O peso morto do Natal

Eis as razões para muitos economistas não gostarem do Natal. Sabia que já tem economista chamando essa época de “orgia de destruição de valor”?

A ideia é a seguinte. Uma pessoa que gasta R$ 100 em si mesma teoricamente gasta seu dinheiro em algo que vai lhe trazer R$ 100 de satisfação. Mas quando você compra um presente para alguém que você pouco conhece existe a incerteza. Você pode não comprar o tamanho certo, ou ainda, sem conhecer o mapa de preferências da pessoa, comprar algo que ela não goste. E assim o presente que custava R$ 100 pode passar a valer menos da metade para quem o recebeu. Daí vem o peso morto. Isso significa que existe uma perda de um lado que não é compensada por um ganho de contrapartida por outro agente.

Foi com base nessa ineficiência que Joel Waldfogel, economista comportamental de Minnesota, começou a pesquisar o assunto. Ele escreveu recentemente o livro Scroogenomics: Why You Shouldnt Buy Presents for the Holidays, o termo scroogenomics pode ser traduzido como a economia do pão-duro. Seus resultados apontam que cerca de 20% dos gastos em presentes de Natal entram na categoria “desperdício”, no sentido de que em média o presente vale 20% a menos para quem o recebeu em relação a quem o comprou.

Bem, são os presentes mais inúteis que encontrei... alguém sabe de mais algum?
Bem, são os presentes mais inúteis que encontrei… Tem mais algum?

Então quais seriam as alternativas para diminuir essa ineficiência?

Joel propõe que apenas no caso de crianças e de pessoas que você tenha bastante proximidade recebam presentes normalmente. As outras situações em que você é “obrigado” a presentear mas não conhece a pessoa direito, uma alternativa seria dar vales-presente ou a quantia em espécie. Eu ainda pensei em outra possibilidade. Dizer a pessoa: “Sabe o seu presente? Doei o dinheiro que eu gastaria contigo para a caridade em seu nome. Aqui está o comprovante”. No início isso pode vir a gerar um certo estranhamento. Mas, se pensarmos bem, esta seria uma boa alternativa do ponto de vista econômico e social.

Mas, o Natal já passou, o verão só está começando e eu ganhei pantufas freudianas. O que devo fazer?

Bom, hoje é dia 26, primeiro dia útil após o Natal. Uma possibilidade é ir até a loja e trocá-lo. Aí surgem dois outros problemas: (i) nem sempre sabemos a origem do presente e (ii) alguns lojistas são instruídos para informar um valor menor para você trocar por algo mais barato. Por isso, outra saída que vem sido usada cada vez mais é revender o presente. Saiu ontem uma notícia em um jornal francês que sugere maneiras para efetuar uma boa revenda dos presentes de Natal. Aí entra também na questão de valores morais, na medida em que pode-se questionar se este caminho seria o mais ético.

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