Uma lágrima para Aziz Ab’Sáber

Na última sexta-feira faleceu o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber, aos 87 anos. Ele, juntamente com Milton Santos foi um dos mais eminentes geógrafos brasileiros. O motivo desse texto é compartilhar um insight que o pensamento do professor Aziz deu à minha visão da ciência econômica.

A maioria se lembrará de Aziz pela classificação dos seis domínios morfoclimáticos brasileiros. De fato, esse conhecimento das diversidades regionais, tanto de clima, terreno, da história de ocupação do solo e situação socioeconômica fez brotar no pensamento de Aziz a preocupação para questões regionais. Ele sempre atentava para a grande diversidade brasileira.

Nesse sentido, seus livros me ensinaram a pensar em questões regionais. Seu conselho era para que a juventude conhecesse todos os rincões brasileiros. Na sua visão, o administrador público precisa conhecer todo o Brasil para prover políticas que sejam eficientes em nível regional e nacional.

Os espaços são herdados, portanto, a ação antrópica deve ser discutida tendo em vista a utilização do espaço em favor dos aspectos regionais e dos domínios morfoclimáticos. Portanto, tendo em vista essa abordagem fica claro que na posição de economista, importar teorias liberais dos manuais e tentar aplicá-las ao capitalismo manco brasileiro é inviável pelo fato de que:

“Em qualquer projeto que envolva o uso de espaços remanescentes do Mundo Tropical, é necessário possuir uma boa visão do mosaico de domínios de natureza existentes nos territórios nacionais considerados.”

Ou seja, a missão do Brasil e do formulador de política econômica é preservar o espaço tropical herdado que tem grandes estoques de componentes bióticos em condições integradas e dotadas de biodiversidade. Esse será o grande diferencial do Brasil em relação ao resto do mundo. Por isso, o projeto de desenvolvimento deve acontecer à luz das diferenças regionais, com conhecimento dos diferentes espaços que compõem o Brasil, prestando atenção à infraestrutura regional, conjunturas socioeconômicas e ambientais.

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