Corrupção e Ambiente Regulatório: Novas evidências

Fonte: Adaptado de The Economist, World Bank, Transparency International

Recentemente, a revista britânica The Economist publicou um artigo, com base no relatório do Doing Business 2013, sobre a relação (figura) entre o ranking dos países segundo duas variáveis, o Corruption Perception Index (um índice que mede o quão corrupto as pessoas consideram o setor público do país) e o Ease of Doing Business (que caracteriza o ambiente regulatório do país de acordo com a facilidade de criação e de operação das firmas locais). Segundo os dados, é possível verificar uma relação positiva entre os dois indicadores, sinalizando que países mais burocráticos, com muitas regras são, em geral, aqueles com maior nível de corrupção.

Essa relação indica a existência de um possível círculo vicioso. Isto é, um país com uma maior complexidade de regras possui maiores custos de comercialização em relação a outros países, o que implica em uma maior dificuldade para as empresas serem criadas ou permanecerem no mercado. Isso eleva os incentivos para que os agentes envolvidos se envolvam em atividades ilegais, praticando subornos e propinas para evitar o ambiente excessivamente regulamentado. Por outro lado, se essas práticas ilegais são muito frequentes no país, espera-se que o governo aumente a regulamentação, de modo a evitar tal tipo de prática, elevando novamente os custos, e assim por diante.

Segundo a The Economist, os países menos corruptos são aqueles cujas regras são simples e desenhadas para o melhor funcionamento dos mercados. Isto é, a ausência total de regras também não é o melhor dos mundos, uma vez que gera muita incerteza e desestimula a criação de novas firmas locais. Isso sugere a possível existência de um ponto ótimo no nível de regulamentações que varia de acordo com as necessidades de cada país.

Considerando o caso específico do Brasil (ponto vermelho na figura), é possível notar um baixo desempenho do país no indicador do ambiente regulatório. Em relação aos outros 171 países da amostra, o Brasil é o 73º país no ranking de corrupção, mas apenas o 130º país com ambiente regulatório mais propício às firmas locais. A figura ilustra um excesso no nível de regras e regulamentações para o nível de corrupção percebido pelos agentes do país. Isso também pode estar se traduzindo em elevados custos desnecessários para as empresas brasileiras.

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2 Responses to Corrupção e Ambiente Regulatório: Novas evidências

  1. Antônio Galdiano says:

    Sabe o que é pior? Tem gente que precisa de econometria para entender essa obviedade!!!

  2. Anonymous says:

    A pesquisa comprova a realidade brasileira.Será que um dia ocorrerá mudança nessa situação?
    Marcelo Alves

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