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O Debate da Formação

outubro 26, 2011

A transmissão do encontro de economia da ANGE pela Universidade Estadual de Santa Cruz – BA e por streaming pelo nosso blog trouxe a baila um tema que deveria ser muito caro aos estudantes de economia. A questão da formação na graduação.

Todo o curso tem autonomia para montar sua grade horária respeitando as regras de carga horária da reitoria da própria Universidade e do COFECON/MEC. Ocorre que existe grande variabilidade de programas de ensino entre as faculdades de economia do Brasil. Algumas faculdades pecam pelo pragmatismo e seus alunos saem sabendo quase tudo sobre ações e derivativos, mas sem saber relacionar o conceito de utilidade marginal à curva de demanda e acreditam que o escopo da economia fica limitado ao que se discute nos grandes portais de comunicação. Ao passo que existem alguns centros que pecam pela formação excessivamente exegética das obras clássicas e neoclássicas e não colocam o aluno para pensar com sua própria cabeça. Uma resposta que está contida no livro texto recebe nota boa, sendo que o aluno não fez mais que repetir o que estudou horas antes da prova. Já se ela é fruto de raciocínio autônomo e criativo, mas não se alinha ao que está no manual, com grande chance a questão será zerada.

É claro que existem escolas com formação plural, que dão a opção do aluno escolher a área que se sente mais à vontade. Mas, a maioria dos estudantes de economia tem mesmo que apelar para o autodidatismo, isso quando as bibliotecas das faculdades permitem.

Como sabemos, existem duas tradições em economia, a primeira é a economia que tem fins empíricos e para tanto se valem de modelos econômicos aplicados para testar alguma hipótese. Dentro do guarda-chuva dessa área está a economia matemática e a econometria. É a área que está hipertrofiada atualmente porque os periódicos em geral tendem a aceitar esse tipo de artigo com maior frequência. A segunda é a tradição mais filosófica da economia. Quem pesquisa nessa linha entende a economia como uma ciência social cujo objeto de estudo está sujeito a variações difíceis de modelar e acreditam que não é profícuo se valer dos métodos de análise das ciências naturais. HPE, metodologia da economia e economia política são algumas linhas de pesquisa.  É mais difícil encontrar nos departamentos de economia professores dedicados exclusivamente a essa área de pesquisa e os artigos em periódicos mínguam cada vez mais.

É claro que se dedicar a uma vertente da economia é uma questão de escolha. Cabe ao aluno estabelecer a vereda que irá seguir depois de já ter escolhido essa ardilosa profissão de economista. Todos deveriam ter igualdade do ponto de partida. Cada faculdade deveria dar as mesmas oportunidades para o estudante e a partir desse novo conjunto de informações ele deveria decidir o que vai fazer, mas o que se vê é o famoso mote: “ele finge que ensina e eu finjo que aprendo”. Temos que mudar esse paradigma. Para o pensamento econômico brasileiro ser original e perdurar no tempo esse debate tem que ser levado a sério pelos departamentos e pelos alunos, porque é na formação superior que se constrói um economista que será virtuoso (no sentido de virtuose, habilidoso) em sua profissão.

3 Comentários leave one →
  1. Lino permalink
    outubro 26, 2011 9:00 pm

    Bela reflexão.
    Mas infelizmente, a realidade mais triste que vejo é que independente da linha (mais pragmática ou filosófica), todo conteúdo ensinado é derivado da escola keynesiana ou marxista.
    O que leva à “lavagem cerebral” de alguns ou ao autoditatismo

  2. Lino permalink
    outubro 26, 2011 9:01 pm

    Bela reflexão.
    Mas infelizmente, a realidade mais triste que vejo é que independente da linha (mais pragmática ou filosófica), todo conteúdo ensinado é derivado da escola keynesiana ou marxista.
    O que leva à “lavagem cerebral” de alguns ou ao autoditatismo dos que não compactuam com o pensamento dominante…

  3. outubro 27, 2011 3:53 pm

    E também temos que admitir que há um claro domínio da teoria econômica ortodoxa e, mesmo sendo um ortodoxo, a economia heterodoxa tem seus méritos e merece mais espaço na mídia, ainda mais pela evolução desta vertente no pensamento econômico no Brasil hoje, com os chamados “neo-desenvolvimentistas” do governo petista.

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