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Rapidinhas

abril 5, 2013
  1. Por que a China pode desacelerar.
  2. Alex e a Inflação: Manipulação inadmissível.
  3. Vídeo: Adolfo e as consequências econômicas da PEC das Empregadas Domésticas.
  4. M. P. Abreu e a Política Externa.
  5. Novíssimo artigo do Acemoglu e Robinson e aqui comentários do Delfim. (via Vanderson Rocha)
4 Comentários leave one →
  1. marco bittencourt permalink
    abril 7, 2013 4:50 pm

    Achei interessante a dica do artigo do Acemoglu e Robinson e espero que vocês façam uma análise do mesmo. Vi, com tristeza, que ambos os Autores não entendem nada sobre o Brasil. A minha expectativa é que vocês, com um blog muito do bacana, promovam a discussão sobre o paper sugerido.

    • abril 7, 2013 6:44 pm

      Marco, valeu por escrever. Ainda não fiz uma leitura cuidadosa do artigo, só vi que o Delfim e o Nassif fizeram elogios ao texto. Se vc puder nos adiantar o “ponto crítico” que ele fala do Brasil, vai nos ajudar…
      abraço!

  2. marco bittencourt permalink
    abril 9, 2013 4:44 pm

    A pedido da turma da Prosa, vou fazer um breve comentário sobre o Artigo do Acemoglu. De inicio, digo logo que, concordando no essencial, não tenho muita simpatia pelo texto e essa postura talvez reflita minha leitura viesada. Com o tempo, talvez possa fazer melhor. Conforme se depreende facilmente da leitura aleatória dos meus posts no http://www.chutandoalata.blogspot.com ,claro que encampo a ideia de que a política ou os interesses devem comandar a análise econômica. O meu entendimento do Brasil ancora-se amplamente na visão de Douglas North sobre o nosso país que mostra claramente que o nosso problema não é econômico, mas sim político. Vejamos o resumo abaixo:

    “… há no Brasil uma aliança muito próxima entre interesses políticos e econômicos. Um grupo de privilegiados alimenta o outro, e vice-versa. O resultado é uma barreira para a competição e para mudanças institucionais inovadoras e criativas…. é isso que impede o Brasil de se tornar um país de alta renda. Trata-se de uma questão de teoria política, não econômica. Sempre que um determinado grupo controla o sistema político, ele o usa para seu próprio benefício, em detrimento dos interesses da população como um todo. O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas que foi tomado de assalto por grupos de interesse que souberam se aproveitar do estado para seus próprios benefícios. E ainda se aproveitam. Esses grupos se protegem da competição, numa ação que tende a fechar a economia e barrar a eficiência.”

    Douglass North disse isso em entrevista à revista Veja, em 16 de agosto de 2006 (seção de economia: Por que o Brasil não cresce como a China e a Índia?) http://www.chutandoalata.blogspot.com.br/#!http://chutandoalata.blogspot.com/2012/03/o-assalto-de-grupos-de-interesses.html

    Assim, entendo, decifrando em detalhes a hipótese de North, o que se passa no nosso país tomando como correta tal hipótese. Nessa busca, identifico, destrinchando o que se chama de elite, objetivamente, os algozes para o povo brasileiro: os grupos privilegiados, encastelados em seus sindicatos patronais: FEBRABAN, FIESP, RURALISTAS e EMPREITEIROS. Eles dominam o grupo político que plenamente ajustam o orçamento publico e as leis aos seus interesses.

    Importa , fundamentalmente, remontar essa estória política, para que se tenha o entendimento pleno do funcionamento do jogo político , comandado por aqueles grupos patronais. O Acemoglu não tem o menor conhecimento sobre a estória política brasileira – é de fato, uma incógnita para muitos e por isso, por livre e espontânea vontade, produzi algumas entrevistas com alguns remanescentes vivos do chamado grupo Autêntico do MDB na expectativa que ajude a construir nossa historiografia recente em bases legítimas. Posteriormente irei colocá-los na Internet e já posso mandar copia dessas entrevistas para aqueles interessados nas mesmas. Para que se perceba quão distante da realidade brasileira estão alguns professores renomados dos EUA, recomendo a leitura do meu post : Daron Acemoglu, terá ele saído de um iglu? http://www.chutandoalata.blogspot.com.br/#!http://chutandoalata.blogspot.com/2012/09/daron-acemoglu-tera-saido-de-um-iglu.html. O resumo da ópera Acemoglu é que ele não consegue dimensionar para o caso brasileiro a desproporção brutal da força política entre os agentes econômicos.

