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Mais Selic: a decisão do Copom

julho 23, 2010

Por Adriano Dutra Teixeira

Usarei este espaço para tentar esclarecer alguns questionamentos pontuais que a Prosa Econômica teve aqui no Blog e no Twitter. Após a elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, é natural que a notícia de “alta” tenha causado descontentamento. Afinal, o Brasil continua entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros.

Não é de hoje que um dos cuidados que o Banco Central tem tomado para manter a economia saudável é um controle rigoroso contra uma disparada da inflação. Alterar a taxa de juros, os depósitos compulsórios e as operações de mercado aberto são alguns dos instrumentos utilizados para a condução da política monetária.

Aparentemente, a taxa de juros parece ser o melhor instrumento disponível e este é um consenso que existe hoje entre os economistas. Seu comportamento afeta as decisões de consumo dos indivíduos, as decisões de investimento, a magnitude do déficit público, o fluxo de recursos externos para a economia entre outras variáveis. Assim, percebe-se a importância desta variável para o desempenho econômico, justificando a preocupação dos indivíduos com seu comportamento.

Na decisão do Copom, os membros do Comitê discutem horas a fio munidos de um arsenal de dados. A inflação é uma das variáveis de maior preocupação dado o regime de metas da inflação. O BC procura ter a cautela de avaliar profundamente os dados divulgados dos preços e averigua uma possível existência de sazonalidade nos resultados. O restante da atividade econômica também é analisado, levando em conta a produção industrial, o nível de emprego e os dados de crédito.

O estudo do passado é muito relevante para o entendimento do futuro. Os dados disponíveis, os chamados “dados de retrovisor” ajudam a ter uma ideia do que deve ser a dinâmica futura da economia. Porém, vale ressaltar que a escolha da Selic ontem só surtirá efeitos num período mais extenso (6 a 9 meses). É por isso que olhar à frente é considerado uma das artes do BC. Claro que um aumento de juros não deixa de causar estranhamentos com os índices apontando para deflações. Mas, diante de um quadro de acomodação do nível de atividade doméstica, é aceitável que o BC esteja projetando uma trajetória equilibrada do crescimento para o futuro próximo.

2 Comentários leave one →
  1. julho 23, 2010 3:22 am

    Ótimos textos, bacana a abordagem adotada. É mto bom seguir pessoas que tem formação em economia. Em relação a Selic, realmente o tema é complexo e com certeza a Fiesp e a Fecomercio não ficam muito satisfeitas com estas altas nos juros. Agora já dá para apostar que nas proximas reuniões deste ano a escadinha da Selic ou suba pouco ou pare de subir?

    • julho 23, 2010 2:12 pm

      Cara Melissa, agradecemos muito seu apoio. Acredito que na reunião de setembro podemos esperar por um aumento de 0,25 pp ou 0,5pp. A tendência é que com a divulgação dos resultados que ainda estão por vir, se o quadro continuar sendo de redução de riscos provavelmente em breve será encerrado o ciclo de alta. Abraços!

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