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Ei, colegas economistas, ajudem aqui…

fevereiro 14, 2013

Não tem jeito. Esses dias passei por Ribeirão e tive que checar como andam as coisas na sorveteria do Jô. O leitor mais antigo deve se lembrar que ano passado em outra prosa questionamos a estrutura de preços da sorveteria. Para quem não viu, ou não se lembra, a tabela de preços da sorveteria é meio estranha. Vamos aos preços atuais (a foto está péssima, sorry, clicando nela fica mais nítido):

sorveteria

Veja por exemplo os preços dos copos transparentes:

300 ml – R$ 3,00
400 ml – R$ 5,50
500 ml – R$ 7,00

O leitor esperto deve ter reparado que, levando em conta os preços e as diferenças no tamanho dos recipientes, compensa pedir, por exemplo, 2 copos de 300ml do que um 1 copo de 500 ml. Isso vale não só para os copos mas também para a casquinha, o cascão, e milk shake.

Ou seja, consumidores que quiserem comprar em maiores quantidades não receberão um desconto, ao contrário, receberão uma penalização pagando muito mais porque…

… porque a sorveteria maximiza estoque e não lucro… porque há deseconomias de escala… porque a sorveteria não quer ver ninguém comendo demais… porque na hora de comprar os consumidores não comparam preços… porque a calculadora do Jô pifou (again!)… porque time que está ganhando não se mexe… A verdade é que a dúvida continua.

19 Comentários leave one →
  1. Anderson Mattozinhos permalink
    fevereiro 14, 2013 4:32 pm

    Com certeza levando em consideração a confusão da tabela de preços exposta no balcão a resposta é que na hora de comprar os consumidores não comparam os preços. O Jô a meu ver criou uma tabela tão complexa que nem mesmo ele tem como conferir se os preços estão de acordo com seus custos ou não.
    Problema interessante me ocorreu outro dia quando ao ir à lanchonete Mcdonnalds me deparei com a seguinte promoção:
    – Casquinha = R$ 2,00
    – Cascão = R$1,50
    Todos tenderão a dizer que o cascão é mais vantagem, mas… Se vc frequenta a sorveteria do Mcdonnals vai saber que o sorvete casquinha é preenchido de sorvete e ultrapassa a casquinha formando uma “torre”acima dela de puro sorvete.
    Já com o cascão não ocorre o mesmo. As atendentes colocam sorvete até aproximadamente um dedo antes do fim, do cascão e não o ultrapassam formando a “torre” de sorvete.
    ainda não parei para fazer as contas, mas tenho certeza de que vem mais sorvete na casquinha que no cascão! Alguém anima fazer o experimento?

    • fevereiro 14, 2013 10:02 pm

      O caso do MC até dá para entender pois são bens distintos (a calda de chocolate é um diferencial).

      Fico pensando… nós aqui formulando hipóteses sobre as teorias do consumidor e da firma sobre a formação de preços enquanto os pequenos empresários, muitas vezes, escolhem o preço sem nenhuma reflexão prévia.

  2. Drunkeynesian permalink
    fevereiro 14, 2013 4:38 pm

    Uma explicação possível é que o preço da embalagem maior é desproporcionalmente mais caro… mas a navalha de Occam me leva a crer que o Jô nunca parou pra pensar nisso e colocou preços semi-aleatórios.

    • fevereiro 14, 2013 9:04 pm

      Sei lá, pode até ser que o custo marginal do copão seja um pouco maior, mas nem tanto né? E mais, a pessoa que quiser comprar 2 copinhos de 300 ml, ao invés de 1 copão de 500 ml, vai usar 2 copos (o que significa mais lixo e mais uso de matéria-prima).

      A tese dos preços semi-aleatórios é plausível!🙂

  3. Mansueto permalink
    fevereiro 14, 2013 4:54 pm

    É uma situação muito esquisita, mas se tivesse que apostar eu chutaria que a confusão da tabela permanece porque os consumidores não fazem as contas.

    Se todos os consumidores pedissem dois copos de 300 ml (que pode inclusive ser dois sabores diferentes) ao invés do copo de 500 ml (de um sabor), o Jô mais cedo ou mais tarde notaria que há algo errado e mudaria o sistema de preços. Como ele não fez isso, acredito que os consumidores não estão fazendo a conta correta.

    Para saber de fato o que está acontecendo precisaríamos de mais dados ou passar uma tarde na sorveteria tomando vários sorvetes de 300 ml e observando o comportamento dos consumidores e do Jô. É claro que a embalagem de 500 ml poderi a ser mais cara como falou o Drunkeynesian. Mas talvez seja algo mais simples.

