E se o Brasil desistisse?

Escutando um episódio do Podcast do Freakonomics “The Upside of Quitting” tive uma ideia.

Essencialmente essa edição do programa de Dubner e Levitt trata de aspectos positivos de desistir de alguma tarefa, meta ou sonho, que se mostrem inalcançáveis. Ocorre que muitas pessoas decidem insistir em metas infrutíferas a desistir. Em geral, a desculpa é a do “sunk cost” ou custos afundados, que se referem ao passado. “Eu já depositei tanto esforço e tempo nesse projeto, por que vou desistir agora?” Mas pesquisas (aqui e aqui) apontam que reconhecer o fracasso e desistir na hora certa pode ter impactos positivos no bem-estar.

Do ponto de vista da escolha do agente, a decisão racional deve levar em conta o custo de oportunidade, afinal o passado ficou para trás. Ocorre que nem sempre os agentes são perfeitamente racionais. Eles realizam suas ações com base nesses custos afundados, distanciando-se, dessa forma, da escolha eficiente. Em teoria dos jogos esse caso é conhecido como “Concorde Fallacy” alusão ao desenvolvimento conjunto do avião Concorde pela França e Inglaterra, que se mostrou um desastre comercial, mas os dois governos não desistiram desse projeto e foram até o fim tornando pior os prejuízos.

Estendendo o pensamento para o caso do Brasil, desistir de sediar a copa não seria a melhor opção dada a conjuntura atual? O que já foi gasto seria tratado como custos afundados. Daqui para frente o governo deveria decidir se continuará com os investimentos com base na análise do custo x benefício incremental. O Brasil vive um momento de expectativa inflacionária, o impulso de gastos para a copa pode tornar as coisas piores.

É claro que existem outros fatores em jogo, como imagem do Brasil e contratos assinados. Mas, o Brasil não está atendendo a meta previamente estipulada de transformar a copa e as olimpíadas num Brasil mais eficiente, talvez o melhor cenário fosse mesmo desistir e minimizar os custos do fracasso anunciado.

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2 Responses to E se o Brasil desistisse?

  1. Gustavo Crispim says:

    Bate até uma certa aversão só de pensar em desistir da Copa. Mas o mais racional a fazer é realmente pelo menos pensar seriamente a respeito. Na verdade, deveria ter-se pensado se o Brasil teria capacidade alguma para fazer de forma politica e economicamente eficiente.
    Bom, sobre o tema da irracionalidade tem um livro ótimo “Sway – The Irresistible Pull of Irrational Behavior”, deveria ser obrigatório para economistas. Não sei se já tem tradução.

    • Luiz Henrique Pacheco says:

      Fala Gustavo, obrigado pela visita ao nosso blog cara. Valeu pela indicação de leitura. Sabe que eu tenho particular interesse pelo comportamento não racional. Minha próxima leitura.

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