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Economistas devem ouvir os educadores?

outubro 15, 2011

Diferenças na educação costumam ser explicadas pelo grau de esforço do aluno. Mas, o que determina o esforço? Os economistas da educação vêem a falta de esforço do aluno como um problema cognitivo, de comportamento, e/ou oriundo de fatores institucionais. Já o pessoal da educação considera que o principal determinante do esforço é a motivação.

Foi publicado há poucos dias um artigo da Toulouse School of Economics que agregou, pela primeira vez, a perspectiva motivacional dos educadores à teoria econômica. No estudo foi desenvolvido um modelo teórico para explorar a motivação e estudar como os professores devem se envolver na gestão da classe, escolhendo o ambiente de sala de aula que melhor corresponde aos padrões motivacionais dos alunos.

O modelo funciona basicamente assim: o professor escolhe o tipo do ambiente de sala de aula. O estudante observa a estrutura escolhida pelo professor, modifica sua orientação, e exerce esforço. Há uma prova no final do período para verificar se a tarefa de aprendizagem tem sido realizada com sucesso. A nota é uma função crescente da capacidade do aluno e esforço. (Quem tiver interesse nos detalhes do modelo, o artigo está aqui.) A partir das notas e do tipo de ambiente avalia-se qual é a estrutura ideal à aprendizagem.

Os resultados indicam que a mão invisível funciona muito bem obrigado somente para os alunos de alta habilidade. Isto é, segundo a pesquisa, basta aplicar provas aos alunos habilidosos e deixá-los atuando livremente que a competição irá acontecer e o nível ótimo de aprendizagem será atingido, dispensando assim a motivação por parte dos professores.

Entretanto, a pesquisa aponta que para os estudantes de habilidade média e baixa o livre mercado pode não ser uma boa ideia. Neste caso, o professor é fundamental para induzir o esforço e desenvolver o interesse dos seus pupilos para a tarefa, assim o professor cria condições para o aluno desenvolver a capacidade de superar as falhas e mantém o aluno confiante ao longo do tempo. Estes resultados confirmam que os economistas ainda têm muito a aprender com os educadores.

5 Comentários leave one →
  1. Gustavo Crispim permalink
    outubro 18, 2011 10:40 am

    Muito impressionante a pesquisa. Principalmente sobre a observação pelo modelo de que o ambiente da sala faz diferença. Isso leva a um ponto muito ignorado pelos economistas da educação que é o foco no processo, e não só nos insumos e produtos.

    Mais impressionante ainda é ver que existem economistas que cogitam a possibilidade de não ter nada a aprender com estudiosos de outras áreas ou ainda que conseguem resolver alguma coisa sozinhos.

    Alguns erros foram cometidos no post: Não será o nível de aprendizagem eficiente, e sim o nível de esforço dos alunos é que será eficiente. A pesquisa tenta verificar o nível eficaz de aprendizagem.
    Além disso, o objetivo do professor nesse modelo é a maximização da nota dos alunos em testes padronizados, poderia ser feita uma observação no post a respeito da fragilidade e baixa correlação da nota com a aprendizagem.

    • outubro 18, 2011 12:08 pm

      Olá Gustavo. Vamos lá! Primeiramente, sugiro a leitura completa do paper indicado. Fiz questão de enfatizar de que a grande contribuição do artigo foi construir um modelo teórico. Uma das premissas deste é que no nível ótimo do estudante (isto é, no nível ótimo de esforço dada a estrutura da classe) o estudante seria bem-sucedido nas provas e, por consequência, atingiria um nível ótimo de aprendizagem.

      Só um detalhe, você disse que “o objetivo do professor nesse modelo é a maximização da nota dos alunos”. A rigor, da forma como foi construído o modelo, o objetivo do professor é atingir s* (tipo de ambiente ótimo ao aluno).

      Vale lembrar que a pesquisa não tenta verificar qual é o nível eficaz de aprendizagem. Não é objetivo deste paper fazer a verificação prática nem o teste das afirmações feitas no artigo. Isto ficaria a cargo de trabalhos empíricos.

      Concordo que há distinções entre a aprendizagem e a nota obtida. Entretanto, não vejo motivo para tratar da fragilidade de provas padronizadas neste artigo. Ao ler o paper você verá que não há nenhuma menção disto. Isto porque, mais uma vez, trata-se de um modelo teórico. Assim, pressupõe-se que as provas aplicadas são bons instrumentos de mensuração da aprendizagem do aluno.

      Obrigado pela participação.

  2. Gustavo Crispim permalink
    outubro 18, 2011 2:07 pm

    Entendo.
    Não comentaria no intuito de contribuir com o site sem antes ler o artigo.
    Pela descrição na introdução é claro o foco no nível eficaz de aprendizado.
    Por ser um modelo teórico, a hipótese de que uma boa nota na prova demonstra o nível eficaz de aprendizado pode parecer razoável, desde que seja explícito que não é um bom instrumento para tal verificação. No artigo é até dada alguma atenção sobre isso.
    Sugiro que releia o comentário, o artigo e, se possível, uma busca pelas ferramentas do Sibi mesmo sobre o tema.

    • outubro 18, 2011 2:15 pm

      Blz! Fique à vontade para nos indicar links de papers sobre isto. É o tema da sua Mono? Manda pra gente, quem sabe eu não escrevo um post sobre isso, né?

      Abraço

  3. Gustavo Crispim permalink
    outubro 23, 2011 5:34 pm

    Não é o tema da minha mono, mas é um assunto que vale a pena ser pesquisado para não sair soltando pérolas.
    Um livro excelente para começar é uma coletânea da UFMG chama-se “Pesquisa em eficácia escolar: origens e trajetórias”. Nele é abordada a evolução do tema a partir do Relatório Coleman, após um enorme survey sobre a escola e a diferença racial nos EUA na década de 60, em que a conclusão básica era: a escola não faz diferença. Então o livro mostra os movimentos teóricos que se desenvolveram.
    Após, vale a pena dar uma conferida nos diversos trabalhos que Eric A. Hanushek tem dedicado sua vida.

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