Workshop em Teoria dos Jogos

Taí um evento importante em Teoria dos Jogos: IWGTS 2014, que ocorrerá aqui na FEA. Além da merecida homenagem à Prof. Marilda, o Workshop está com participação confirmada de pesquisadores top da área, entre eles quatro laureados do Prêmio Nobel de Economia.

IWGTS Sotomayor

Será no final de julho, mas quem for estudante e quiser se inscrever, acho que é bom fazer a inscrição já (tendo em vista que as vagas são limitadas e os preços podem subir…). Outras informações no site do IWGTS.

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O Economista que em 1 linha entrou para a história

O artigo (pdf) é um clássico. Philip Cook estava no doutorado estudando Micro e, parecia estar um pouco entediado…

“The Slustky equation relating the price effect to the substitution and income effects can be simply motivated by J. R. Hicks’ graphical presentation, but the usual proof (see Paul Samuelson) is very tedious and non-intuitive.”

Foi aí que ele se mexeu e demonstrou a Equação de Slutsky em uma única linha: pegou a demanda hicksiana, derivou, rearranjou e liquidou o assunto.

Slutsky-equation

Foi o menor artigo já publicado na American Economic Review.

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A polêmica IPEA

pesquisa ipeaDe fotos com plaquinhas à confissão do erro. Venho acompanhando por alto o alvoroço que a pesquisa (pdf) do IPEA tem gerado. Em resumo, o instituto vem agora a público com uma errata mais polêmica do que a própria pesquisa: os 65% que se diziam concordar que “mulher com roupa curta merece ser estuprada” são na verdade 26% (i.é, 39 pontos percentuais a menos). É triste pensar que isso tenha ocorrido.

Como já era de se esperar, a repercussão está sendo imediata e da mais diversa. Destaque para: [fica a critério de cada leitor julgar cada ponto de vista abaixo]

“A gente está celebrando o erro porque o cenário não é tão ruim quanto imaginávamos. Mas não quer dizer que os 26% sejam bons. Precisamos lutar para que seja zero.” — Nana Queiroz, organizadora do #Nãomereçoserestuprada.

“Eu achava que ninguém seria capaz de prejudicar mais a imagem do Ipea do que o petista Márcio Pochmann. Ledo engano! Tudo isso é muito embaraçoso, suspeito e patético”. — Rodrigo Constantino.

“O problema desse trabalho é que ele parece mais guiado por ideologia do que pela ciência. E é muito perigoso quando um instituto de pesquisa permite ser mais guiado por interesses políticos e ideológicos do que pela pura pesquisa” — Marcos Fernandes.

“Por que diabos o Ipea está preocupado com a minissaia e os impulsos libidinosos dos brasileiros, eis uma questão que ainda está para ser esclarecida”. — Reinaldo Azevedo.

“Índice de confiabilidade do Ipea cai 74%, diz Ipea” — Revista Veja, em coletânea de frases sobre o caso.

“Continuarei com a mesma recomendação que sempre fiz: leia a pesquisa antes de falar dela, seja você o divulgador da mesma, aquele que a fez (e, neste caso, tome cuidado com o que vai dizer que a pesquisa diz…) ou o leitor que pretende ficar famoso com polêmicas (ou tirando a roupa e se manifestando)” — Cláudio Shikida.

Se tivesse que reforçar algo, evidentemente diria que o erro no índice não diminui em nada a causa pelo fim da violência contra a mulher: isso independente do que os números disserem, sejam eles confiáveis ou não. Quanto ao instituto, foi um fato lamentável. Principalmente porque conheço vários pesquisadores de lá, e sei da seriedade com que trabalham. Alguns deles inclusive alertaram sobre interpretações erradas que a pesquisa vinha tendo. Foi o caso do Adolfo que publicou um vídeo colocando dúvidas no desenho amostral e na escolha das perguntas do estudo. O IPEA tem muitos pesquisadores de excelência — fica a torcida para que estes continuem no instituto fazendo o excelente trabalho que sempre fizeram.