    • Leo Monasterio permalink
      fevereiro 14, 2013 5:22 pm

      Meu pitaco: pode ser que o Jô esteja explorando o anchoring effect. Três consumidores: O burro, o “ixperto” e esperto.
      – O burro não faz a conta e leva o copo de 5oo ml;
      – O “ixperto” faz a conta, mas cai no conto de “anchoring”. Ele compara o preço por 100ml do pote de 500 ml e o de 300ml. Agora o 300 ml ficou um ótimo negócio e se acha muito malandro por comprar 2 sorvetes de 300 ml.
      – E o esperto? Ele pensa: “Ay caramba, que pricing scheme esquisito. Vou bloggar” e se esquece de tomar o sorvete.

    • fevereiro 14, 2013 9:31 pm

      rsrs foi exatamente o que fiz, Leo! A frase “Vou blogar” foi instantânea, tirar a foto era fundamental.

      Mansueto, pelo que pude perceber nas vezes que fui à sorveteria as pessoas normalmente pedem o copo menor (e apenas uma vez) já que consideram o preço do “copão” fora de base. A impressão que tive é que de certa forma o Jô está lucrando menos do que poderia daqueles consumidores que estão dispostos a comer mais. Interessante é que a sorveteria é uma das mais tradicionais da cidade… o que me leva a crer que as vendas de copinhos dá um lucro razoável, embora inferior ao potencial.

  4. claudio permalink
    fevereiro 14, 2013 6:48 pm

    Só agora vi a troca furiosa de citações no Twitter!

    Resumindo, no caso da sorveteria seriam 300 ml (R$ 3.00), 400 ml (R$ 5.5) e 500 ml (R$ 7.00). Então, o “copinho” (“casquinha”) pequeno(a) nos diz que o preço médio do mililitro (ml) é R$ 3/ml /300 ml (R$ 0.01 por ml). Se você compra o tamanho médio, paga R$ 2.50 adicionais e leva 400 ml, 100 ml a mais do que o pequeno. Portanto, o mililitro marginal (após vender o tamanho pequeno) deve custar (5.5 – 3) / (400 – 300) = R$ 0.025. O custo marginal de vender o tamanho médio deve ser, então, menor que R$ 0.025 (ou não valeria a pena vender o tamanho médio). Podemos fazer a mesma conta para o custo marginal do ml do grande (após vender o médio) que seria: (7 – 5.5)/100 = R$ 0.015.

    A idéia do esquema de discriminação, então, é que ao comprar o tamanho grande, por exemplo, o sujeito já pagou os R$ 3.00 para os primeiros 300 ml. A questão toda não deveria estar focada, assim, no custo marginal e na discriminação envolvida? O que acham?

    • fevereiro 14, 2013 9:39 pm

      Shikida, entendi seu raciocínio mas 2 pontos ainda me inquietam: Primeiro, há possibilidade clara de arbitragem (no caso dos copinhos brancos a diferença de preços é ainda maior: R$1.50, R$ 3.00 e R$ 6.50 e repare que o tamanho é quase o mesmo). Não consigo ver sentido em uma firma fazer isso.

      Segundo, imagino que a produção de sorvete envolve economias de escala (e portanto os custos médios de produzir sorvete decrescem com o aumento da produção) então acho que não faz muito sentido cobrar mais R$ por ml à medida que aumenta o recipiente. Estranho, muito estranho….

  5. Carlos Cinelli permalink
    fevereiro 14, 2013 7:14 pm

    Duas teorias.

    ***

    A complexa.

    Tem uma questão teórica possível (mas não provável). Você está supondo que o custo de descarte seja zero. Isto é, que ao comprar dois potes de 300ml, uma pessoa que deseje tomar apenas 500ml não tenha nenhum custo em jogar fora os 100ml restantes.

    Mas, nesse mundo cada vez mais politicamente correto, é bem possível que muita gente sofra uma enorme desutilidade (peso na consciência) ao jogar comida fora.

    Então pessoas que queiram tomar apenas 500ml – e cujo remorso de descartar 100ml seja maior do que R$1,00 – preferirão comprar o pote de 600ml ao invés de dois potes de 500ml. E o Jô é experto e explora a consciência desse pessoal. Aqueles que não se importam em desperdiçar comida compram dois copos de 300ml.

    Discriminação de preços nível master.

    ****

    Ou a simples.

    Talvez o Jô simplesmente derive alguma utilidade em observar a burrice alheia.

