Armínio sobre Levy (e + evidências)

Arminio sobre LevyArmínio deu uma longa entrevista ao Estadão; o Mansueto já fez alguns comentários. Armínio parece se preocupar, com razão, com o tipo de ajuste fiscal sinalizado pelo governo.

Não é demais reforçar: subir impostos é bem diferente de cortar gastos públicos. Há uma extensa literatura em favor de ajuste via redução de gastos. Citei outro dia um trabalho de Alesina (Harvard) sobre isso, mas há outros (aqui e aqui). Num deles ele estuda 107 ajustes fiscais, ao longo de quatro décadas. Resultado: ajustes recessivos foram baseados principalmente em aumentos de impostos; já os ajustes expansionistas foram baseados principalmente em cortes de gastos e foram seguidos por reduções mais prolongadas da razão dívida/PIB.

A lógica por trás desses resultados é importante. Aumento de impostos reduz a renda disponível dos consumidores, gera incerteza regulatória, prejudica investimento, produtividade… Mas e corte de gastos? Alesina responde: se bem executado, cortar gastos públicos pode ser expansionista.

“How can spending cuts be expansionary? First, they signal that tax increases will not occur in the future, or that if they do they will be smaller. A credible plan to reduce government outlays significantly changes expectations of future tax liabilities. This, in turn, shifts people’s behavior. Consumers and especially investors are more willing to spend if they expect that spending and taxes will remain limited over a sustained period of time”.

Voltando então à conjuntura brasileira, a carga tributária cresceu 7 p.p do PIB nos últimos 15 anos, sem qualquer melhoria fiscal. Está na hora de mostrar suas mãos de tesoura, Levy.

This entry was posted in Governo, Macroeconomia, Pesquisa. Bookmark the permalink.

3 Responses to Armínio sobre Levy (e + evidências)

  1. DanX says:

    Toda vez que vejo alguém falar do Armínio lembro da oportunidade que perdemos de tê-lo na Fazenda. É uma pena.

  2. #DeixÁguaFerver says:

    o Ricardo Amorim tem uma frase sobre isso: “Falta dinheiro nos cofres públicos. O governo aperta o próprio cinto e corta gastos? Não, aperta o nosso cinto e aumenta impostos.”

    sinceramente, não to nem ligando. Aumentar imposto agora é tiro no pé.
    Quem sabe assim o eleitor acorda.

  3. carlos says:

    O problema fundamental no caso brasileiro é que nem mesmo o Armínio teria condições de cortar muita coisa. Nossa estrutura de gasto é profundamente engessada.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *