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O Duplo Mergulho

outubro 4, 2011

Não consigo ter uma opinião macro bem assentada da crise. Eu não sou macroeconomista, me interesso mais por microeconomia, ou seja, pela forma que os agentes tomam decisões, se comportam diante de escolha sob incerteza ou de como interagem estrategicamente.

Do ponto de vista macro, existe um consenso entre os formadores de opinião que a explicação para a nova crise europeia vem da assimetria entre as economias. A moeda comum da União Européia (UE) deixa os países que aderiram ao euro sem graus de liberdade para executarem sua política monetária. Ocorre, entretanto, que a aplicação dos mesmos instrumentos de política monetária em países em condições macroeconômicas diferentes pode ser um grande erro. A taxa de juros do BC da UE não consegue equilibrar o mercado monetário alemão e o português ao mesmo tempo. Existem diferenças de produtividade entre os países. Enquanto na Alemanha existe pressão deflacionária, na Espanha a preocupação é pela inflação.

Nesse contexto, os países lançam mão da política fiscal para tentar sanar os desequilíbrios causados pela moeda comum. Em geral essa política é executada pela via do endividamento público. Como a equivalência ricardiana só parece funcionar em modelos teóricos, os agentes também aumentam seus gastos, mas como não existe choque de produtividade do lado da oferta, as economias que estão no caminho da expansão dos gastos resolvem pegar o atalho do endividamento externo. Às vezes o atalho demora mais que o caminho mais longo.

Do ponto de vista micro, existem também algumas explicações, elas em geral não aparecem nos veículos de comunicação em massa, mas eu acho que são mais legais. Em grande parte a atual crise pode ser explicada pela crise financeira de 2008. As economias ainda estão recuperando-se. A última crise mostrou que existia um grave desequilíbrio setorial na economia. O setor financeiro estava hipertrofiado. O PIB desse setor na Europa teve um crescimento muito superior a outros setores. O preço dos ativos financeiros também cresceu muito. Mas, o setor bancário não produz. O que explicava seu crescimento? Na última crise, os agentes não encontraram respostas e o setor entrou em declínio. Esse ajustamento entre setores prossegue. Ainda falta muito. Variável importante será a alocação entre trabalho e capital entre os setores que já foram dinâmicos e hoje estão estagnados, como a indústria automobilística européia que perde espaço para a asiática, ou a agricultura, que há muito tempo é beneficiado pelos incentivos fiscais. Talvez quando a reestruturação entre setores estiver concluída, haverá impactos na produtividade da economia, que se refletirá nas condições macroeconômicas.

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