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O malogro de Roberto Campos

maio 9, 2012

Margaret Thatcher e Roberto Campos.

O economista liberal Roberto de Oliveira Campos teve uma ativa participação em alguns momentos políticos brasileiros. Defensor do liberalismo econômico começou sua vida política como ministro do planejamento do governo Castello Branco e conjuntamente com Gouvêa de Bulhões criou uma série de medidas que levaria ao milagre econômico do governo Médici. Entre elas a criação do mercado de capitais, reforma tributária e antes, no segundo governo Vargas, a criação do BNDE.

Além de economista prático com atuação bastante profícua no governo, foi justamente o seu lado idealista e polêmico que me chamou a atenção em seu sistema de pensamento. Campos é o típico pensador que é interessante citar tanto pela contundência em que se expressa quanto pela sua ironia. A respeito da Constituição de 1988 ele disse: “enquanto o cruzado pretendia abolir a inflação por decreto, a Constituição quer acabar com a pobreza pela lei.” Participou da constituinte e recusou-se em assinar a carta magna porque a considerava muito socialista para seu gosto.

Contumaz crítico da esquerda brasileira, a qual lhe rogou a alcunha de “Bob Fields” devido ao seu pensamento liberal adquirido nas universidades americanas, não poupava o governo em dizer que “o Estado não dá nada ao povo do que dele não tenha tirado.” Malogrou em seu esforço em ver a economia brasileira caminhando a passos largos para um contexto liberal.

Depois que o governo Collor fracassou no seu combate a inflação, Roberto Campos escreveu que “só há três saídas para o Brasil: Galeão, Cumbica ou liberalismo.” Com o governo FHC, Campos acreditou que a ultima saída estava sendo utilizada. As reformas neoliberais estavam levando economia ao estado mínimo. Os objetivos de reduzir continuamente os gastos públicos estavam no caminho certo. Contudo, veio a crise asiática, o governo Lula e o compromisso de sediar dois eventos mundiais a expensas do contribuinte brasileiro.

Portanto, Campos, que faleceu em 2001 não viu o Brasil entrar no clube dos ricos. Não viu a pobreza ser drasticamente diminuída pela economia de mercado. O assistencialismo governamental disparou e o intervencionismo econômico só cresceu e não vemos nenhum economista liberal se destacando nos debates públicos.

10 Comentários leave one →
  1. Drunkeynesian permalink
    maio 9, 2012 11:36 am

    O Brasil entrou no clube dos ricos? Quando?

    • Luiz Henrique Pacheco permalink
      maio 9, 2012 12:41 pm

      Repare na conjunção que inicia o parágrafo: portanto… nem ele nem nós vimos. O que se viu foi a pobreza ser diminuída pela assistencialismo e nao pela economia de mercado.

      • William permalink
        novembro 21, 2012 9:29 am

        Caro Luiz Pacheco, o seu texto é realmente muito bom, pena que este seu comentário em resposta ao “Drunkeynesian” não esteja à altura de seu texto. Isso porque neste último você se confundiu. Esta a razão de eu ter negativado seu comentário: o Brasil não viu propriamente “a pobreza ser diminuída pelo assistencialismo”, mas o surgimento de um amplo contingente de pessoas que, retiradas da miséria extrema, encontram-se indefinidamente presas no limbo da pobreza, devido à proliferação do assintencialismo estatal na forma de “bolsa-isso, bolsa-aquilo”. É a velha fórmula do clientelismo brasileiro: com grandes promessas e minúsculos auxílios cria-se e mantém-se uma classe de semi-miseráveis eternamente gratos aos burocratas sedentos de poder e rápida ascenção social.
        Longe da verdadeira solução de seus problemas: educação de qualidade e liberdade de verdade – inclusive de mercado – esse contingente da população serve bovinamente aos políticos que o enganam e escravizam.

    • Alves permalink
      novembro 21, 2012 7:10 am

      Roberto Campos “não viu o Brasil entrar no clube dos ricos”, porque o Brasil não entrou, apesar de todos os seus esforços. Se o Brasil tivesse dado ouvidos a Roberto Campos, a história com certeza teria sido diferente.
      E o texto é perfeitamente claro em apontar que o país NÃO entrou no clubes dos ricos. Se você não entendeu essa obviedade é porque: ou você é um analfabeto funcional, ou é mal intencionado, ou estava muito desantento quando leu o texto.

  2. maio 9, 2012 11:51 am

    Pobreza diminuída pela economia de mercado? Hein?

    • Luiz Henrique Pacheco permalink
      maio 9, 2012 12:42 pm

      O título do texto é malogro não por acaso. Nem ele nem nós vimos a pobreza ser diminuída pela econ de mercado. Pelo contrário ela diminuiu pelo assistencialismo. Repare na conjunção que inicia o parágrafo.

  3. Anônimo permalink
    maio 9, 2012 6:22 pm

    Atenção Galera!!!
    Siga-me:
    @TiagoAdm10

  4. Tiago correia permalink
    maio 9, 2012 6:24 pm

    Atenção Galera!!!
    Siga-me no Twitter….
    @TiagoAdm10

  5. Ana Miranda permalink
    maio 10, 2012 5:52 am

    “Defensor do liberalismo econômico começou sua vida política como ministro do planejamento do governo Castello Branco”

    Será? Vejamos o que diz a Wikipédia:

    “Vida pública

    Trabalhou no **segundo governo de Getúlio Vargas** quando foi um dos criadores do atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do qual foi, posteriormente presidente, de agosto de 1958 a julho de 1959, e participou da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos que estudou os problemas econômicos brasileiros. Rompeu com Getúlio Vargas e foi designado para trabalhar no consulado brasileiro em Los Angeles, onde aproveitou para conhecer profundamente o cinema de Hollywood.

    No governo de **Juscelino Kubitschek**, teve participação importante no Plano de metas, sendo um dos coordenadores dos grupos de trabalhos do Plano de Metas. Roberto Campos havia sugerido que se chamasse “Programa de Metas”, sugestão que Juscelino não acatou. Roberto Campos sugeriu também que se fizesse um plano mais amplo visando combater o déficit público e equilibrar as contas externas através de uma reforma cambial.

    Exerceu os cargos de ****Embaixador do Brasil em Washington no governo João Goulart**** e Londres no governo Geisel.”

    • Luiz Henrique Pacheco permalink
      maio 10, 2012 10:48 am

      Eu escrevi dessa forma porque penso que o cargo de ministro do planejamento e da fazenda é mais importante politicamente do que os cargos de diretor de banco, diplomata ou assessor do presidente. Afinal, a historiografia econômica aponta ele como o ministro que tentou conter a inflação deixada por JK e J. Goulart com reformas no governo militar.

      De qualquer forma, é bem notado seu ponto. Desde bem jovem ele já participava do governo.

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