Alan Blinder e as soluções para a Crise

alan blinderEsta semana Alan Blinder, professor da Universidade de Princeton e uns dos cogitados a substituir Bernanke no comando do FED, deu uma entrevista muito boa ao Valor. De certa forma a conversa girou em torno do tema do seu novo livro, lançado há poucos dias mas já com boas avaliações. Diante da política fiscal americana Blinder tem uma posição intermediária: o ajuste fiscal é necessário, não agora. Destaco esse trecho:

Valor: Se fosse novamente assessor do presidente dos EUA, que ações recomendaria a Barack Obama, agora em seu segundo mandato, para lidar com os problemas ligados ao impasse fiscal? Mais impostos e cortes nos gastos?

Blinder: O que eu gostaria de ver acontecer, mas é claro que seria preciso convencer o Congresso, e isso será impossível, é uma estratégia em duas partes: mais estímulo no curto prazo, talvez no ano que vem ou nos próximos dois anos, e uma consolidação orçamentária significativa durante a próxima década. Essa consolidação poderia ser parecida com Simpson-Bowles [plano de reduções nos gastos apresentado pela comissão de redução do déficit da Casa Branca, presidido pelo democrata Erskine Bowles e pelo republicano Alan Simpson] ou poderia ser diferente em vários aspectos. O importante é que ela demore um ano e meio ou dois anos para acontecer, para não haver austeridade fiscal enquanto a economia está tão enfraquecida. Em vez disso, devemos estimular a economia. O Fed está convencido de que gostaria de estimular mais a economia, mas quase não tem mais armas à sua disposição. A política fiscal, por outro lado, ainda tem – o que pode ser comprovado pelo fato de que o mundo todo está disposto a emprestar dinheiro para o Tesouro dos EUA a taxas muito baixas.

Aqui tem mais (via Vanderson Rocha). Há também uma entrevista com Dylan Matthews.

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