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Update: Leo Monastério (IPEA) escreve sobre o ocorrido.

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Quarto ano de Prosa

4 anos já! Passando aqui pra agradecer quem lembrou do níver da Prosa no Face. Aproveitando para agradecer também quem faz parte do seletíssimo grupo (meia dúzia!) que acompanha esse humilde blog. É uma meia dúzia tão bacana pela qual vale manter esse projeto vivo.

Não tenho tido tempo para escrever quanto gostaria, mas você que é leitor mais antigo sabe que sempre que dá estou aqui. A data merecia uma comemoração em alto estilo, mas nem vai rolar. O Mas-Colell, mas-collinha, geleinha e R (até tu!) me chamam…

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ANPEC: nova secretaria, novo estilo de prova?

Acabou de sair no site da ANPEC os responsáveis pela secretaria executiva de 2014 e 2015. A partir de agora, a secretaria está sob o comando dos Profs Fábio e André, ambos da UFRJ. O que isso tem a dizer das provas? Para quem é candidato ao Exame, a dúvida que sempre fica é até que ponto a secretaria tem influência na escolha da banca elaboradora (o que por sua vez, determina o estilo das provas).

print anpec

É inegável que tal influência exista, resta saber o tamanho. Em conversa ontem com o Prof. Roberto Ellery (da UnB), que foi secretário adjunto da ANPEC no período 2010/2012, ele me esclareceu esse ponto:

“Quem escolhe os elaboradores e os revisores das provas é o conselho da ANPEC, o conselho é formado pelos coordenadores de cada um dos centros que participam da ANPEC. Como o secretário executivo preside o conselho ele acaba tendo alguma influência. Na minha experiência, vários anos como conselheiro e dois anos como secretário adjunto, não diria que é uma influência muito grande, via de regra as sugestões da coordenação do exame são aceitas sem muita polêmica”.

Podemos tomar como exemplo a última gestão — que ficou a cargo de dois professores da Unicamp, centro tradicionalmente heterodoxo. Em tal período houve uma mudança clara nos estilos das provas de macro e micro, com menos itens quantitativos e mais itens teóricos do que o habitual. Mencionei isso noutro post: tal estilo divergiu da tendência histórica de provas anteriores a 2012.

Qual será então o rumo do Exame na nova gestão: manter a linha da última secretaria ou retornar ao estilo fortemente quantitativo? Por um lado, existe uma pressão entre os centros mais concorridos de que a prova não deixe de avaliar as habilidades quantitativas dos candidatos (em função do teor quantitativo dos programas de mestrado nesses centros). Isso tem levado muita gente a crer no retorno fortemente quantitativo do Exame nesse ano. Por outro lado, vale destacar que a nova secretaria está sob direção de professores da UFRJ, instituição eclética mas com notável influência heterodoxa.

Obviamente, os candidatos que estão estudando para a prova devem se preparar para tudo. O bom da preparação para a ANPEC é que depois muita coisa é aproveitada nas disciplinas do mestrado, então é importante não só para ingressar no mestrado mas, principalmente, para depois resgatar conceitos ao longo do curso.

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Curso de Economia Comportamental

Começa nesta terça o curso on-line do Dan Ariely, A Beginner’s Guide to Irrational Behavior, pelo Coursera. Assisti ao curso no ano passado quando foi oferecido pela primeira vez e posso dizer que vale a pena. O curso é de 8 semanas (6 semanas de teoria e o restante para revisar para a prova), cada semana é um tema (quais sejam: Psychology of Money, Dishonesty, Labor and Motivation, Self-control & Emotion).

O curso segue o padrão do Coursera. Os vídeos das aulas são divulgados semanalmente com quizzes semanais para fazer. Além de assistir as aulas, é indicada a leitura de uns 5 papers sobre o tema da semana. Quem tiver algum interesse no assunto, fica a dica para fazê-lo!

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Rapidinhas dos 20 anos de Plano Real

Segue uma breve coletânea de links recentes sobre o Plano. Se perdi alguma coisa, por favor, indique nos comentários.

