Europa e EUA. O que deve acontecer?

Imagem: http://baptistao.zip.net/

Delfim Netto: Caminhamos para um período de crescimento muito lento. A Europa vai ter agora, sob pressão, que escolher se será uma federação ou se vai rachar tudo outra vez. O custo de desmontar a União Europeia é muito alto, mas sabemos que, quando as coisas não funcionam, desmonta mesmo. Então, acho que a (Angela) Merkel e o (Nicolas) Sarkozy estão dizendo que é hora de dar outro passo. Significa introduzir algum mecanismo mais eficiente de controle fiscal. Seria uma pena acabar a União Europeia, uma tragédia política, pois o euro, na verdade, é um instrumento de pacificação no lugar mais encrencado que o mundo produziu, a Europa. Ele reuniu 17 países com interesses e caminhos mais ou menos na mesma direção. Houve, e aqui de novo, uma desregulação, na qual o sistema financeiro tem uma culpa enorme. Se pegarmos o caso grego, ele é uma patifaria do sistema financeiro em associação com um governo patife. Encobriu-se o déficit que existiu com derivativos, financiou-se o que não devia ter sido financiado. É muito interessante que as agências de risco, que sabiam e eram parte do complô, venham agora e digam: se não honrar a dívida, vamos dizer que não podemos aceitar nenhum acordo, que vamos chamar de default.  Por quê? Houve um conluio entre o poder político e o financeiro, o poder político produzido pelo próprio poder financeiro. Este é que é o ponto. O euro é uma coisa formidável, mas vai precisar de uma ordem fiscal. Vai demorar três, quatro, cinco, seis anos.

Belluzzo: […] Quem financiou a Grécia? Fundamentalmente os bancos alemães e franceses, coparticipes da construção desse desastre. A mesma coisa aconteceu com Portugal e a Espanha. O problema da Espanha não é tanto o tamanho da dívida pública.  É o da dívida privada, assim como na Irlanda. Lá a dívida pública e privada soma quase 200% do PIB, um desatino. O Delfim está dizendo que foi a desregulação, o pessoal diz que o euro favoreceu a convergência das taxas de juros e, portanto, os espanhóis passaram a se endividar adoidadamente.

Esse trecho faz parte de uma mesa redonda organizada pela Carta Capital com participação do Delfim e do Luiz Gonzaga Belluzzo. O debate durou 3 dias! O final aconteceu hoje. Vale a pena lê-lo inteiro, aqui a primeira parte: “Keynes sofre o mesmo destino de Marx“; segunda: “Fim da União Europeia é tragédia política”  e aqui a terceira: “Problema cambial hoje é mais difícil“.

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