Nossa previsão para a taxa de juros

O COPOM decidirá amanhã qual será a nova taxa Selic brasileira. Acreditamos que o comitê deverá elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros.

A persistência do aperto monetário

Em sua última reunião, o comitê elevou a taxa básica de juros Selic de 11,75% para 12% ao ano, reduzindo assim o ritmo de aperto  monetário (nas duas reuniões anteriores, o aumento fora de 0,5 ponto percentual). Na ata referente à reunião, fica patente uma mudança de diagnóstico (com ênfase na inflação de demanda em detrimento da inflação de custos) e de postura, mostrando um Banco Central mais preocupado com os riscos relacionados à convergência da inflação às metas estabelecidas.

De acordo com a ata, “diante das incertezas quanto ao grau de persistência das pressões inflacionárias recentes, e da complexidade que envolve hoje o ambiente internacional”, o Copom considera que o ajuste total da taxa básica de juros deve ser “suficientemente prolongado”.

Desse modo, como o Copom entende que “a inflação não evoluiu favoravelmente desde sua última reunião”, esse movimento mostra uma alteração da estratégia de ajuste, com movimentos mais graduais, porém mais prolongados. Resta saber, no entanto, quanto de medidas macroprudenciais virão para definir o quão suficientemente prolongado será o atual ciclo.

Mesmo com a gestão atenta do BC, o Copom considerou que a expansão da oferta de crédito tende a persistir, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. Diante do quadro, no parágrafo 29, “o Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual, e identifica riscos à concretização de um cenário em  que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta”. Resta então prolongar o aumento da taxa de juros por pelo menos mais uma reunião.

A magnitude do aumento

Considerando o Regime de Metas de inflação vigente desde 1999 como regra para política monetária, o BC leva em consideração a Regra de Taylor da Política Monetária para decidir a trajetória da taxa básica de juros, segundo a taxa de inflação efetiva e suas expectativas futuras. O BC já aumentou 1,25 ponto percentual desde o início do ano (aumento de  0,50 na primeira, 0,50 na segunda e 0,25 na terceira), os efeitos destes aumentos têm defasagens e serão sentidos principalmente no final deste ano e meados de 2012.

Essa ideia fica clara na declaração contida no parágrafo 31 da ata: “a maioria do Comitê entende que um substancial esforço anti-inflacionário já foi introduzido na economia no último quadrimestre e que há defasagens no mecanismo de transmissão desse esforço para a atividade e para os preços, o que, associado à decisão de se prolongar o ciclo de ajuste, recomendaria uma reavaliação da estratégia de política monetária”.

Em decorrência dessa nova estratégia, sinalizada em sua reunião e ratificada em sua ata, o Copom deverá elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros na reunião de amanhã.

Corrobora esse cenário o fato de que a inflação medida pelo IPCA mostra sinais de desaceleração nos últimos meses. Hoje mesmo, saíram os números de maio do IPCA, que recuou de 0,77% para 0,47%, e do IGP-DI, de 0,50% para 0%. De qualquer forma, é bom lembrar que a inflação de 12 meses está em 6,55%, acima do teto da meta. Além disso, o Boletim Focus, embora registre projeções para inflação 2011 próximas ao teto da meta, traz um mercado um pouco mais otimista nas últimas semanas (a última publicação marcou a quinta revisão consecutiva para baixo para o IPCA 2011).

Outro argumento importante consiste no fato de que, recomenda a literatura, que o BC atue de modo a não gerar surpresa no mercado. Assim, dado que não  houve alterações substanciais no ambiente inflacionário, seria inconsistente diminuir o ritmo de aperto monetário em uma reunião e, na seguinte, voltar a aumentá-lo.

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3 Responses to Nossa previsão para a taxa de juros

  1. Júlia says:

    Sei não. To com medo do BC considerar a inflação como vencida.
    Tem (não deveria ter) questão política no meio disso.

  2. wagner says:

    muito bem argumentado Prosa.
    tiraremos a prova hoje. a próxima ata do copom promete.

  3. Pingback: Mais 0,25% « Prosa Econômica

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