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Bill Gates, o Economista

março 7, 2013

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Parece que após ter se aposentado das funções de presidente da empresa de informática Microsoft, Bill Gates decidiu virar um economista. Ao menos é o que indica a sua crítica ao livro “Why Nations Fail”publicada em seu site oficial, no final do mês passado. O magnata da informática considerou a teoria dos economistas Acemoglu e Robinson simplista, deixando muitos aspectos não institucionais de fora da análise. Além disso, o livro transmitiria muitos importantes conceitos sem uma definição precisa e não explicaria, em que medida, um país poderia constituir instituições mais inclusivas e, portanto, crescer mais:

“Ultimately, though, the book is a major disappointment. I found the authors’ analysis vague and simplistic. Beyond their “inclusive vs. extractive” view of political and economic institutions, they largely dismiss all other factors—history and logic notwithstanding. Important terms aren’t really defined, and they never explain how a country can move to have more “inclusive” institutions.”

O restante da crítica irá se concentrar em mostrar que alguns exemplos históricos contidos no livro foram interpretados erroneamente, em vista de uma teoria do desenvolvimento econômico. Um exemplo é o caso do declínio da civilização Maia: Para os autores do livro, tal declínio foi decorrente da falta de instituições políticas inclusivas, enquanto que para  Bill Gates foi por conta do clima e da disponibilidade de água (ou a falta dela) na região, que acabou por reduzir a produtividade da agricultura.

Após se aposentar, Bill Gates passou a dedicar-se à filantropia. Com isso, começou a se interessar, cada vez mais, por economia e por meios de criar métodos filantrópicos adequados, que permitam o desenvolvimento de regiões e comunidades. Nesse sentido, o gênio da informática acabou conhecendo as ideias da economista Esther Duflo (encontro esse, já relatado aqui no Prosa). É de conhecimento geral, que as ideias da economista francesa são bem diferentes da dupla Acemoglu e Robinson. Enquanto a primeira defende a filantropia internacional como meio de alcançar o desenvolvimento para regiões pobres, o segundo considera que o desenvolvimento só pode ser construído com boas instituições, e que essas não podem ser construídas de fora para dentro.

As críticas de Bill Gates, claramente, passam pelas diferenças de pensamento sobre o desenvolvimento das nações entre Acemoglu, Robinson e Duflo, sendo a filantropia internacional o ponto mais sensível. Não é de surpreender que a crítica feita tenha sido tão dura, na medida em que, uma interpretação pertinente do livro é que o senhor Bill Gates estaria desperdiçando a sua fortuna com projetos, talvez, não tão eficazes.

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Prosa 1: Já foi comentado por aqui algumas ideias básicas do livro Why Nations Fail.

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