Quanto mais artigos melhor?

quanto mais artigosVolta e meia a blogosfera acadêmica coloca essa pergunta em pauta; em geral, com o objetivo de questionar a produtividade a todo custo. Recentemente essa conversa voltou a tomar fôlego quando o editor da Organization Studies escreveu uma nota de despedida da revista revelando impressões não muito boas da vida acadêmica. O texto é enorme e virou até paper, aqui vai um trecho:

“The culture of ideas is therefore vanishing: due to publishing pressures, people feel more and more pushed to submit any paper because rejection is not necessarily harmful: a new dynamic is created where work is routinely submitted anyway, sometimes in a real hurry (that is to say, even when clearly unfinished, including incomplete lists of references or variety of colours in the text), overburdening journals and editors. Here individual arbitrations surely play a role: authors’ visibility can indeed be maximized by small improvements enabled by journals’ insightful reviews; at the same time, thanks to this principle of productivity, potential papers to submit by a single author are multiplied, often in a logic of replication and repetition that also leads to ‘deviant’ behaviours such as self-plagiarism.”

O texto gerou várias respostas. Entre elas, a de Brayden (do orgtheory.net) que reforça que, seja por regras da universidade ou por outras razões, a publicação excessiva muitas vezes ocorre. Ele chega inclusive a mencionar o caso de um pesquisador que teria sido prejudicado por produzir demais.

Acredito que a melhor parte dessas discussões é colocar em jogo não apenas a quantidade, mas também o impacto dos artigos publicados. É claro que o extremo oposto — i.é, a ausência de publicações entre pesquisadores contratados — é tão ou mais grave. Talvez, o lembrete que pode-se tirar disso é que prática não deixa de ser importante, afinal, ninguém começa publicando na American Economic Review. Mas volume, por si só, não se traduz em qualidade.

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