A Expectativa de Vida aumentou, certo? Depende.

Depende. Palavrinha que todo economista está habituado a escutar desde pequeno. Saiu nos últimos dias um estudo da Universidade da Columbia que verificou com dados dos EUA que a direção da expectativa de vida depende do quanto o indivíduo estudou. Entre pessoas com alta escolaridade a expectativa de vida em média aumentou cerca de 5 anos entre os levantamentos de 1990 a 2008. Já quem largou a escola o efeito foi nítido, só que negativo (3 a 5 anos de queda).

evolucao expectativa de vida

O gráfico acima mostra a diferença, com homens em cores claras e mulheres em cores mais escuras. Maior expectativa de vida, ao que parece, realmente depende de quão privilegiado você é.

Faltou na pesquisa (pelo menos não encontrei) os motivos da educação ser um diferencial na expectativa de vida. Podemos discutir sobre isso nos comentários. Muito provavelmente outras variáveis relevantes correlacionadas com educação estão em jogo, resta saber quais.

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8 Responses to A Expectativa de Vida aumentou, certo? Depende.

  1. PH says:

    outras variáveis que influem na expectativa de vida… que tal a genética?

  2. Leo Monasterio says:

    Adriano,
    A interpretação do resultado é meio complicada. O problema é que os “dropouts” não os mesmos ao longo do tempo. Veja os ótimos comentários no post do Mother Jones:
    http://www.motherjones.com/kevin-drum/2013/01/not-everyone-living-longer

    Abraços,
    Leo.

    • adutroid says:

      Leo, vc tem razão. O link eu já conhecia mas não tinha notado essa diferença na medição dos “dropouts”. Lendo os comentários desse texto encontrei esse que ajuda a esclarecer:

      “These figures might be interesting if “high school dropouts” were a stable demographic group. But, given the increase in high school graduation rates which Kevin wrote about a few days ago (a trend that has been going on since WWII), “high school dropouts” is a much different group now than it was 20 years ago. “High school dropouts” who were 70 years old in 1990 would have been born in 1920, and likely dropped out during the depression to help support their families. I expect this group included a lot of ambitious, intelligent people who couldn’t afford to wait to start earning a living. “High schoool dropouts” who were 70 in 2008 would have been born in 1938, and would have dropped out in the 1950s. There was a lot less financial stress then, and I’d expect that “high school dropouts” included mostly people without the ability or ambition to complete high school. Give it another 20 years, and 70-year-old “high school dropouts” would be people without even the self-discipline to follow social promotion and stay in the classroom for 12 years.

      These figures show more about what it means to be a high school dropout than what society has to offer the lower end of the income distribution.”

      Valeu por escrever!

  3. Claudia says:

    Ainda assim acho que a tese da maior escolaridade impactar na expectativa de vida faz algum sentido. Sei lá, quanto mais se estuda mais se sabe por exemplo como conservar alimentos, mais se sabe o que comer etc.

    • adutroid says:

      É, taí uma motivação para novas pesquisas. Pensei no seguinte: educação está correlacionada com renda, que por sua vez está correlacionada com a obtenção de melhores planos de saúde que acaba refletindo na expectativa de vida.

      Ou ainda: em outro post mencionei um estudo (link: http://prosaeconomica.com/2011/06/21/quantas-calorias-1-dolar-compra/ ) que encontrou que os alimentos menos saudáveis estão ficando cada vez mais baratos e o oposto tem acontecido com os alimentos saudáveis. Não é à toa que a obesidade tem aumentado principalmente entre as famílias mais pobres (e portanto com menos instrução). Este poderia ser outro caminho para ter uma menor expectativa de vida.

      Evidente que o assunto está longe de ser esgotado.

  4. Antônio Galdiano says:

    É simplesmente impossível determinar todos os determinantes não correlacionados entre si envolvidos nessa correlação entre escolaridade e média de expectativa de vida.
    Alguns itens (inclusive correlacionados entre si) são:
    Acesso a medicamentos/tratamentos mais caros.
    Acesso à melhor alimentação.
    Acesso a previdência melhor remunerada.
    Sujeição a menos problemas de ordem financeira que refletem no estado de espírito.
    Nº de filhos adultos com dependência econômica dos pais.
    Nível de Atividade Mental que previna ou não doenças como Alzheimer.
    ETC

  5. Isadora Ferreira says:

    “É, taí uma motivação para novas pesquisas. Pensei no seguinte: educação está correlacionada com renda, que por sua vez está correlacionada com a obtenção de melhores planos de saúde que acaba refletindo na expectativa de vida.”
    Não somente isso, mas se considerarmos que o nível da escolaridade irá influenciar a profissão obtida pelo dropout, pessoas com uma menor escolaridade conseguirão, em grande parte, trabalhos insalubres, que deterioram a saúde e consequentemente reduzem a expectativa de vida.

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