Mais que um problema de carona

A cachaça é uma bebida tipicamente brasileira, sendo que a produção da cachaça artesanal ou de alambique está concentrada principalmente em Minas Gerais. No município mineiro de Presidente Bernardes é produzida desde 2008 uma cachaça que tem dado o que falar, a João Andante. Acontece que a holding Diageo, que detêm os direitos da marca do uísque Johnnie Walker, não gostou nada do andarilho mineiro. Os ingleses acusam o João Andante de pegar carona na marca Johnnie Walker.

Em economia, o carona (ou free rider) é um agente que usufrui de determinado benefício proveniente de um bem, sem que necessariamente tenha arcado com os custos de obtenção de determinado bem. No caso, a Diageo argumenta que foram necessários muitos anos e muitos dólares em investimentos para que a marca Johnnie Walker conquistasse credibilidade e fama.

Não quero entrar em questões judiciais aqui, mas as semelhanças entre as duas bebidas se restringem ao nome (João Andante é a tradução literal de Johnnie Walker) e ao desenho de uma pessoa caminhando. No mais, as bebidas são diferentes (o João é cachaça e o Johnnie é uísque). Além disso, a figura que caminha também é diferente (o João é mais simples, e o Johnnie é um Lord inglês).

Até que ponto a João Andante pode ser considerada uma “imitação” da Johnnie Walker? A resposta fica a cargo do Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), que julgará o caso. O resultado disso tudo, até agora, foi um grande aumento das vendas do João Andante. O processo tornou a marca mais conhecida. Além disso, o João Andante se defende das acusações. Afinal, quem pegaria carona com uma pessoa a pé?

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