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A Economia de Westeros

novembro 1, 2011

Westeros é um continente criado por George R.R. Martin, escritor que criou a fantasia “A Song About Ice and Fire” que é uma história sobre coragem, estratégia de guerra, magia e vaidade. Enquanto economista, ao longo da minha leitura, eu tentei ficar atento aos aspectos econômicos da obra.

O enredo se passa em uma sociedade medieval, com todos os níveis de servidão e vassalagem conhecidos. Portanto, o modo de produção é Feudal. Cada região é especializada em algum produto agrícola, mas em geral são quase auto-suficientes. Exceto The Wall, uma região congelada, com finalidade militar ao Norte de Winterfell, que era especializada em grãos. As Riverlands são regiões ricas, muito disputadas durante as guerras e abastece a capital, The Kingslanding.

Entretanto, alguns aspectos dessa história tornam o funcionamento da economia inviável. Primeiro, a duração das estações não são conhecidas e segundo, a guerra é recorrente e generalizada.

Como sabemos, a natureza se prepara para o intenso inverno nas regiões temperadas e durante a primavera e o verão, seus frutos e cepas arrebentam. O homem para sobreviver teve que adaptar-se a tal condição. Ocorre que em Westeros uma estação pode durar dez anos. Nessa circunstância a decisão entre consumo e investimento das famílias fica prejudicada e a natureza não tem como se preparar. Apesar dos mestres saberem com certa antecedência quando o verão acabou, eles não conseguem prever quanto durará o inverno. Após conquistarem a argola dourada, os mestres passam a dar conselhos econômicos. Que em geral não passa de contabilizar em livro caixa as despesas e receitas dos feudos.

As famílias nobres são bastante beligerantes. E os senhores feudais mobilizam muitos servos para seus exércitos e durante as guerras a prática mais comum são os incêndios nas lavouras. Essa prática não favorece o abastecimento das províncias. Quando a guerra ao norte se intensifica, o abastecimento na capital é prejudicado, faltando inclusive itens básicos como trigo, sal e carne. É nesse momento que aparece a pressão inflacionária e revoluções sociais.

Na capital, existe um “ministro da fazenda” que é o mestre da moeda, Lord Petyr. Que segundo o Hand of The King, uma espécie de primeiro conselheiro do rei, “Tem o talento de esfregar duas moedas para nascer uma terceira.” Um ministro da fazenda talentoso para aumentar as receitas, mas igualmente talentoso para gastá-las a mando do rei. “Ele pagava as dívidas do rei em promessas e colocava o dinheiro para trabalhar.” Não muito diferente de ministros da fazenda atuais.

No reino, a produção de itens estratégicos como vinho e a fundição era de monopólio real que concedia licenças para as Guildas. Não existiam grandes avanços tecnológicos, tanto é que as melhores lâminas de aço datavam de 400 anos de fabricação.

A fantasia não tem obrigação de ter aderência com a realidade, mas como os faros econômicos são observados também na natureza, é difícil contornar a lei da oferta e demanda a taxa de juros e os problemas causados pelos choques sociais como guerras e revoluções. A história é muito boa, R.R. Martin tem uma consciência narrativa distinta. Leitura que eu recomendo, apesar da economia do continente ser inviável.

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  1. novembro 6, 2011 2:05 pm

    Muito Legal o Post. Também quando estava lendo os livros me pagava pensando sobre a economia do universo desenvolvido pelo brilhante, maléfico e sádico George R R. Martin. Concordo com você que não é exatamente o mundo perfeito para o progresso econômico, inclusive a muralha ta lá há 8 mil anos e nada indica que houve algum grande avanço tecnológico desde então. Mas não acho que ela seja inviável.
    Primeiro quanto as estações não definidas. Com certeza isso tem uma grande influência nas decisões de consumo e formação de estoque. Mas existem outras opções que os 7 reinos recorrem quando enfrentam as incertezas do inverno: a caça, racionamento e importação de alimentos de jardins de cima ( que conseguem manter sua produção até mesmo no inverno) e das terras além do mar estreito (principalmente as summer islands). Quanto a muralha, como é visto no quinto livro da saga, os patrulheiros tem uma política definida de formação de estoque de alimentos.
    Segundo, quanto as guerras “recorrentes e generalizadas”. Elas não são tão recorrentes, nem tão generalizadas. Pelo menos não depois que Aegon o Conquistador unificou os sete reinos e proibiu as guerras particulares. E você pode ver que mesmo nesse momento de intenso conflito em Westeros tanto Jardins de Cima como Dorne e o Vale conseguiram evitar todo e qualquer conflito dentro de suas terras. Mas você ta completamente certo quanto a política de recrutamento dos vassalos para os conflitos. As aldeias e fazendas ficam sendo controladas por mulheres e crianças diminuindo a produtividade e causando grande fome e, por consequência, muitas mortes e grande êxodo da população para as grandes cidades em busca de alimento ( e não há alimentos nas cidades porque as estradas são bloqueadas ou por algum exército ou por bandidos que se aproveitam do caos). Mas esse fenômeno é muito bem descrito pelo autor, que pelo menos ao meu ver tem total consciência da insustentabilidade da situação no longo prazo. É como o Illyrio Mopatis, um dos grandes jogadores do jogo dos tronos, disse “There is no peace in Westeros, no justice, no faith… and soon enough no food. When men are starving and sick of fear, they look for a savior.” Resta saber quem é esse salvador.

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