Os níveis atual e futuro de atividade

O PIB brasileiro avançou expressivos 9,0% na comparação relativa ao primeiro trimestre de 2009, a maior taxa verificada na série histórica segundo a nova metodologia do IBGE. Mas, e agora, o que esperar do restante do ano? O Brasil consegue sustentar o “crescimento chinês”? Alguns indicadores de atividade que compõem o chamado balanço de riscos podem explicar o que influenciará a trajetória futura do PIB.

Comecemos pelo cenário externo. Uma onda de incerteza paira sobre a conjuntura internacional e já temos alguns sinais de desaquecimento pintando no horizonte. Destaque para os países emergentes que até pouco tempo vinham sustentando a recuperação mundial. A China, por exemplo, apesar do desempenho excelente observado no primeiro semestre do ano, vem enfrentando alguns problemas que fizeram-na adotar medidas contracionistas. Não só a China, a Índia e outros países asiáticos têm apresentado indícios de arrefecimento. Ao mesmo tempo, a zona do euro inicia a implementação de políticas fiscais austeras, justificada pela necessidade de controlar déficits públicos, contraindo ainda mais as expectativas de crescimento para o próximo ano.

A respeito do quadro interno, um legado sem dúvida favorável que o primeiro semestre deixou foi nível de emprego. O bom desempenho do mercado de trabalho aumentou o contingente de potenciais consumidores e contribuiu para a melhora dos índices de confiança dos agentes.

Ademais, um fator que pode continuar a influenciar positivamente a trajetória do PIB é o estímulo ao poder de compra dos consumidores de baixa renda. Isto sustentado pelo aumento do salário mínimo e da manutenção dos programas de transferências de renda. Mas, a expectativa é que, daqui pra frente, com a retirada de isenções tributárias a demanda venha a cair, não somente pela majoração dos preços, como também por uma antecipação de consumo ocorrida anteriormente.

Outro fator positivo ao PIB é o crescimento da oferta de crédito, que tem gerado impacto forte nos setores de bens duráveis e da construção civil. O bom desempenho da economia brasileira tem sido explicado em grande parte pela expansão do crédito. No entanto, o aperto monetário iniciado pelo Banco Central no primeiro semestre poderá impactar o nível de atividade seja pelo encarecimento do crédito ou pela contração dos prazos afetando diretamente o consumo das famílias. Além disso, a facilidade com que o crédito tem sido contratado já vem apresentando um lado obscuro: a elevação do grau de endividamento das famílias. O crescimento do consumo com base no crédito pode estar atingindo um nível de estresse em que o endividamento familiar passe a exercer uma influência negativa no consumo e, por sua vez, produziria efeitos perversos no produto.

Assim sendo, o que os indicadores já sinalizam é que aumentaram as chances de diminuição do ritmo de crescimento. Desacelerar deve ser o mecanismo para acomodação para um patamar de crescimento mais compatível com a capacidade de oferta da economia.

This entry was posted in PIB. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *