Proibir o uso de sacolas plásticas realmente tem efeito positivo?

Uma das grandes dificuldades dos gestores de políticas públicas é avaliar o real efeito de suas decisões e o impacto que elas terão no cotidiano das pessoas. Em última instância, embora a intenção seja positiva, os efeitos finais líquidos podem ser negativos.

Isso acontece porque os agentes, com base nas restrições impostas, mudam suas atitudes de modo a alcançar o máximo de bem estar no novo cenário viável. No entanto, em muitos casos, essa alteração de escolhas não é levada em consideração.

Recentemente diversos municípios têm proibido o uso de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais. Mas será que isso realmente terá efeitos positivos para o meio ambiente? Neste caso, a resposta padrão dos economistas se encaixa bem. Ou seja, o resultado final depende de como o consumidor irá atuar.

Digamos que haja uma substituição das sacolas plásticas por outras ecologicamente corretas. Neste cenário, traçado pelos gestores de política pública, realmente haveria um ganho ambiental. No entanto, se esta hipótese não se concretizar, talvez a história não seja tão fácil assim.

Suponhamos que os consumidores, acostumados a carregar suas compras nas sacolinhas plásticas, simplesmente achem mais conveniente ir ao supermercado de carro em vez de caminhar e levar uma ecobag. Outra possibilidade plausível seria que, para a confecção do substituto, fosse usado mais de algum recurso natural. Caso isso acontecesse, os efeitos finais para o meio ambiente seriam ambíguos.

Economistas, de um modo geral, condenam atitudes proibitivas em casos como estes. Sugerem que sejam adotadas outras medidas, tais como tributação maior sobre o bem cujo consumo se quer diminuir ou incentivos para aquele que se pretende estimular. É uma forma incorporar ao mercado parte da externalidade negativa gerada à sociedade, mantendo, no entanto, o comércio do produto.

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