Bill Gates, o Calouro de Economia

Há pouco tempo escrevi no Prosa sobre a crítica que o Bill Gates fez ao livro Why Nations Fail. Pois bem, os economistas Daron Acemoglu e James Robinson a leram e rebateram todos os argumentos do bilionário da informática em um artigo recente na revista Foreign PolicyO que mais chamou atenção foi o tom agressivo da réplica, por exemplo, aqui:

“Gates’s review is disappointing, but not just because he disagrees with us. As academics, we expect that. Research is all about arguing and contradicting, finding new pieces of evidence, developing new concepts and perspectives, and getting closer to the truth. Alas, Gates fails in this endeavor. His inability to understand even the most rudimentary parts of our thesis means that his review fails to invite constructive argument. Nonetheless, we feel compelled to respond because of the undue attention the review has generated.”

Ou então, aqui:

“Gates also says at one point that our book “refers to me in a positive light.” Sorry, we do no such thing. We point out that Gates, just like Mexican telecom mogul Carlos Slim, would have loved to form a monopoly. He tried and failed. What our book shows in a positive light are the U.S. institutions, such the Department of Justice, that stopped Gates and Microsoft from cornering the market. We say, “sadly there are few heroes in this book.” Bill Gates was not one of them.”

Brigas à parte, claramente esse é um debate injusto. Bill Gates, em sua crítica, demonstrou pouco conhecimento da literatura sobre desenvolvimento econômico, foi uma crítica de leigo que, no entanto, chamou muita atenção da mídia. No entanto, se há um ponto positivo em tudo isso é que o interesse do público geral nas questões do desenvolvimento aumentou. Como mesmo diz Acemoglu e Robinson, a questão do porquê algumas nações são mais desenvolvidas do que as outras é, provavelmente, a pergunta mais interessante das Ciências Sociais. Sendo assim, o debate público se faz fundamental.

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One Response to Bill Gates, o Calouro de Economia

  1. Rafael says:

    A visão “prática” de Gates e pela sua vivência nos últimos anos, viajando para vários países, entrando em contato com varias pessoas, não pode ser deixada de lado. Os caras ficaram mordidos e responderam…

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