    Adiantando o resumo de minha visão sobre o assunto, ressalto que é necessário entender a dimensão do poder dos jogadores. Diria que o poder daqueles sindicatos patronais é simplesmente descomunal. Ele não começa hoje. Ele sempre esteve presente em nossa estória, apesar do esforço de alguns personagens para colocar o povo no pedaço da cidadania. Elegeria como fundamentais na trilha da boa cidadania os Imperadores portugueses (Pedro I e Pedro II) e a turma do Getúlio Vargas. Para o entendimento da situação política presente, é necessário registrar que a desconexão do populacho com o poder politico se inicia logo após a morte de Getúlio, com JK. A ditadura militar que se seguiu ao governo JK, deixando o período Jango fora do quadro – tentativa de se reviver o modelo getulista e por isso crise desde o inicio até o fim de sua gestão – não é muito fácil de ser analisada, porque intentou um voo solo, com seu modelo estatizante. O que, certamente, desviou o foco sobre o aprofundamento dos privilégios aos grupos econômicos mais ágeis no envolvimento com o poder politico. Mas o papel fundamental da ditadura foi o de aniquilar o nosso ordenamento jurídico, deixando espaço para todo tipo de arbitrariedade no campo econômico. Tivemos, com os militares golpistas de 64, de fato, uma ditadura econômica e politica; totalmente diferente do período ditatorial de Getúlio Vargas que foi apenas uma ditadura política. Todo tipo de anacronismo econômico e politico vivenciamos com a ditadura militar, deixando-nos muito mais próximos de um mercantilismo infantil do que uma economia centralizada. Havia proteção às industrias locais, projeto iniciado com JK e implementado com mais rigor pela ditadura militar. Tivemos todos os tipos de controle de preço. Tivemos , na contramão da oportunidade, o investimento estatal na petroquímica, com subsidio absurdo ao nafta que pôs fora do eixo orçamentário a Petrobrás. O tal de Simonsen ficou famoso em Brasília por fazer contas estrambólicas em sua calculadora, fatiando o mercado de energia, tentando colocar no peito e na raça a nafta subsidiada no nosso processo produtivo. O resultado, o endividamento absurdo da Petrobrás. Nunca mais conseguimos nos livrar desse cartel estatal, ANP, montado para atender aos grupos econômicos que gerem o setor de energia. Tivemos politica salarial – obviamente só poderia resultar em arrocho salarial. Tivemos a intensificação do processo de substituição de importação, totalmente descompromissado com os interesses industriais locais e legítimos (Ver post sobre este tema: Celso Furtado e Conceição Tavares estão vivos e muito vivos –http://www.chutandoalata.blogspot.com.br/#!http://chutandoalata.blogspot.com/2013/04/celso-furtado-e-conceicao-tavares-estao.html )- e, para piorar, tivemos cambio fixo, facilitando a gestão macroeconômica de desvios de recursos do mercado interno para o externo. Finalmente, tivemos o inicio do endividamento interno acoplado ao externo, coisa inimaginável, na magnitude efetivada pela ditadura e pela turma que a sucedeu: explosiva. O endividamento externo ,imaginado por Simonsen como solução à crise do petróleo, atendeu, de fato, plenamente o objetivo da turma que guindou Geisel ao poder: a turma da petroquímica que pode contar com favores generosos do Estado para implementação de seu parque industrial da Petroquímica. O resultado de toda essa loucura macroeconômica foi a falência do modelo, decretado por Geisel já em 1975. Com a falência do modelo, estava na hora da milicada tirar o time; já estavam atrapalhando bastante e uma boa acumulação primitiva poderia ser posta em marcha com a falência das estatais. Restrições de toda natureza estavam sendo inventadas pela turma, com a colaboração prestimosa do FMI, a já sinalizarem privatizações e outras farras com os recursos públicos.

    A transição democrática foi comandada por políticos que sempre foram coniventes com a ditadura militar, que, depois da certeza que eles, os milicos golpistas, estariam caindo fora pela constatação óbvia de que o modelo tinha falido, ficaram briosos e valentes. O desfecho veio com a Constituição de 1988, comandada pelo centrão e carregada de artigos ardilosos, como o colégio de lideres, medidas provisórias e tantos outros detalhes que merecem estudo apropriado – até hoje não vi uma análise interessante sobre o nosso ordenamento jurídico e sua implicação política, embora todos enxerguemos a situação caótica do judiciário (legislativo e executivo também).

