São grandes as chances de Recessão de duplo mergulho

E o presidente do Fed está ciente disso.

Por que cargas d’água o segundo mergulho é tão temido?

As crianças bem sabem o que significa uma situação dessas. Abre parênteses (. A gente quando pequeno,  tem sempre um primo valentão um pouco mais velho que dentro d’água pergunta “quer conhecer o além?”. Leva-se o chamado “caldo”, ato (no sense) de ser mergulhado para o fundo de uma piscina, quase entrar em desespero, ser erguido de volta à superfície, para em seguida abruptamente finalizar a brincadeira com um mergulho mais profundo.

É disto que os economistas temem. Desde cedo. Fecha parênteses ).

Justo no momento em que o mundo acreditava (sem motivo) estar próximo à superfície, antes mesmo que os pulmões se enchessem, os mercados levam outro golpe. A volatilidade do mercado acionário é agora tão grande que atingiu esta semana nível próximo ao que ocorreu logo depois do 11 de setembro  (veja na figura abaixo o índice que mede a volatilidade implícita das ações, conhecido como o índice do temor financeiro).

Torce o governo americano que seja passageiro feito uma marolinha. Mas, a combinação explosiva de contágio da dívida na zona do euro, paralisia política e sistemas bancários vulneráveis nos fazem aumentar o medo. A dúvida, a incerteza propriamente dita, deverá levar à temida recessão de duplo mergulho, é o que aponta uma nova pesquisa “The Impact of Uncertainty Shocks” (artigo aqui e brief aqui) do professor Nicholas Bloom, da Stanford University.

O professor Bloom estudou os impactos que choques de incerteza podem causar na economia através de um modelo de simulação de macro choques de incerteza. Foram abordados 16 choques  – eventos como o de 11 de setembro, a Crise dos Mísseis de Cuba e as Guerras do Golfo – os resultados indicaram que estes choques de incerteza levam a grandes recessões de curto prazo. A justificativa é que quando as pessoas estão incertas sobre o que vai acontecer, elas esperam e não fazem nada. As empresas não contratam novos funcionários, nem investem em novos equipamentos se estão incertas sobre a demanda futura. Os consumidores, por sua vez, não compram o carro novo, a nova TV, o iPad 2. A economia para enquanto todo mundo espera.

Baseado na pesquisa, o professor projetou uma contração curta e acentuada no final de 2011 de cerca de 1%, que deve fazer com que a economia dos EUA volte a mostrar sinais de recuperação só na primavera americana de 2012.

E o presidente do Fed já sabe disso?

Bom, antes que o professor Bloom começasse a estudar os choques de incerteza, Bernanke já havia publicado em 1983 um artigo nesta mesma linha intitulado: “Irreversibility, Uncertainty and Cyclical Investment”, ele deve se recordar bem.

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