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Propaganda é arte

dezembro 2, 2012

A análise de equilíbrio estático, no atual paradigma do programa de pesquisa em economia, não leva em consideração fatores institucionais ou psicológicos. Ignora-se, por exemplo, o papel da propaganda nas preferências. Ou seja, uma campanha publicitária pode fazer o preço relativo de alguns bens variar. Pode induzir uma pessoa a comprar um bem que não precisa, ou ainda criar a necessidade para tais bens. Ou seja, mudar as preferências.

A propaganda de cerveja e carros no Brasil é um exemplo disso. É difícil ver um grande evento que não seja patrocinado por uma cervejaria ou montadora. Não raro, esses dois segmentos estão presentes nas cotas de publicidades de eventos como futebol, festivais de música e cinema. Carro e cerveja no Brasil vendem muito.

A Heinekein até desbancou o tradicional Martini do 007. Na semana passada, aconteceu a BlackFriday. Nada mais conveniente ao comércio brasileiro. Historicamente o mês de novembro é de baixa nas vendas do varejo, devido ao fim de ações de vendas como dia dos pais e das crianças e devido a proximidade com o natal. Tradicionalmente os saldões do varejo acontecem em janeiro. Mas com maciça ação de marketing as empresas levaram os consumidores às compras em época que não estavam acostumados. É um exemplo de como a propaganda pode mudar nossas escolhas.

Donald Draper (Jon Hamm), uma personagem da série Mad Men, da HBO consegue transmitir bem essa ideia.

“A propaganda é baseada em uma coisa: felicidade. Você sabe o que felicidade é? Felicidade é o cheiro de carro novo, é liberdade do medo. É um anúncio na rodovia dizendo que qualquer coisa que você estiver fazendo é certo. Você está certo.”

Em verdade, a propaganda consegue até transformar em mercadoria sentimentos humanos. Mais uma vez Draper desvenda como a propaganda influencia a maneira que as pessoas se sentem:

“A razão pela qual você não sentiu isso [amor] é porque isso não existe. O que você chama amor foi inventado por caras como eu para vender meias de nylon.”

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  1. Antônio Galdiano permalink
    dezembro 6, 2012 9:59 am

    Eu tenho uma crítica a este parágrafo:
    “Em verdade, a propaganda consegue até transformar em mercadoria sentimentos humanos. Mais uma vez Draper desvenda como a propaganda influencia a maneira que as pessoas se sentem:”

    O ponto que defendo é que não é a propaganda procede qualquer transformação, quem realiza as alterações são cada uma das pessoas. Da mesma forma, se você ler um livro do romantismo cuja edição foi a 200 anos e passar a ter propensões suicidas, foi você que se deixou abalar pelo que foi escrito (além de ser um babaca completo) ; ou então, se alguém diz que a cor da sua casa é feia, é você que se deixa abalar pela informação ou não. A transformação é sua responsabilidade pois seus pensamentos são inacessíveis às demais pessoas. Da mesma forma que você não possui sua reputação, pois sua reputação nada mais é que o pensamento que outras pessoas tem de você e você não pode possuir o pensamento de outras pessoas.

    Infelizmente isso precisa ser dito e repetido pois as coisas estão tomando um caminho cada vez menos livre. A defesa de um estado babá prospera e os efeitos são negativos porém de intensidade imprevisível. Leis anti-bulling, de “defesa da honra”, anti-pré-conceito e todo esse tipo de coerção e de engenharia social atenta contra o direito de expressão, contra a liberdade. E, devido ao senso de proporção, abre precedente para intervenções estatais ainda mais imorais: afinal de contas, se você não pode sequer proferir o que pensa (pois pode prejudicar os outros), porque você teria o direito de escolher ter ou não filhos (potencialmente muito mais agressivo do que meia dúzia de palavras)? Ou, porque você teria o direito de dirigir (infinitamente mais perigoso e letal que palavras)? Ou, porquê você deveria ser livre para ingerir o que quiser (novamente, muito mais perigoso que enunciações)? Não há lógica que delimite até onde deve ir a intervenção estatal (assim como não há lógica que determine a decisão pública em uma democracia). Se o critério for o da periculosidade, este pode ser aplicado ad infinitum de forma a constituirmos um estado totalitário, simplesmente pois todas ações humanas envolvem risco e potenciais lesões. Imaginar que uma entidade que só sobrevive de maneira coercitiva pode nos tratar como pessoas que precisam de curatela é o mesmo que entregar as armas para o bandido em um assalto.

    A solução estatal para essas questões privadas é o “Caminho da Servidão” a que se refere Hayek. Algumas pessoas mais sensíveis poderão estranhar o questionamento que faço da solução estatal para o problema da discriminação. Para estes, recomendo fortemente o vídeo no youtube de Walter Willians: “How Much DIscrimination can Explain?”

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