A crise nos ensina…

A crise financeira tem tirado o sono de muita gente nos últimos anos. Os economistas que o digam. Afinal, como diria Krugman, como puderam os economistas errar tanto?

Por outro lado, se você acredita que é possível aprender com os erros, a crise nos ensinou, e ainda nos ensina muito. O recente trabalho “Some Lessons from the Financial Crisis for the Economic Analysis”, uma publicação do Banco Central Europeu, apresenta alguns aspectos pontuais que, segundo os autores, merecem a atenção dos economistas na busca da melhora das previsões econômicas.

O trabalho aponta que, de fato, a teoria macroeconômica é bem eficaz no que se refere à análise ex-post. Em outras palavras, os economistas são muito bons em explicar a crise passada. Os modelos macroeconômicos nos fornecem explicações plausíveis do desenrolar da crise, e nesse sentido, são fundamentais para a compreensão do período.Todavia, os autores chamam a atenção para a necessidade do aperfeiçoamento de modelos que permitam a obtenção de informações ex-ante, isto é, que permitam os economistas preverem as crises. Nesse contexto, os autores sugerem uma maior relevância ao papel dos fatores financeiros nos modelos econômicos, além de incentivarem o desenvolvimento e utilização de modelos não-lineares.

O trabalho de Blanchard, Dell’Ariccia e Mauro, “Rethinking Macroeconomic Policy”, recomenda que os gestores de política econômica devem se manter atentos a fatores como a composição do PIB, o comportamento do preço dos ativos e a alavancagem de diferentes agentes. Segundo os autores, hoje existem mais instrumentos à disposição dos gestores do que antes da crise. O desafio é encontrar a melhor maneira de utilizá-los. Além disso, o trabalho aponta que a crise reforçou algumas lições já conhecidas dos economistas, aprendidas em crises mais antigas.

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