    • Carlos Cinelli permalink
      fevereiro 14, 2013 7:41 pm

      Vi um erro de digitação nos mls dos copos acima. Deve ter dado para entender. De qualquer forma segue a correção:

      **pessoas que queiram tomar apenas 500ml – e cujo remorso de descartar 100ml seja maior do que R$1,00 – preferirão comprar o pote de **500ml ao invés de dois potes de **300ml e descartar 100ml.

    • fevereiro 14, 2013 9:06 pm

      A tese “complexa” da desutilidade do desperdício acho pouco provável, afinal são só 100 ml adicionais. quem não gosta de bônus?

  6. Orlando permalink
    fevereiro 14, 2013 9:18 pm

    A hipótese mais realista:…esta tal de microeconomia tradicional não serve pra muita coisa pra explicar a nossa complexa realidade dos micros mercados e suas lógicas nas formações de preço…

  7. Drunkeynesian permalink
    fevereiro 15, 2013 8:55 am

    Manda isso pro Tyler Cowen, se ele estiver inspirado, escreve um post de 500 palavras a respeito…

  8. Cristiano M. Costa permalink
    fevereiro 15, 2013 12:18 pm

    Olha, eu acho que é discriminação de preço. Não tem a ver com custo do copo, porque se compra aos milhares.
    Acho que os consumidores fazem a conta correta.
    Você paga menos se comprar 2 de 300 ml, mas em compensação você tem que segurar dois copos. Ou seja, as pessoas preferem pagar 1 real vs. “segurar o segundo copo” e comer 100 ml a mais. Até porque esses 100 ml a mais depois de meio litro de sorvete deve ter uma utilidade marginal bem baixa.
    Mas, é muito curioso.
    Abs
    Cristiano

  9. sabino permalink
    fevereiro 15, 2013 3:42 pm

    nao vejo tantos problemas na tabela: discriminação por blocos de consumo, consumidores de sorvete, são glutões, ou gostam de refresco para o calor, ou estão apenas acompanhando a namorada, há também os que não gostam tanto assim de sorvetes. Os primeiros consomem 500 ml, os demais optam por algo mais próximo das outras opções. Ninguém, suspeito, que consome uma grande quantidade de sorvete, vai fatia-la em nome de uns trocados e dividi-la em duas embalagens. Contudo, reconheço que aqui estou usando a evidência que disponho, muito pequena, mas forte, creio: a sorveteria existe há muito tempo e é bem frequentada, preferências reveladas também ajudam a entender, mas ai teria que ser chato, mais ainda. Bela discussão, um abraço, s.

    • Leo Monasteio permalink
      fevereiro 16, 2013 8:04 am

      Cristiano e Sabino,
      O estranho é que seria uma sorveteria que discrimina contra quem consome grandes porções. O normal é o contrário.
      Fonte: Monasterio, L. “Memórias de um glacióvoro compulsivo”. Manuscrito não publicado (nem escrito). s.d.

  10. Wilian permalink
    fevereiro 16, 2013 2:11 pm

    Muitas das teorias anteriores são plausíveis, mas acredito que a explicação seja mais simples. A demanda.
    Acredito que a demanda por Milk Shakes de 500 mls seja muito maior que a de 300 e 400 mls. Então o Jô aumentou o preço pra verificar o que aconteceria com a demanda e percebeu que desse jeito o negócio ficou ainda mais lucrativo.

  11. Antônio Galdiano permalink
    fevereiro 18, 2013 9:00 am

    As hipóteses que consigo pensar são:

    1) Os funcionários determinam o preço e não tem a menor idéia de como gerenciar o sistema de preços a seu favor. Viva a educação pública e o analfabetismo funcional. Vai curintia!
    2) Os funcionários – e não o proprietário – que determinam o sistema de preços e eles recebem não por faturamento ou um valor fixo por mês, mas por atendimento feito.
    3) Os funcionários prejudicam o patrão, voluntária ou involuntáriamente. Imbecilmente eles também se prejudicam tanto no curto prazo quanto no longo prazo. No longo prazo pelo prejuízo à firma e a possibilidade de surgir um concorrente melhor. No curto prazo também pois mesmo que o objetivo deles sejam prejudicar o proprietário, eles têm que trabalhar mais (mais atendimento, mais operações e portanto mais possibilidades de erros, mais estresse, mais filas…).
    4) O funcionário que determina os preços ou está de saida da firma ou pretende abrir uma firma concorrente e decide agir anti-eticamente.

    É… o produto é bom, mas a gerência…

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