Eleições: tempo de euforia e ilusões

“Nunca na história de um país se fez tanto”. Todo governante quer dizer isto ao deixar o cargo, nem que para tal intuito os dados do último ano tenham que ficar destoantes e viesados quando comparados ao restante do mandato.

A impressão que se tem é que no final do período de vigência de cada governo, com alguma intensidade existem grandes esforços de arrumar a casa em pouco tempo. Se as falhas estão sendo solucionadas ou só remendadas isto parece não vir muito ao caso. Importante mesmo é ter números para apresentar.

E esta não é uma pretensão exclusiva dos dias de hoje. Um estudo do economista Marcelo Neri avaliou como foram as políticas de renda efetivadas pelos últimos governos e como estas inserem-se nos ciclos eleitorais.

A tabela a seguir demonstra que a mediana da renda familiar per capita aumentou em todos os anos que precederam as eleições e esta renda caiu nos anos posteriores às eleições. Vale lembrar que a análise foi feita usando a mediana, pois de acordo com a literatura de política econômica chances são que o resultado das eleições seria determinado pelo eleitor mediano.

Similarmente, na tabela 9-4 observamos uma queda geral nas taxas de pobreza nos anos de eleições, seguidas por taxas crescentes nos anos posteriores às eleições.

Em suma, ano eleitoral é tempo de boas ilusões com notícias inebriantes.  No período seguinte costuma-se vir a conta acompanhada da ressaca.

Referência:
Seção “Income policies and electoral cycles” do capítulo “Income policies, income distribution and the distribution of opportunities in Brazil” escrito por Marcelo Neri do livro “Brazil as an economic superpower?”.
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2 Responses to Eleições: tempo de euforia e ilusões

  1. Elder says:

    Olá td bm?
    Penso que um bom tema a ser discutido seria a provável inundação de candidatos humoristas, cantores e afins que, às vezes, só sabem ler e escrever na camara, no senado, etc. Quais consequências isso traria a política brasileira? O fato de Tiririca ganhar é puro protesto ou pura ignorancia? A mim a segunda hipótese é bem mais plausível.
    Deveríamos nós baixarmos a cabeça e não fazer nada para impedir certos absurdos? Conseguiríamos?
    Será mesmo que não tem uma solução melhor?
    Temos como vislumbrar meios menos tortuosos para a política brasileira?
    Abs.

    • Olá Elder, é… esse ano parece que batemos todos os recordes da palhaçada. Apesar disso, penso que a existência da candidatura deles não pode ser questionada, dentro dos requisitos mínimos da lei eleitoral. O que deve ser tomado com preocupação é o elevado número de votos que muitos deles têm tido. Sem dúvida, existem outras formas demonstrar indignação com a política do que jogando nosso voto fora. Abraço! Adriano.

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