Curte microdados? Curte Stata?

Então se liga nessa nova dica (valeu Pedro!). Trata-se do Data Zoom, portal recém-criado pelo Depto de Economia da PUC-Rio, que disponibiliza acesso às bases de dados do IBGE diretamente pelo Stata.

Ainda não tive tempo de fuçar nos pacotes (quem testar, me avisa nos comentários, por favor), mesmo assim, creio que o projeto tem tudo para simplificar muito o trabalho mecânico de abertura de toda base dados do IBGE. Segue o vídeo-tutorial de uso. É free.

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Econometria dos palpites da Copa

Época de Copa. Gente debruçando em previsões dos resultados dos jogos e até bancos entrando na onda dos palpites. Para não ficar de fora, me atenho aqui a três recentes pesquisas.

Primeiramente, as seleções mais prováveis de chegar às semifinais. Economistas do Itaú preveem que são elas: Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha (dica do Vanderson Rocha). O modelo deles tem como variáveis explicativas a qualidade atual do time, a tradição da seleção e o fator torcida. Eles não se arriscam, no entanto, a prever o que ocorrerá após as semifinais.

Na mesma linha, um trabalho em andamento de dois professores da FGV usa modelos com dados de partidas dos últimos quatro anos. Construiu-se a partir daí os placares mais prováveis em cada jogo da primeira fase e atribuiu-se as probabilidades de sobrevivência por seleção em cada fase. No nosso caso ficou assim: 52% de chances de ir à semi-final e 40% de chegar à final. 29% é a probabilidade do Brasil levar a taça (aqui a tabela completa).

Por fim, o working paper do Zeileis, Leitner e Hornik (dica do Shikida), “Home victory for Brazil in the 2014 FIFA World Cup”. Percebe-se, já pelo título, que os autores estão confiantes na vitória brasileira. Alimentado com dados de sites de apostas, o artigo usa a mesma metodologia aplicada com algum sucesso em outras competições (documentada neste e neste paper) e coloca Brasil, Argentina e Espanha, nesta ordem, como os ganhadores mais prováveis. Abaixo um gráfico de probabilidade de sobrevivência por chave.

FONTE: ZEILEIS ET AL (2014)

Por enquanto, é isto! São estudos interessantes para se comentar em rodas de amigos, embora, particularmente, acho que no futebol o “imponderável” fala mais alto..

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Competição na Era da Internet é assim…

Um consumidor em busca de um par de tênis. Duas firmas. A disputa é via preços. Vejamos o que acontece.

centauro vs netshoes

Diálogo na íntegra aqui.

Trata-se de uma ilustração aproximada do modelo de duopólio de Bertrand — cobrar o custo marginal seria o Equilíbrio de Nash. Sabiamente, antes que o preço chegasse a esse nível, a Netshoes usou o fator “confiança” a seu favor.

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Workshop em Teoria dos Jogos

Taí um evento importante em Teoria dos Jogos: IWGTS 2014, que ocorrerá aqui na FEA. Além da merecida homenagem à Prof. Marilda, o Workshop está com participação confirmada de pesquisadores top da área, entre eles quatro laureados do Prêmio Nobel de Economia.

IWGTS Sotomayor

Será no final de julho, mas quem for estudante e quiser se inscrever, acho que é bom fazer a inscrição já (tendo em vista que as vagas são limitadas e os preços podem subir…). Outras informações no site do IWGTS.

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O Economista que em 1 linha entrou para a história

O artigo (pdf) é um clássico. Philip Cook estava no doutorado estudando Micro e, parecia estar um pouco entediado…

“The Slustky equation relating the price effect to the substitution and income effects can be simply motivated by J. R. Hicks’ graphical presentation, but the usual proof (see Paul Samuelson) is very tedious and non-intuitive.”

Foi aí que ele se mexeu e demonstrou a Equação de Slutsky em uma única linha: pegou a demanda hicksiana, derivou, rearranjou e liquidou o assunto.

Slutsky-equation

Foi o menor artigo já publicado na American Economic Review.

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A polêmica IPEA

pesquisa ipeaDe fotos com plaquinhas à confissão do erro. Venho acompanhando por alto o alvoroço que a pesquisa (pdf) do IPEA tem gerado. Em resumo, o instituto vem agora a público com uma errata mais polêmica do que a própria pesquisa: os 65% que se diziam concordar que “mulher com roupa curta merece ser estuprada” são na verdade 26% (i.é, 39 pontos percentuais a menos). É triste pensar que isso tenha ocorrido.

Como já era de se esperar, a repercussão está sendo imediata e da mais diversa. Destaque para: [fica a critério de cada leitor julgar cada ponto de vista abaixo]

“A gente está celebrando o erro porque o cenário não é tão ruim quanto imaginávamos. Mas não quer dizer que os 26% sejam bons. Precisamos lutar para que seja zero.” — Nana Queiroz, organizadora do #Nãomereçoserestuprada.

“Eu achava que ninguém seria capaz de prejudicar mais a imagem do Ipea do que o petista Márcio Pochmann. Ledo engano! Tudo isso é muito embaraçoso, suspeito e patético”. — Rodrigo Constantino.

“O problema desse trabalho é que ele parece mais guiado por ideologia do que pela ciência. E é muito perigoso quando um instituto de pesquisa permite ser mais guiado por interesses políticos e ideológicos do que pela pura pesquisa” — Marcos Fernandes.

“Por que diabos o Ipea está preocupado com a minissaia e os impulsos libidinosos dos brasileiros, eis uma questão que ainda está para ser esclarecida”. — Reinaldo Azevedo.

“Índice de confiabilidade do Ipea cai 74%, diz Ipea” — Revista Veja, em coletânea de frases sobre o caso.

“Continuarei com a mesma recomendação que sempre fiz: leia a pesquisa antes de falar dela, seja você o divulgador da mesma, aquele que a fez (e, neste caso, tome cuidado com o que vai dizer que a pesquisa diz…) ou o leitor que pretende ficar famoso com polêmicas (ou tirando a roupa e se manifestando)” — Cláudio Shikida.

Se tivesse que reforçar algo, evidentemente diria que o erro no índice não diminui em nada a causa pelo fim da violência contra a mulher: isso independente do que os números disserem, sejam eles confiáveis ou não. Quanto ao instituto, foi um fato lamentável. Principalmente porque conheço vários pesquisadores de lá, e sei da seriedade com que trabalham. Alguns deles inclusive alertaram sobre interpretações erradas que a pesquisa vinha tendo. Foi o caso do Adolfo que publicou um vídeo colocando dúvidas no desenho amostral e na escolha das perguntas do estudo. O IPEA tem muitos pesquisadores de excelência — fica a torcida para que estes continuem no instituto fazendo o excelente trabalho que sempre fizeram.

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Update: Leo Monastério (IPEA) escreve sobre o ocorrido.

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