com o PIB per capita pelo menos 10% superior ao observado no final do período.

Termos de troca, o maná externo

termos de troca

Eis o gráfico para lembrar como o país se beneficiou dos termos de troca (valor relativo dos produtos que o país exporta). Detalhe: mesmo assim as exportações tiveram um desempenho sofrível (vide fig. 34).

Investimento e Capital Humano

O momento era oportuno para investir mais, mas não aproveitamos. Repara a diferença histórica da FBCF comparada ao grupo de controle (aumentando assim a diferença do estoque de capital ao longo do tempo). Tão ou mais importante quanto, o índice de capital humano mostrou-se em situação ainda pior.

investimento e capital humano

Produtividade

Baseado na TFP (Total Factor Productivity), o índice brasileiro de produtividade patina seguidamente enquanto observa o grupo de comparação se distanciar. Os números de P&D, artigos publicados e patentes concedidas também são apresentados lá no artigo. Interessante é que os gastos públicos com educação no Brasil aumentaram consideravelmente nos últimos anos (fig. 74); nota-se, no entanto, que isso não se traduziu em aumentos relativos na produtividade. Será que os gastos estão bem aplicados?

produtividade

Qualidade regulatória e Competitividade Internacional

À esquerda, tem-se um índice do Banco Mundial que mede: “a segurança de que não haverá mudanças nas regras do jogo regulatório e a facilidade em se fazer negócios em um país”. À direita, um índice da World Economic Survey em que o Brasil termina o levantamento batendo recorde em falta de competitividade.

qualidade regulatoria e competitividade internacional _

Os resultados estão aí. Os autores ainda fizeram análises setoriais, de inflação, mercado de trabalho, corrupção e desigualdade. Volto então à pergunta: É esta política econômica que queremos? Fica a reflexão.

___________

P.S: Agradeço o Vinicius Carrasco por liberar o uso dos gráficos no post.

Comércio internacional, Governo, Macroeconomia, Pesquisa | 7 Comentários

Rápidas do Dia do Economista

economistasEis aí uma breve coletânea de links recentes (alguns nem tão recentes) para celebrar a data.

Carreira | 2 Comentários

Medalha Fields brasileira

Artur AvilaNão poderia deixar de citar esse fato memorável: Artur Ávila acaba de ganhar a Medalha Fields (a mídia chama de Nobel da matemática). É o prêmio mais importante que um pesquisador brasileiro já recebeu.

Esbarrei várias vezes com o Artur nos ônibus quando morei no Rio. Ele é um cara muito simples: camiseta, bermuda e chinelo sempre foi seu estilo. Artur foi daqueles meninos-prodígio que cresceu no Impa — fez graduação, mestrado e doutorado tudo ao mesmo tempo. Há anos ouço falar de sua grande chance de ganhar a medalha. Ele chegou lá!

————

Up: há uma longa e ótima matéria na revista Piauí sobre o Artur.

Academia, Nobel | 2 Comentários

Uma semana com 4 Nobéis de Economia

Encerrou-se hoje um workshop histórico: o IWGTS 2014 — que já pode ser chamado de evento mais importante em Teoria dos Jogos. Com o objetivo de homenagear a Prof. Marilda Sotomayor (da FEA/USP), o workshop contou com a participação de 4 ‘Nobéis’ de Economia e grandes pesquisadores de Game Theory.

iwgts mesa redonda _
Da esq. para direita: Roth, Moulin, Nash, Maskin e Aloisio

Sendo participante dos 7 dias de evento, posso dizer que o evento foi inesquecível. Mesmo quem tem pouca bagagem em Teoria dos Jogos (como eu), teve muito o que aproveitar. A começar da programação intensa (pdf): com seminários, mini-cursos, lectures e também os momentos de descontração com coquetéis, churrasco e etc.

Enganou-se quem pensou que os ‘pesquisadores top’ fariam aparições apenas pontuais. Esbarrar com Nobéis nos corredores foi algo muito frequente nos últimos dias. Almoçar com Nobéis virou rotina. Por isso digo que 7 dias foi o suficiente para ficar íntimo. Coloco abaixo algumas impressões pessoais que tive dos 4 Nobéis presentes no workshop:

roth _Alvin Roth (Nobel 2012): sabia que ele corre enquanto pesquisa? Pois é. Não conheço ninguém com a simpatia do Roth. Suas apresentações foram das mais bem-humoradas e não teve quem não gostasse.

Roth contou que no começo os médicos impunham muita resistência ao sistema de matching de transplante de órgãos proposto por ele. Neste sentido, ele disse que ter ganhado o prêmio Nobel ajudou a convencer o pessoal da medicina de que aquilo seria uma boa ideia. Marilda e Roth têm vários trabalhos em conjunto, inclusive o livro “Two-sided matching”.

eric maskin

Eric Maskin (Nobel 2007): sentado ali na primeira fila, Maskin quase que poderia passar por um estudante. A mochila e a vontade de aprender continuam com ele.

No início, Maskin parecia tímido. Só parecia… Ele e sua esposa foram praticamente os animadores do churrasco. Assim que o forró começou ele deu um jeito de conseguir um lugar na pista e de lá não saiu tão cedo. O Nobel dançou de tudo (inclusive Sidney Magal e Conga la Conga).

Robert Aumann (Nobel 2005): havia uma possibilidade de ele não vir ao evento por conta da tensão na Faixa de Gaza. Felizmente, ele conseguiu vir e com ele trouxe Sergiu Hart, pesquisador que vem brilhando em Micro e que tem trabalhos com Mas-Colell e Reny.

Numa de suas apresentações, Aumann propôs que todos adotassem o símbolo ‘carinha feliz’ ao final das demonstrações de teoremas. Comparado com o quadrado □ , o :) é mesmo mais divertido..

nash 2John Nash (Nobel 1994): do alto de seus 86 anos, seria compreensível se Nash resolvesse participar só de algumas atividades. Aí veio a surpresa! Nash participou de tudo, absolutamente tudo, desde as palestras mais importantes até as apresentações de alunos de IC. Ele só foi embora quando terminou o último coffee break.

Aliás, a cada dia, Nash parecia mais à vontade. No último dia, numa apresentação de um brasileiro, ele ergueu a mão, comentou e ainda fez uma piadinha.

Nash não negou fotos mas também não gostava da ideia de ser estrela: ‘I don’t need help’, respondia frequentemente. Ele também não queria saber de entrevistas. Uma jornalista do Valor Econômico tentou, tentou e tentou falar com ele, mas, até o momento, está 3 a 0 pro Nash.

Nash

A verdade é que o evento já deixa saudades…

Jogos, Nobel, Palestra | 3 Comentários