Mobilidade Internacional de Pesquisadores: o Caso do Brasil

Fonte: http://spectrum.ieee.org/ - “Foreign Born Scientists: Mobility Patterns for Sixteen Countries,” by Chiara Franzoni, Giuseppe Scellato, and Paula Stephan, May 2012, National Bureau of Economic Research.

Ninguém tem dúvidas de que pesquisadores são fundamentais para o desenvolvimento de um país. Mas, como é que está a mobilidade internacional de pesquisadores? Qual é a situação atual do Brasil?

Buscando responder a perguntas como esta, o artigo “Foreign Born Scientists: Mobility Patterns for Sixteen Countries”, apresenta uma recente análise dessa movimentação de cientistas entre os países. A pesquisa, baseada em questionários, contou com a participação de 17.182 pesquisadores de 16 países diferentes, e tem sido destaque em alguns sites (como este e o este do Banco Mundial). Para determinar o país de origem de um pesquisador, os autores consideraram o país no qual o indivíduo morava quando tinha 18 anos.

Segundo o artigo, o Brasil apresenta uma baixa taxa de cientistas estrangeiros trabalhando ou estudando no país (7,1%). Essa taxa é bem menor que a de outros países como a Suíça (56,7%), Austrália (44,5%) ou Canadá (46,9%), as líderes no ranking. Além disso, grande parte desses pesquisadores é originária de países vizinhos, tais como Argentina, Peru e Colômbia. Além desses países, o artigo aponta também a França como um dos países que mais “exportam” cientistas para o Brasil.

Considerando o sentido oposto, o da emigração de pesquisadores, o Brasil também possui uma baixa taxa, isto é, apenas 8,3% dos pesquisadores brasileiros estão trabalhando ou estudando em outros países. Entre os principais destinos desses brasileiros, estão os EUA, Canadá e Alemanha. A Índia é o país campeão em “exportar” pesquisadores (39,8% dos indianos trabalham ou estudam fora do país).

O artigo faz mais uma observação importante. Dos 16 países considerados na análise, a amostra de pesquisadores suíços estava associada a artigos com o maior número de citações. Por outro lado, a amostra de pesquisadores brasileiros estava associada a artigos com o menor número de citações.

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One Response to Mobilidade Internacional de Pesquisadores: o Caso do Brasil

  1. Arthur says:

    É muito conveniente comparar países por vários motivos. Mas obviamente não é a melhor unidade geográfica para comparar um monte de coisas, incluindo isso.

    Áreas geográficas maiores e mais populosas terão menos mobilidade do que áreas geográficas menores e menos populosas, tudo se mantendo o mesmo.

    Imagine por exemplo que amanhã a Europa se una completamente e se torne um só país: Os Estados Unidos do Velho Mundo. Nada na realidade da mobilidade dos pesquisadores vai mudar de um dia para o outro. Mas o índice de mobilidade alto de países europeus de repente vai cair, por que agora a maioria está no mesmo país em que nasceu.

    Aconteceria algo análogo se a Rússia, Brasil, EUA ou Índia se dividissem em vários países.

    Claro que a pesquisa é interessante mesmo assim, e acrescenta informações, mas lê-la sem isso em mente pode nos levar a conclusões precipitadas.

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