Austeridade: o gráfico que deu o que falar

Uma briga feroz de ideias se instalou na mídia internacional nos últimos dias. Tudo começou com esse gráfico de Veronique de Rugy, pesquisadora da George Mason University:

A austeridade fiscal não significa grandes cortes de gastos

A pergunta que se faz é: onde estão os cortes selvagens de gastos que assolam a zona do euro?

Ao contrário, após anos de aumentos de gastos o gráfico mostra que países amplamente citados pela adoção de medidas de austeridade (como Espanha, Reino Unido, França e Grécia) não reduziram significativamente os gastos nos últimos anos. Segundo ela, em alguns países os cortes de gastos foram sim desprezíveis e, para a Europa como um todo, o aumento dos impostos foi um componente muito maior do que cortes de gastos.

O debate ganhou fôlego quando Tyler Cowen mencionou esse gráfico em seu blog. A partir de então, Ryan Avent da The Economist e correspondentes do Washington Post, além de pesquisadores do naipe de Justin Wolfers, escreveram uma série de respostas contestando frontalmente o que foi dito por Tyler Cowen e sua companheira Veronique de Rugy. Uns disseram que o gráfico não deveria estar em termos nominais, outros disseram que existe problema na escala do gráfico e, a partir daí, surgiu uma série de outros gráficos.

De fato, se você olhar o déficit estrutural/PIB as coisas parecem mudar de cara (gráfico de Blad Plumer, Washington Post):

Tyler Cowen rebateu as críticas dizendo que eles não estão pensando “profundamente o suficiente”. Para ele, quando se quer julgar se a política fiscal é contracionista ou expansionista em termos macroeconômicos: “não se deve ajustar automaticamente a porcentagem do PIB e a inflação”. Deve-se em vez disso, iniciar analisando “os gastos nominais do governo, e então talvez dar uma olhada no PIB nominal ou medidas afins. A teoria, afinal, é sobre valores nominais, acima de tudo no curto prazo.”

E acrescenta:

Na maioria das vezes “austeridade” é uma palavra enganosa e conceitos mais precisos – facilmente inteligíveis, devo acrescentar – estão disponíveis.

Em resumo, esse embate vem servindo para lembrar que existem várias formas de austeridade na tentativa de reduzir a relação dívida/PIB ou o déficit, e que o termo “austeridade fiscal” ainda carece de uma definição precisa. Ressalta-se então, que a austeridade não pode ser confundida como uma política exclusiva de corte de gastos, mas também de aumento dos impostos, ou ainda uma mistura de ambos.

O debate não deve parar por aí. A discussão já virou novela, está tão animada que até o twitter vem sendo usado para colocar a briga em dia. Tem sido bem divertido de acompanhar.

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