Uma Defesa dos Teóricos do Desenvolvimento

Caminhando aleatoriamente pelo twitter descobri, via @msantoro1978, um interessante post sobre desenvolvimento econômico, mais especificamente uma crítica à maneira como os economistas trabalham com o tema, e argumentando sobre a necessidade de outros cientistas sociais se debruçarem sobre a temática. O artigo foi escrito por Seth Kaplan, professor da John Hopkins University. Alguns pontos, me parece, devem ser destacados.

Primeiro, eu acho a defesa de uma maior interdisciplinaridade, e por consequência, a maior participação de cientistas políticas, sociólogos, antropólogos e historiadores extremamente salutar. A troca de diferentes tipos de conhecimento sempre pode agregar, e portanto, contribuir para melhor entendermos um fenômeno de tamanha complexidade. Assim, me parece consenso a defesa de uma maior interação entre as ciências sociais.

No entanto, a minha concordância com o autor para por aí. Kaplan inicia seu texto dessa maneira:

Economists dominate the development field, but politics is more important to promoting it. This contradiction explains why the policies often recommended by international institutions (such as the World Bank) do not sufficiently take into account the local political, social, and institutional context.”

Será mesmo que os economistas não levam em consideração esses fatores? A tradição dos economistas que trabalham com as instituições, em seu mais genérico significado, remonta o pai da economia moderna, Adam Smith. Essa tradição ganha força no final do século XIX com os velhos institucionalistas, e hoje em dia está impregnada na Nova Economia Institucional e na Economia da Escolha Pública. Portanto, os economistas trabalham sim com as questões institucionais.

Ainda segundo o autor, a matematização da economia e o uso, cada vez maior da econometria, contribuiu para que os economistas passassem a acreditar que as instituições não eram importantes:

“This separation has been exacerbated by the mathematization of the field in recent years: the more econometrics forms the centerpiece of PhD programs and economists need to publish articles based on econometric studies to get ahead, the more the field depends on a numerical understanding of events. But, many of the most important issues that affect how policies play out are not translatable into numbers. The hyper-quantification of economics has encouraged a belief—never held by men like Smith—that politics (and institutions) do not matter. It has led to answers to important questions that work perfectly well in some office in Washington or Chicago, but that do not play out well in Lagos, Karachi, and Kinshasa.”

Ora, as maiores contribuições na área de desenvolvimento econômico surgiram da aplicação de métodos econométricos sofisticados para se entender em que medida, instituições e políticas públicas promovem o crescimento econômico. A econometria não é um problema para os teóricos do desenvolvimento, mas sim uma ferramenta poderosa, vide os trabalhos de economistas como Esther Duflo e Daron Acemoglu.

Salientar a importância da participação de outros cientistas sociais no debate sobre o desenvolvimento econômico é importante. No entanto, minimizar as grandes contribuições feitas nessa área pelos economistas nos últimos séculos é desconhecer a magnitude dos trabalhos de Adam Smith, Marshall, Kuznets, Lewis, Harrod, Domar, Solow, North, Thomas, Barro, Lucas, Jones, Duflo, Acemoglu, e tantos outros.

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