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Continuidade garantida, só falta saber por qual caminho

julho 21, 2010

Por Jorge Ikawa

Falar sobre economia às vésperas de eleição não é tarefa fácil, principalmente por três motivos: a) o assunto por si só é espinhoso; b) mesmo entre os economistas, não há consenso sobre determinadas medidas e c) qualquer discurso errado pode acarretar perda de votos. Assim, tornou-se praxe por parte dos candidatos omitir o debate sobre questões polêmicas e apenas repetir opiniões cristalizadas, tais como manutenção das metas de inflação, câmbio flutuante, responsabilidade com os gastos públicos e procurar diminuir a taxa de juros, por exemplo.

Para a eleição presidencial deste ano, apesar de possíveis “repiques” em função de declarações pontuais dos três principais candidatos, não devemos esperar muitas turbulências nos mercados por conta da troca de governante. Em grande parte, essa provável “estabilidade” é decorrente das figuras fortes que cada time possui para a área econômica.

A economista Dilma Rousseff (PT) tem a seu favor o histórico de dois mandatos do governo Lula. Apesar de, às vezes, apresentar opiniões um pouco destoantes, Dilma conta com a figura de Antonio Palocci Filho como principal articulador junto ao empresariado. O deputado federal, quando à frente do Ministério da Fazenda, foi um dos responsáveis pela credibilidade na área econômica durante o primeiro mandato de Lula.

Já José Serra (PSDB), que em 2002 era o candidato preferido do mercado, é economista e representa o partido que, por muitos anos, foi visto como o mais alinhado aos consensos da área econômica. Serra tem como um dos grandes fiadores Fernando Henrique Cardoso, Ministro da Fazenda à época da introdução do Plano Real e Presidente da República durante oito anos.

Marina Silva (PV), que hoje corre por fora na disputa presidencial, tem como um dos principais pilares de sua candidatura a bandeira do meio ambiente. Para ganhar corpo na área econômica, agregou à equipe, como vice da chapa, o empresário Guilherme Leal, copresidente do Conselho de Administração da Natura.

Em função disso, ao menos a priori, os três principais concorrentes à Presidência mantêm um discurso afinado com a tendência econômica dos últimos governos e não devem propor rupturas ao processo em desenvolvimento. Resta agora o debate sobre questões não consensuais e sobre o caminho que cada candidato deverá escolher para alcançar seus objetivos na área econômica. Afinal de contas, sempre existem tradeoffs.

6 Comentários leave one →
  1. julho 21, 2010 2:02 pm

    Sim sim. Dificilmente haverá ruptura na área econômica e isso pode ser tomado como certo. Agora o que deve ser discutido e debatido são as reformas. Previdência, tributária e política pouco avançaram e nada de muito concreto foi proposto, apenas pequenas medidas com pouco reflexo prático.
    A atenção a meu ver deve ser centralizada não em manutenção do status quo político e econômico, mas sim se e como se dará a condução da máquina pública, da redução dos gastos e das manutenções das reservas e superávits fiscal e comercial.
    Estamos assistindo uma corrida tresloucada do atual Governo para lançar obras atreladas ao populismo ligado ao PAC e não podemos esquecer dos reajustes de salários e benefícios do executivo e funcionalismo públicos.
    É importante também nos atentarmos ao crescente aumento dos cargos de confiança e do número de funcionários públicos sem concurso que a meu ver servem, com justas exceções, somente para desviar mais e mais dinheiro e tornar ainda mais ineficiente a máquina pública.
    É isso.

    • julho 21, 2010 4:07 pm

      Anderson, realmente um dos debates mais importantes deixados de lado diz respeito às reformas a serem efetuadas e o modo como elas devem ser conduzidas. Infelizmente, só deveremos saber como esse processo irá ocorrer após o vencedor da eleição tomar posse.
      Obrigado pelo comentário.

  2. carol permalink
    julho 21, 2010 2:13 pm

    Gostei do artigo,mto bom!Acho mto bacana a maneira como abordam diversos assuntos e como analisam!O blog de vc’s tem td pra decolar …
    Ainda é cedo para analisar algo mais a fundo sobre as eleições mas é bom começar observar desde já os candidatos!Se bem que deixam à desejar na minha opnião!Beijos,carol

    • julho 21, 2010 4:10 pm

      Que bom que você gostou do texto, Carol. E espero que você esteja certa sobre o futuro do nosso blog, de realmente decolarmos.
      Abraço.

  3. julho 21, 2010 4:13 pm

    Concordo, vamos esperar e torcer que iniciada a fase dos debates entre os candidatos essas questões sejam discutidas ou pelo menos mencionadas nos programas de governo de cada um dos candidatos.
    Pelo ocorrido até o momento é bem provável que isso não ocorra, haja visto o descaso e todo o circo produzido na entrega oficial dos progammas de governo.
    O que era para ser uma garantia democrática de que s candidatos estão se comprometendo com algo, acabou por transformar-se em mero cumprimento de exigências.
    Dentre os programas entregues foram abordadas tantas bobagens e trivialidades que nem vale a pena nos basear pelos mesmos. Espero mesmo que a fase de debates seja mais proveitosa ao eleitor que o demonstrado nos episódios das entregas dos programas de Governo. Veremos…

    • julho 21, 2010 5:15 pm

      Realmente, Anderson, apesar de estar descrente quanto à qualidade dos debates que se seguirão, só nos resta esperar e torcer para que o nível das discussões alcance o desejado.

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