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O Fim da Escuridão

julho 27, 2010

Por Vinícios Poloni Sant’ Anna

A macroeconomia é uma das ciências mais interessantes já desenvolvidas pelo homem. Para Olivier Blanchard:

“O que torna a macroeconomia empolgante é a luz que ela lança sobre o que ocorre no mundo”.

De fato, a ciência macroeconômica, em geral, permite-nos compreender o comportamento da economia mundial. É graças a essa ciência que hoje somos capazes de entender desde a determinação dos juros até a formação de crises.

No entanto, durante a última crise financeira, parece que a luz da macroeconomia diminuiu sua intensidade, deixando muitos gestores de política econômica no escuro. Em setembro de 2008, muitas autoridades se encontraram desesperadamente em busca de uma cartilha que dissesse exatamente como agir perante uma crise financeira. Mas a macroeconomia não foi capaz de fornecer tal cartilha. Na verdade, se olharmos para a raiz do problema, a ciência econômica deveria ter atuado antes, de forma a evitar que a crise ocorresse. A partir disso, a macroeconomia sofreu muitas críticas e foi questionada sobre seu valor e sua aplicação como ferramenta para a política econômica.

Para Narayana Kocherlakota, presidente do Federal Reserve Bank de Minneapolis, apesar dos grandes avanços nos últimos 25 anos, os atuais modelos macroeconômicos apresentam três particulares fraquezas. Primeiro, nenhum ou quase nenhum modelo trata os choques nos mercados financeiros, nos preços e no mercado de trabalho conjuntamente. Segundo, mesmo nos modelos que incluem os atritos nos mercados financeiros, o tratamento dos bancos e outras instituições financeiras é bem grosseiro. Por fim, segundo Narayana, a maior fraqueza dos modelos é que estes são dirigidos por choques obviamente irreais.

Entretanto, vale destacar que acima de qualquer fraqueza que os modelos possam apresentar, a falta de comunicação desempenhou um papel fundamental no desenrolar da crise. Tanto a falta de comunicação entre acadêmicos e gestores da política econômica, quanto entre os próprios acadêmicos, dificulta o processo de desenvolvimento da macroeconomia como ciência e de sua utilização prática.

Desta forma, a crise financeira revelou varias falhas. A partir disso, muitos economistas fazem suas previsões sobre o futuro da macroeconomia. Para Arnold Kling, haverá muito mais ênfase nas instituições financeiras e no sistema regulatório do mercado financeiro do que na política monetária. Segundo ele, em vez de se concentrar nas políticas fiscais, os economistas devem focar mais diretamente nos processos de ajuste, particularmente no mercado de trabalho.

Em suma, em qualquer dado momento, existem importantes limitações conceituais e computacionais que restringem o que os macroeconomistas podem fazer. No entanto, a história econômica nos mostra que a evolução da área ocorre com a superação das barreiras. Portanto, embora, de modo geral, as principais relações macroeconômicas têm-se mostrado altamente instáveis, o futuro da macroeconomia como disciplina parece promissor.

One Comment leave one →
  1. GOUVERNEMENT permalink
    maio 13, 2011 1:59 pm

    Concordo plenamente com o pensamento da Presidente Federal REsearve de Mineapolis, acredito que seja esse “banho de realidade” que falta aos modelos economicos, posto que tais modelos nao conseguem captar todas as variaves incidentes na realidade. Isso porque acreditam que ceteris paribus dará conta de incorporar por aproximação… isso, na realidade, nao acontece, deixando muitos modelos mais matematicos do que economicos sem nenhuma utilidade do ponto de vista da realidade.. SEria bom os economistas começarem a estudar a história economica pois ela ensina muito sobre economia…

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