Corrupção em foco

Acusações de corrupção marcam presença constante nos jornais brasileiros. Há exatamente um mês, Palocci deixava o ministério da casa civil sob acusações de enriquecimento ilícito. Agora, Alfredo Nascimento deixa o ministério dos transportes sob acusações de superfaturamento de obras e recebimento de propina envolvendo servidores e órgãos ligados à pasta. Parece que todo mês surge um caso novo de suspeita de corrupção envolvendo políticos.

No entanto, a corrupção não se limita à esfera política. Transações ilícitas também ocorrem entre empresários e funcionários públicos. Nesse sentido, a corrupção, embora ilegal, não deixa de ser uma transação que merece atenção, a fim de que possamos analisá-la e, se possível, propor políticas que a desestimule.

Alguns autores sugerem que a corrupção pode ser influenciada pelas instituições dos países. O trabalho Bargaining for Bribes: The Role of Institutions, analisa o papel desempenhado por características institucionais (como a burocracia) na determinação da eficiência com a qual as transações ilícitas ocorrem. Para tanto, os autores desenvolveram um modelo analítico, onde as empresas pagam subornos para evitar a regulamentação.

Os resultados do trabalho indicam que existe uma relação positiva entre o pagamento de propina e o tempo gasto durante o processo de barganha entre empresa e burocrata para contornar a regulamentação. A partir disso, os autores sugerem que qualquer elemento da estrutura legal ou do ambiente regulatório que aumente a previsibilidade, consequentemente diminuem a incerteza e portanto atenuam a relação entre propina e tempo de barganha. Isso indica que a maior previsibilidade do nível de pagamento exigido pelo funcionário corrupto e do serviço obtido pela empresa diminuem o efeito da corrupção sobre o crescimento da empresa.

Portanto, políticas que visem o aumento da previsibilidade parecem ter um efeito de desestímulo à corrupção. No entanto, no caso dos políticos, vale lembrar que a principal ferramenta que a população brasileira possui contra a corrupção é o voto. Afinal, somos nós quem escolhemos os nossos representantes.

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2 Responses to Corrupção em foco

  1. Frederico Gomes says:

    Ta aí um estudo que comprova que as instituições podem estimular a corrupção. Deve-se perguntar, quem é capaz de mudar as instituições? Os políticos? Nós?

  2. Luis says:

    Muito bom…

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