    Para mostrar que essa estória recente da nossa política é enrolada, temos o Lula e o PT. Muitos jornalistas, agora, estão fazendo um trabalho interessante, desvendando fatos e construindo atalhos para historiadores, como Flavio Tavares e Lira Neto. Sobre Lula alguns já trouxeram informações valiosas. A mais pertinente é que ele foi uma criação do Paulo Egydio Martins, ex-governador de São Paulo na época da ditadura militar. Traduzindo, trabalhava em conluio com os grupos econômicos. De fato, sempre transitou com normalidade em todas as cúpulas, politica e empresarial.

    Para exemplificar os equívocos que muitos analistas comentem ao desconhecerem o que, em essência, o artigo do Acemoglu e Robinson enfatiza, cito a análise recente do economista do IPEIA, Mansueto: Qual a importância do Orçamento – http://mansueto.wordpress.com/2013/04/03/qual-a-importancia-do-orcamento/. O autor embarca em clichês não respaldados pela teoria ou por princípios elementares de um orçamento democrático. Especificamente, critica a vinculação de receitas públicas à despesas específicas. Como sabemos, o esforço de vinculação se dá exatamente, na tentativa de se evitar o desmonte total do orçamento público em favor de grupos que , pela pilhagem recorrente do orçamento por todas as frentes, principalmente pelo chamado jurosdutos, deixam vazio o cofre público para gastos em custeio. Veja o artigo do PHD por Chicago Marco ANtonio Martins : Banco Central, juros e aritmética http://www.chutandoalata.blogspot.com.br/#!http://chutandoalata.blogspot.com/2013/03/banco-central-juros-e-aritmetica.html.

    Existem outros elementos críticos no texto do Mansueto, como o de se considerar que medidas fiscais para atenuar o ciclo devam incidir sobre elementos de custeio – algo totalmente inconcebível. Se houver espaço para fazer ajuste em custeio, ele, em nome da eficiência óbiva, deve ser patrocinado em qualquer momento. Evidentemente, falar em gestão pública quando não há recursos o mínimo para executarmos serviços públicos de forma minimamente aceitável é estar fora da realidade. E imaginar que há espaço para corte em custeio, só se estiverem assumindo que existe ineficiência.

    Na falta de compreensão de quão desconfigurado está o setor público brasileiro, poucos entendem o esquema de encurralamento dos governadores estaduais, pelo uso estratégico do endividamento estadual e municipal, patrocinado pelo esquema do executivo federal. O Federalismo brasileiro é nihil. Claro está que a análise do economista do IPEIA é falha exatamente pelo não entendimento do fator político. Os avanços, para a população, se dá por caminhos que poderiam, sim, serem considerados transversos ou até equivocados sob o ponto de vista de uma política macroeconômica neutra. Mas é isso que ela não é talvez nunca seja.

    Terminaria meu resumo expressando que outros elementos fora do âmbito da politica e da economia especificamente são importantes para desvendarmos o modelo brasileiro. Falo da sociologia e da antropologia. Me assusta saber , por pesquisas não oficiais, que o povo brasileiro é feliz. Se isso for verdadeiro, significa que aspiramos poucos e assim a pilhagem poderá continuar sem problemas, pois, no final das contas, ninguém ligaria. Só não acato plenamente essa visão, mesmo sabendo que o povão reproduz em tudo a mentalidade destrutiva da elite brasileira, porque sei que o canal politico partidário está entupido. Não importa se o líder vem do PMDB, PSDB, PT, PSOL ou até mesmo do PCdoB. Todos são empregadinhos daquela turma patronal. Não é à-toa que nos debates presidenciais ninguém traz a baila os problemas verdadeiros e no final das contas todos têm a mesma cara. O triste mesmo é saber que os servidores públicos também fazem parte daquele time. Os analistas econômicos, não tenho a menor dúvida que fazem. Assim, se vocês estiverem sonhando com tal status de analistas, o meu conselho é que estudem muita matemática e esqueçam de política.

    PS: Quero manter o dialogo em alto nível e por isso, as considerações acima estão no nível das hipóteses e devem ser tratadas como tal; jamais como verdade absoluta. A sua comprovação envolve pesquisa séria e dura. As pesquisas em economia hoje, aqui no Brasil, são completamente distintas do que acima falei. Espero que alguém se empolgue em aprofundá-las. Se fizerem, tenham certo que não ficarão ricos.

    • abril 9, 2013 6:28 pm

      Puxa, meus sinceros agradecimentos pela análise e referências citadas.
      São observações como estas, que tornam a blogosfera um espaço interessante para fazer se discutir Economia.
      abraço!

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