A Escravidão em Números

infografico escravidao
Clique para ver o infográfico.

Saiu ontem uma matéria no NY Times com novos resultados da SumAll Foundation sobre o trabalho escravo. Apesar de ilegal, ainda existem 27 milhões de escravos espalhados pelo mundo, mais do que em 1860 quando havia 25 milhões, comenta a publicação. Confesso que vi com certo ceticismo esse aumento, talvez quem trabalha com séries históricas possa nos dizer se esse número de 1860 é confiável – e se de fato há dados disponíveis. O ponto é que, mesmo que esse número seja subestimado, os novos achados reforçam a alta prevalência da escravidão ainda nos dias de hoje.

Para alertar a seriedade do problema a SumAll fez esse provocante anúncio ao lado. Frases do tipo: Need that extra pair of hands to get you through the winter months? Slave work that’s fashionable for every season. Sem dúvida, exagerou no tom, mas a Fundação disse querer de fato provocar, lembrando que pessoas continuam sendo comercializadas como mercadorias e que alguns dos produtos que usamos todos os dias estão vinculados ao trabalho escravo.

Outros números dos custos, preços e da incidência constam no infográfico. A estatística sobre o lucro por escravo no Brasil, por exemplo, foi mencionada na parte inferior – cerca de US$ 8,700 – junto com os valores de outros países. Para finalizar:

“The big shocker for us was the implicit value of human life compared with different commodities,” said Dane Atkinson, chief executive of SumAll. “Life is cheaper than some bottles of wine.”

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One Response to A Escravidão em Números

  1. Antônio Galdiano says:

    Escravidão é uma agressão ao direito de propriedade mais essencial de todos: a propriedade da própria vida. É triste notar isso ainda hoje!

    Outra coisa que me chamou atenção no texto foi a frase “Life is cheaper than some bottles of wine.” Esta merece alguma reflexão, principalmente no que diz respeito a ideia de valor subjetivo.
    Qual o valor da vida? Eu valorizo igualmente todas as vidas? Será que o empenho queria em salvar a vida alheia é o mesmo de salvar minah própria vida ou de algum familiar? Será que eu deixaria de fazer um curso de inglês (um supérfluo enorme para quem está prestes a morrer de inanição, por exemplo) ou deixar de incorrer em outros gastos dessa natureza para salvar um faminto? Será que a vida possui valor infinito? Dado que, estatisticamente, dirigir em altas velocidades causam mais acidentes do que dirigir em baixas velocidades, será que eu não valorizo tanto minha vida quanto uma pessoa que decide andar a 20Km/h em uma avenida enquanto eu ando a 60Km/h nas mesmas circunstâncias? Será que ao escolher permanecer com meu gasto em cursos de inglês ou outras coisas do gênero eu não estou valorizando a vida dos famintos menos que uma cara garrafa de vinho? Eu sou responsável pela vida alheia quen não gerei? Existem respostas objetivas a essas questões, ou todas elas são sujeitas a valoração subjetiva?

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