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Usando Teoria dos Jogos para burlar as Notas

fevereiro 15, 2013

É muito comum ver disciplinas que são avaliadas de acordo com um esquema de padronização de notas, no qual o seu resultado depende não só do seu desempenho mas também do desempenho do restante da turma. Por exemplo, se a prova vale 100 pontos, e a maior pontuação é de 82 pontos, essa pessoa recebe um “A” e todo o resto recebe uma porcentagem em relação ao primeiro. O problema é, por exemplo, quando a turma toda vai mal na prova, exceto um aluno. Nos EUA este esquema é chamado “grading curve” (veja a figura abaixo) e é famoso por instigar a competição entre os alunos.

grade curve

Nesta semana aconteceu algo curioso. Os alunos da Universidade Johns Hopkins resolveram boicotar o sistema. Os pupilos combinaram via Facebook de ficar no corredor e não fazerem a prova. Se todos concordassem com o acordo, um zero seria então a maior pontuação obtida na prova, o que faria com que cada aluno recebesse um A.

O Professor da turma narra o desfecho dessa história. Via Inside Higher Ed:

The students refused to come into the room and take the exam, so we sat there for a while: me on the inside, they on the outside,” [Peter Fröhlich, the professor,] said. “After about 20-30 minutes I would give up…. Then we all left.” The students waited outside the rooms to make sure that others honored the boycott, and were poised to go in if someone had. No one did, though.

E assim toda a turma teve êxito (na nota, apenas, é claro). O professor ainda parabenizou a cooperação de seus estudantes, afinal se 1 aluno não cooperasse todo o esquema estaria comprometido.

Evidentemente que há Teoria dos Jogos nisso tudo. Em um post do NY Times escrito ontem, a Catherine Rampell nos lembra que há pelos 2 equilíbrios de Nash. Equilibrio #1 é aquele que ninguém faz o teste, e equilíbrio #2 é o que todo mundo faz o teste. Tudo depende de como os alunos acreditam que seus colegas vão agir, embora acho que os professores nunca esperariam que o primeiro equilíbrio viesse a ocorrer…

3 Comentários leave one →
  1. Emazoel Silva permalink
    fevereiro 15, 2013 7:31 pm

    Isso não é tão raro… Lembro que uma vez um professor, da minha graduação de Economia, passou umas listas de exercício de Microeconomia 2 e a nota seguiria esse esquema (se todos respondessem apenas uma questão tiraríamos 10, mas se alguém respondesse mais questões receberia uma nota maior e os demais, que responderam apenas uma, ficariam com notas baixas); No nosso caso não houve consenso entre os alunos de quantas questões deveriam ser respondidas… :p TEORIA DOS JOGOS!

  2. fevereiro 16, 2013 10:31 am

    Comentário do Ronaldo Fiani (via Facebook) que achei bastante apropriado também: “Foi fundamental para o esquema funcionar o fato de os alunos poderem ver e vigiar uns aos outros. Caso isso não fosse possível, seria um caso de Dilema dos Prisioneiros, e provavelmente a grande maioria (senão todos) faria o exame.”

  3. fevereiro 16, 2013 11:31 am

    WoW estudei Teoria dos Jogos pelo livro do Fiani!! Adriano, tem tbm um comentario muito bom do Sabino Porto (UFRGS):

    abraço!

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