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Essa tal felicidade

fevereiro 14, 2012

“O PNB mede tudo, menos aquilo que faz a vida valer a pena.” (Robert F. Kennedy)

Monges do Butão jogando vôlei

O governo federal está comemorando os R$ 7,7 bi que serão gastos em medicamentos para conveniados do SUS esse ano. De fato, essa é uma política social eficaz e supostamente deveríamos nos orgulhar por ter o maior programa de distribuição de remédios gratuitos do mundo. Lendo essa notícia eu também me recordei que recentemente o Brasil ultrapassou o Reino Unido em termos do PIB e agora somos a sexta maior economia do mundo.

Essa associação em primeira vista pode parecer um tanto tacanha. Mas se eu tentar a responder a pergunta do post do Caio sobre felicidade, a relação entre os dois fatos torna-se evidente. Eu explico. Em primeiro lugar, não devemos nos esquecer que o PIB reflete o número de transações monetárias multiplicadas pelo preço, ou seja, o número de transações guarda relação direta com o volume de produção. Quanto mais produzimos mais transacionamos e no final o PIB é o somatório de preço x quantidade. Em segundo lugar, por ser uma variável agregada, o PIB é só um número absoluto e por isso não guarda relação com a qualidade das transações na economia registrada no período de apuração. Se gastamos R$ 7,7 bi com aspirina ou poesia, pouco importa.

Os iluministas acreditavam que o hiato que nos separa individual e coletivamente da melhor vida ao nosso alcance seria paulatinamente diminuído com o progresso econômico, mas essa previsão falhou como muitas outras da era moderna. Na era da pós-modernidade, a qual nos encontramos, não existem certezas, os conceitos se tornaram mais líquidos. Há trocas de valores e desconstruções. Nesse contexto, vem se fortalecendo a ideia de que o PIB não é o melhor indicador para o progresso, ou seja, a medição da renda para captar o progresso é uma escolha errada.

E de fato há alguns países que acreditam nessa ideia. O Brasil é um deles. Está no congresso a PEC da Felicidade. A proposta é que indicadores mais subjetivos comecem a ser utilizados para medir o bem-estar da nação. Há quatro décadas vem sendo desenvolvido um indicador para captar a felicidade. Trata-se da Felicidade Interna Bruta (FIB). O indicador é calculado com metodologia parecida com o IDH e leva em consideração padrão de vida, saúde, educação, resiliência ecológica, bem-estar psicológico, diversidade cultural, uso equilibrado do tempo, boa governança e vitalidade comunitária.

Esse conceito de medir a felicidade ganhou notoriedade no Butão, um pequeno país no topo do Himalaia, na Ásia meridional. Nesse reino em que é proibido fumar e a maconha cresce livremente na beira da estrada, o ministro da felicidade tem como meta melhorar a harmonia familiar, diminuir o excesso de consumo e se preocupar com os riscos da atividade humana ao meio ambiente. O que é defendido pelos diplomatas butaneses nas reuniões da ONU é que as ideias convencionais de desenvolvimento não podem ser aplicadas ao Butão, que ocupa a posição 132 de 182 no ranking do IDH.

Seria de fato muito interessante que se popularizasse a ideia de que o número de trocas não reflete a qualidade de vida. Se eu bebo água pura da torneira e não precisei comprá-la, essa transação não contribui para o PIB, agora, se a atividade econômica polui a água, eu vou precisar comprar garrafões e essa transação entrará no cálculo do PIB, mas do ponto de vista do bem-estar pessoal podemos nos perguntar, qual situação é a melhor?

2 Comentários leave one →
  1. @maxmiliano permalink
    fevereiro 17, 2012 9:26 am

    rapaz.. que post massa! Obrigado

    • fevereiro 21, 2012 10:29 pm

      Fico contente que tenha gostado. Abraço.

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