Coloque um ponto final na festa corinthiana

Eis o exemplo mais atual de externalidade negativa… Você não é corinthiano mesmo assim vem aguentando o barulho do seu vizinho louco. Chega uma hora que não dá mais, não é mesmo?. O que fazer?

A solução passo a passo:

1) Bata na porta do cidadão.

2) Diga que você poderia acionar as autoridades devido ao infortúnio, mas você manja um pouco de teoria econômica e está disposto a entrar em acordo.

3) Proponha que se coloque em prática o Teorema de Coase (Nobel de Economia de 1991), ou seja, você está disposto a aturá-lo, internalizando a externalidade negativa vinda da baderna, mas para isso ele terá de lhe pagar todos os emolumentos* (negocie uma taxa para cada grito que exceder o limiar de 90 dB).

4) A paz voltará a reinar, ainda que no longo prazo (já que alguns podem demorar a compreender o acordo).

Este experimento foi testado em laboratório e não possui contra-indicação.

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* emolumentos: termo brilhantemente usado pelo nosso colega Gustavo Crispim, quando defendia receber uma recompensa por ter de escutar música sertaneja em um churrasco.

p.s: A arruaça alvinegra é tão exagerada que pelo Twitter já se vê muita gente desejando ‘Feliz 2013’, devido aos fogos que vêm tirando a harmonia nas últimas horas. É hora de dizer basta.

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15 Responses to Coloque um ponto final na festa corinthiana

  1. Natacha says:

    Aii Adriano só vc mesmo!…hahahahah…adorei!

  2. Frederico says:

    COMEMORAMOS MESSMOOOO!!!! GAnhamos CONTRA Tudo e CONTRA TODOS!

    Estou de alma lavada!! Posso dizer que nós corintianos nos livramos das brincadeiras maldosas que fizeram até ontem no jogo. Somos Campeões da Libertadores!! Nosso time sempre foi excluído. E agora o que vão inventar contra este timão??

    Parabens Tite vc foi fundamental! Fique conosco e seremos novamente campeão do mundial de clubes.
    Outra coisa que me deixa muito feliz é ver que a torcida do Corinthians esta se renovando com pequeninos meninos e meninas!!
    Que nossa meta agora seja ser o time com maior torcida no Brasil e uma das maiores do mundo.

    Parabens Corinthians! Somos um bando de loucos mais somente loucos de amor por ti Corinthians….!!

    • Paulo says:

      Por um acaso vc nunca tirou sarro de rival, né? Essa camisa ‘contra tudo e contra todos’ é piada (coisa de pobre), porque não há time mais beneficiado por CBF, Globo e toda imprensa futebolística do que o Corinthians. Parabéns pela conquista, mas não venha com essa de que são os excluídos que isso é balela.

  3. TIMÂO LOUCO POR TI says:

    TEXTO EXCROTO!!

    NÃO HÁ TEOREMA QUE ME FAÇA PARAR DE GRITARRRR!!!!!!!!!

  4. Só faltou algo que você esqueceu sobre o teorema de Coase: o lucro e o custo de transação. Se pro corinthiano eh mais lucrativo continuar gritando, ele pagará o “emolumento”, mas havendo custo de transação (ir a cada uma das milhares de casas de corinthianos por exemplo) o incomodado aceitará arcando com o “custo” de fechar a porta ou comprando tampões de ouvido.
    Teorias a parte, essa discussão eh fútil. Eh como se alguém quisesse parar o reveillon só pq precisa trabalhar no dia primeiro. Pelos jogos dinâmicos, como um dos agentes eh muito maior e numeroso, ele toma a primeira descisão (de gritar e comemorar) e os outros agentes tem que aceitar e realizar sua ação de acordo com essa (fechar a janela e ir dormir).

    • Olá Samir, fique tranquilo estou lembrando do Teorema perfeitamente. Aproveito para agradecer sua visita. O texto foi uma brincadeira, peço paciência se não achou divertida. O tema volta e meia ganha prêmio Nobel, acho que isto representa alguma coisa.

      Você comentou dos custos de transação, se forem assim tão altos quanto você diz o Teorema realmente não vale. Lidar com Teorema demonstrado é mesmo bastante simples, se as hipóteses forem válidas o teorema é válido, se não for, não é.

      Note que no texto eu falei de vizinhos. Entendo por “vizinho” alguém que more perto o suficiente para você ir, sem se preocupar com custos como o de sola de sapato. Pense num prédio, por exemplo. É evidente que não pretendia resolver a baderna do céu, ou de quilômetros de distância – que não atrapalha ninguém. O que ainda persiste é a corneta próxima, o barulho dentro do condomínio, na área comum do trabalho, etc, nestas áreas, os direitos de propriedade estão sim muito bem definidos e os custos de transação não são significativos.

      • A questão é que o agente é afetado não só pela externalidade próxima, mas de todos. eh como a externalidade do escapamento de um carro, numa avenida onde passam vários carros. Se referindo a são paulo, os Corinthianos são maioria, e no caso específico fizeram uma festa que durou boa parte da noite por toda a cidade. isso faz com que o agente seja afetado não por um mas por muitos à um significativo raio de distância (apartamentos e até prédios vizinhos). Esta externalidade ainda é intermitente (um grito por gol, ou ao fim do jogo) e tem reciprocidade (o agente afetado também já pode ter gritado em outro momento, ou feito qualquer barulho acima de 90 db afetando outro vizinho). É fácil perceber isso quando você compara com disputas entre vizinhos que vão a justiça por anos e por causas muito mais simples (infiltração por exemplo). Dado que o agente afetado não se valeu de nenhum acordo mútuo entre o agente causador escolhido (poderia ser qualquer vizinho corinthiano e naquela noite com certeza haviam muitos) como norma de condomínio ou coisa parecida, o agente afetado se submete a externalidade ateh pelo curto período que ela dura. Enfim, teorias econômicas a parte, não dá pra botar a culpa em um vizinho se tanto o bairro como a cidade toda estão fazendo barulho. Além disso estamos no país que ama e vibra com o futebol, e a coisa mais normal de se ouvir são gritos e comemorações. Se vc não comemorou hj, pode comemorar amanhã ou depois, em alguns casos pode demorar, mas sempre tem um time rival mais forte disputando algo importante pra “secar” não eh? rsrs

      • Antônio Galdiano says:

        E se, na execução do passo 3, você se deparar com a seguinte resposta:
        “Aqui é curintia manu! Tô cagan… com o nobel do “côsi”! Puliça tem medo de vir aqui mess! Emolumento ?!? Nunca ouvi falá esse jogadô. Ce tá drogado ou só qué uns tapa pra endireitá as idéia?”
        A probabilidade de um evento do tipo é, certamente, diferente de zero!
        Texto engraçado!

        • Foi o melhor comentário até agora…. hahaha
          Por isso eu disse: “alguns podem demorar a compreender o acordo” …. rs
          Aí é preciso ter aquela paciência…

  5. Julio says:

    kkkkkkk
    economistas adoram supor coisas absurdas!!
    quem vai ter um medidor de decibels?

  6. Pingback: Limitações do Teorema de Coase: uma abordagem Corinthiana « Prosa Econômica

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