  • Um gráfico para ver, rever e rever de novo:

grafico inflacao Plano Real

  • Da oposição: Lula, Mantega & Cia sobre o Plano.
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Pesquisa no Brasil: Estamos preocupados com a qualidade ou com a quantidade?

Depois de escrever o último post, fiquei me perguntando até que ponto as observações que lá foram feitas valem para o caso brasileiro. A impressão que tenho é que no Brasil o foco à quantidade é também muito recorrente. Mas, por aqui acredito que as coisas conseguem ser um pouco mais complicadas: pela baixa quantidade de artigos publicados e principalmente pelo pouco impacto.

Existe um ótimo levantamento histórico feito a partir da base de dados (aberta!) do Scimago — alimentada pelo Scopus. É de lá que vieram os dois gráficos abaixo.

numero artigos

citacoes por artigo

Para se ter uma ideia comparativa, o Brasil aparece em 13o no ranking mundial da quantidade de artigos publicados (subindo 4 posições nos últimos 10 anos) e em 156o lugar no ranking de citações por artigo (caindo 58 posições na última década).

A que se deve esses resultados? Entre o pessoal que costuma analisá-los (por exemplo, esteeste e este), a maioria tem concordado que há, entre outros fatores, fortes estímulos à publicação de muitos artigos modestos em vez de poucos de alta qualidade. Esse aqui resumiu a ópera:

“A política atual de ensino superior no Brasil pressiona para que os pesquisadores publiquem mais e para que publiquem de qualquer jeito. Cientistas brasileiros acabam desmembrando trabalhos parrudos em artigos com menos impacto, fenômeno conhecido como “salame”. Cada descoberta é fatiada e publicada separadamente. O número de trabalhos aumenta, as descobertas ficam semelhantes e o impacto diminui.”

Apesar do consenso, confesso que não sei dizer em detalhes como isso funciona (em termos de normas) dentro das faculdades. Talvez tenha algum professor que esteja nos lendo que possa explicar isso melhor. O que sei é que há faculdades que estipulam um mínimo de artigos por pesquisador. Outro fato comum é que nos grupos de pesquisa do CNPq, por exemplo este aqui, é divulgado apenas o número de artigos publicados por ano. Coisas assim indicam que o foco poderia ser outro.

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Quanto mais artigos melhor?

quanto mais artigosVolta e meia a blogosfera acadêmica coloca essa pergunta em pauta; em geral, com o objetivo de questionar a produtividade a todo custo. Recentemente essa conversa voltou a tomar fôlego quando o editor da Organization Studies escreveu uma nota de despedida da revista revelando impressões não muito boas da vida acadêmica. O texto é enorme e virou até paper, aqui vai um trecho:

“The culture of ideas is therefore vanishing: due to publishing pressures, people feel more and more pushed to submit any paper because rejection is not necessarily harmful: a new dynamic is created where work is routinely submitted anyway, sometimes in a real hurry (that is to say, even when clearly unfinished, including incomplete lists of references or variety of colours in the text), overburdening journals and editors. Here individual arbitrations surely play a role: authors’ visibility can indeed be maximized by small improvements enabled by journals’ insightful reviews; at the same time, thanks to this principle of productivity, potential papers to submit by a single author are multiplied, often in a logic of replication and repetition that also leads to ‘deviant’ behaviours such as self-plagiarism.”

O texto gerou várias respostas. Entre elas, a de Brayden (do orgtheory.net) que reforça que, seja por regras da universidade ou por outras razões, a publicação excessiva muitas vezes ocorre. Ele chega inclusive a mencionar o caso de um pesquisador que teria sido prejudicado por produzir demais.

Acredito que a melhor parte dessas discussões é colocar em jogo não apenas a quantidade, mas também o impacto dos artigos publicados. É claro que o extremo oposto — i.é, a ausência de publicações entre pesquisadores contratados — é tão ou mais grave. Talvez, o lembrete que pode-se tirar disso é que prática não deixa de ser importante, afinal, ninguém começa publicando na American Economic Review. Mas volume, por si só, não se traduz em qualidade.

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