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Pesquisa no Brasil: Estamos preocupados com a qualidade ou com a quantidade?

janeiro 27, 2014

Depois de escrever o último post, fiquei me perguntando até que ponto as observações que lá foram feitas valem para o caso brasileiro. A impressão que tenho é que no Brasil o foco à quantidade é também muito recorrente. Mas, por aqui acredito que as coisas conseguem ser um pouco mais complicadas: pela baixa quantidade de artigos publicados e principalmente pelo pouco impacto.

Existe um ótimo levantamento histórico feito a partir da base de dados (aberta!) do Scimago — alimentada pelo Scopus. É de lá que vieram os dois gráficos abaixo.

numero artigos

citacoes por artigo

Para se ter uma ideia comparativa, o Brasil aparece em 13o no ranking mundial da quantidade de artigos publicados (subindo 4 posições nos últimos 10 anos) e em 156o lugar no ranking de citações por artigo (caindo 58 posições na última década).

A que se deve esses resultados? Entre o pessoal que costuma analisá-los (por exemplo, esteeste e este), a maioria tem concordado que há, entre outros fatores, fortes estímulos à publicação de muitos artigos modestos em vez de poucos de alta qualidade. Esse aqui resumiu a ópera:

“A política atual de ensino superior no Brasil pressiona para que os pesquisadores publiquem mais e para que publiquem de qualquer jeito. Cientistas brasileiros acabam desmembrando trabalhos parrudos em artigos com menos impacto, fenômeno conhecido como “salame”. Cada descoberta é fatiada e publicada separadamente. O número de trabalhos aumenta, as descobertas ficam semelhantes e o impacto diminui.”

Apesar do consenso, confesso que não sei dizer em detalhes como isso funciona (em termos de normas) dentro das faculdades. Talvez tenha algum professor que esteja nos lendo que possa explicar isso melhor. O que sei é que há faculdades que estipulam um mínimo de artigos por pesquisador. Outro fato comum é que nos grupos de pesquisa do CNPq, por exemplo este aqui, é divulgado apenas o número de artigos publicados por ano. Coisas assim indicam que o foco poderia ser outro.

4 Comentários leave one →
  1. sergei permalink
    janeiro 27, 2014 2:12 pm

    Será que os incentivos estão errados ou os brasileiros são ruins de serviço mesmo?

    • Natalia Souza permalink
      janeiro 27, 2014 4:29 pm

      Eu me graduei e fiz mestrado em universidade pública. Hoje sou professora na iniciativa privada. Dentro da pública existe esta questão de ter publicações para pleitear sim projetos de pesquisa. E os professores são pagos para dar aula e fazer pesquisa. E também tentam incentivar os alunos a escrever alguma coisa.
      Já na iniciativa privada, não existe carga-horária paga para a pesquisa, dependendo do curso. O professor é pago para dar aula. Só. Se quiser escrever, publicar, fica por sua conta. Ou seja, incentivo “zero”.

  2. Henrique permalink
    janeiro 27, 2014 3:31 pm

    Meus professores constantemente reclamam do absurdo que são esses incentivos. A publicação de um livro tem menor valor para eles do que um artigo

  3. Alexandre Marques permalink
    janeiro 27, 2014 3:33 pm

    Sobre este assunto apenas escutei professores comentando (boatos) que para possuírem financiamento de projetos necessitam de número X de publicações. Assim estes que conversei preferiam possuir vários artigos para pleitear dinheiro de órgãos de pesquisa.
    Com certeza existem pesquisadores de primeira linha em nossa universidades, conheci alguns que são de nível internacional, porém acredito (sem embasamento algum) que nossas estruturas acadêmicas e até a mentalidade de alguns profissionais não condizem com os nomes das instituições que trabalham. A meu ver é um problema gerencial de todas as esferas, desde as intrínsecas as instituições de ensino/pesquisa até de cunho político, pois não são os estudantes do sucateado ensino de hoje que serão os pesquisadores de amanhã? A qualidade pode/deve melhorar e melhorar muito, talvez possamos lutar para que nossas universidades passem de algumas dezenas ou unidades de pesquisadores de elite para centenas!

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