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Olha a vaquinha!

março 5, 2012

Palmeiras precisa de dinheiro da torcida para contratar Wesley

Seria cômico se não fosse trágico, mas o fato é que a diretoria do Palmeiras está fazendo uma “vaquinha” para contratar um jogador.

Trata-se de uma ação de “crowdfunding”, uma espécie de financiamento através da multidão, com a intenção de pagar pelos direitos econômicos do meia Wesley do Weder Bremen-ALE.  Corinthians já havia tentado com Cristian e São Paulo com Nilmar esse mesmo tipo de ação, mas ambas as tentativas foram vetadas pelo clube vendedor.

O Palmeiras espera que sua torcida consiga levantar R$ 21.377.300 em 29 dias.  Isso equivale a mais de 7 mil doações de R$ 100 por dia. Em 24h a ação conseguiu levantar pouco mais de R$ 172 mil.

Do ponto de vista do presidente Arnaldo Tirone, o clube tem um problema que é levantar 6 milhões de euros para contratar um atleta. Seguindo seu raciocínio, ele acreditou que a solução seria captar a quantia via doações.  O raciocínio é até válido. O “crowdfunding” como disse o presidente do Palmeiras é uma ação inovadora e está começando a ser utilizada como meio viável de financiamento para atividades empresariais ou artísticas.  Esse tipo de ação já é utilizada em eventos como o Criança Esperança e Teleton.

O grande problema está no fato que os “crowdfunders” (financiadores) estão fazendo caridade para uma atividade privada e não irão auferir benefícios privados desse esforço. Está sendo vendido um bilhete de loteria cujo prêmio (títulos) além de ser incerto, possui o clássico problema do carona. Quem não ajudou receberá os benefícios da mesma forma daqueles que arriscaram e compraram o bilhete.  Ou seja, caso a iniciativa logre sucesso o benemérito só poderá comemorar na multidão.

Portanto, não estamos falando de um “venture capital” ou um “private equity”. Quem comprar as cotas não será considerado um “stakeholder” do Palmeiras. Ainda que não seja um produto financeiro existe o problema da informação assimétrica. O empenho do jogador valerá o esforço da torcida?

O fracasso desse tipo de financiamento é conhecido para quem já arriscou anteriormente. Ou seja, pouquíssimos projetos conseguiram chegar à meta estipulada, e como pessoas racionais reagem a incentivos, o objetivo de levantar mais de 20 milhões desencoraja logo de início. A título da comparação, o patrocinador máster da equipe paga R$ 30 milhões para estampar sua marca na camisa.

Além disso, houve um grave erro de estratégia. No ato do lançamento ouviu-se o presidente dizer: “se a meta não for atingida a contratação não será concretizada.” Ocorre que já vazou a informação que o Palmeiras já tem uma carta de crédito para pagar pelo jogador e essa ação serviria para cobrir os impostos e amortizar os juros da transação bancária. E veio de um dirigente do Palmeiras a informação de que “teremos alguns termômetros durante essas três primeiras semanas, para sabermos quanto andou e fazermos ações complementares.”  Através do fogo amigo sabemos que o “crowdfunding” é um blefe já que o clube precisa depositar na conta do Weder a primeira parcela (2 milhões de euros) para ter o jogador e como os indivíduos fazem expectativas com base no conjunto de informação atual (sabe-se que é uma questão de honra não deixar o negócio escapar) essa vaquinha está fadada a fracassar.

3 Comentários leave one →
  1. Marcos N. permalink
    março 5, 2012 12:34 pm

    realmente desconhecedores do processo de tomada de decisão, além de egocêntricos… se fizessem a distribuição de cotas de participação do investimento, retornando este valor durante a venda do jogador, poderiam apostar na valorização do mesmo e ganhar com ela.Se desvalorizasse, pagaria proporcional a desvalorização, não correndo risco algum. Desta forma, subsidiariam a compra do jogador, teriam um “empréstimo” sem juros e montaria um time para ganhar campeonatos.. mais títulos, mais torcedores, mais receitas, mais etc… agora, tomar dinheiro sem contrapartida nenhuma, pra isso já temos o governo com seus impostos.

    • Luiz Henrique Pacheco permalink
      março 10, 2012 11:31 am

      Raciocínio perfeito o seu. Na atual estrutura do depto de futebol do Palmeiras sabemos que esse expediente de financiamento externo e barato é como ter tv via satélite em uma casa de palafita, a modernidade não combina com uma estrutura claudicante.

  2. Luiz Henrique Pacheco permalink
    março 10, 2012 11:30 am

    Seu raciocínio perfeito o seu. Na atual estrutura do depto de futebol do Palmeiras sabemos que esse expediente de financiamento externo e barato é como ter tv via satélite em uma casa de palafita, a modernidade não combina com uma estrutura claudicante.

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