Thomas Herndon, o estudante

Os jornais, em geral, têm noticiado o artigo que replicou o trabalho de Reinhart e Rogoff, como o “achado” de professores da Univ. de Massachusetts Amherst. Dois deles (Ash e Pollin) já foram inclusive convidados a escrever no Financial Times. Mas e o terceiro? Eis aí a peça fundamental do artigo: Thomas Herndon. Sim, tudo começou com ele:

“Quase não acreditei no que os meus olhos estavam a ver quando vi aquele erro tão básico na folha de Excel. Tem de haver uma explicação”, afirma Herndon, citado pela Reuters. “Então chamei a minha namorada para saber se só eu é que estava a ver o erro”, conta. “Creio que não Thomas”, respondeu Kyla Walters, namorada do estudante.

Perante a descoberta, Herndon comunicou o erro de Rogoff e Reinhart aos seus professores, Robert Pollin e Michael Ash, que mais tarde co-elaboraram o artigo em que questionam a teoria dos economistas de Harvard.

“No início não acreditei nele. Pensei: ok ele é um estudante, tem de estar errado. Eles são economistas proeminentes e ele é um estudante de doutoramento”, revela Pollin. O professor afirma que durante um mês, a par com Michael Asch, pressionou o estudante para rever os cálculos. “Depois de um mês disse: ‘Raios, ele está certo’”, afirma o economista.

Há outro fato interessante nessa história. Thomas Herndon, como estudante, teve de lutar muito para conseguir a base dados de R&R. Por questões de “falta de tempo” por parte de Reinhart-Rogoff (ou de vontade, ou ainda, por já suspeitar de erros), R&R não respondiam os emails desse mero “estudante”: (via Marcus Nunes)

Before he turned in his report, Herndon repeatedly e-mailed Reinhart and Rogoff to get their data set, so he could compare it to his own work. But because he was a lowly graduate student asking favors of some of the most respected economists in the world, he got no reply, until one afternoon, when he was sitting on his girlfriend’s couch.

“I checked my e-mail, and saw that I had received a reply from Carmen Reinhart,” he says. “She said she didn’t have time to look into my query, but that here was the data, and I should feel free to publish whatever results I found.”

Herndon pulled up an Excel spreadsheet containing Reinhart’s data and quickly spotted something that looked odd.

“I clicked on cell L51, and saw that they had only averaged rows 30 through 44, instead of rows 30 through 49.”

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Prosa 1: Há também um curto vídeo de ontem no qual Herndon fala à CNN.

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