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Construindo o crédito brasileiro

agosto 3, 2010

Por Vinícios Poloni Sant’ Anna

O brasileiro nunca parcelou tanto suas compras como nos últimos anos. Os prazos ficam cada vez mais longos, e os bens financiáveis cada vez mais diversos. Também nunca se construiu tanto no país.

Os efeitos do crédito na economia sempre chamaram a atenção dos economistas. Para Celso Ming, “o crédito na economia é como o sangue da gente. Quando circula fácil, o corpo tem saúde”.

Décadas atrás, John Maynard Keynes já destacava a importância do crédito na economia. Para ele, o crescimento de um país depende de que os recursos dos agentes superavitários (os que gastam menos do que recebem) sejam transmitidos para os agentes deficitários (que desejam gastar mais do que recebem) por meio do mercado de crédito, garantindo uma maior eficiência na economia.

Atualmente, o Brasil vive um momento ímpar no que tange o crédito. Segundo dados do Banco Central, o volume de crédito oferecido no mercado financeiro brasileiro fechou o primeiro semestre de 2010 com recorde de R$ 1,53 trilhão. Para se ter uma ideia do crescimento, em 2003, esse volume era de cerca de R$ 381 bilhões. Essa expansão permitiu que o crédito alcançasse a marca histórica de 45,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

E não para por aí. Em maio, o volume de crédito concedido a pessoas físicas superou o volume de empréstimos a empresas, fato inédito na série histórica do Banco Central, iniciada em 2000. Isso ilustra o crescimento da participação do consumo na demanda por crédito. Além disso, para alguns economistas como Bráulio Borges, economista-chefe da consultoria LCA, o crescimento do PIB brasileiro teria sido menos expressivo, não fosse o consumo impulsionado pelo crédito.

Apesar da importância do crédito ao consumidor, o seguimento do crédito que mais cresce no Brasil, é o destinado para a compra de casa própria. O volume destinado para esse setor apresenta crescimento de mais de 50%, em relação a 2009. A Caixa Econômica Federal, apenas no primeiro semestre de 2010, apresenta uma expansão de 95,1% do crédito imobiliário, em relação ao mesmo período de 2009.

Todavia, para o ministro da Fazenda Guido Mantega, ainda há muito espaço para expandir o crédito. De acordo com dados do Banco Central, o crédito ao consumidor representa 30% do PIB brasileiro. Em comparação com outros países, esse indicador parece pouco expressivo.  Nos Estados Unidos, por exemplo, essa relação é de 131%. No Canadá é de 141%. Para concretizar essa expansão, de acordo com o ministro, é necessário que mais pessoas tenham acesso aos serviços bancários, assim como a ampliação do crédito habitacional. Além disso, novas fontes, além da poupança, devem ser encontradas para sustentar essa modalidade.

Além disso, o volume de crédito imobiliário no Brasil ainda é inexpressivo. Esse seguimento corresponde à cerca de 3% do PIB. É por isso que muitos economistas se mantêm otimistas quanto ao futuro do mercado de crédito. Segundo Rubens Sardenberg, da Febraban, o crédito imobiliário ainda tem muito espaço para crescer. Portanto, esse seguimento deve ser justamente a mola propulsora do crédito nos próximos anos.

4 Comentários leave one →
  1. Elder permalink
    agosto 3, 2010 11:36 am

    Que o crédito é fundamental para o crescimento de um país, é fato. Mas o ambiente instucional também deve ser levado em conta. Será que uma maior estabilidade do país foi responsável por esse aumento de crédito? Sabemos que com tantas parcelas a pagar, os individuos devem pelo menos crer que terão emprego pelos próximos 12,36 e até 60 meses, prazo de grandes financiamentos. Além disso, o lado da oferta de crédito também deve ter essa crença. Será mesmo que o Brasil, e também os própios trabalhadores, está preparado para salvaguardar todos os postos de trabalho daqueles que tem grandes financiamentos para saldar? A mim parece que há generalizada preocupação com o crédito voltado para o consumo. A de se cuidar para que a euforia do crédito não nos crie uma bomba relógio, basta ver o porquê da recente crise nos EUA.

  2. carol permalink
    agosto 3, 2010 2:44 pm

    O Brasil passou e ainda passa por uma fase de expansão do crédito nos últimos anos,propiciada pela estabilidade econômica e pelo aumento da renda da população.Porém,apesar da possibilidade de consumo,inclusive por meio credito destinado para compra de bens de maior valor,o brasileiro não sabe como utilizá-lo.A educação financeira é necessária para evitar endividamento e/ou inadimplência.
    Abraço pessoal da Prosa!!ótima semana …

  3. Zina permalink
    agosto 4, 2010 3:19 am

    Ronaldoo!!

  4. 齊納 permalink
    agosto 4, 2010 5:34 pm

    羅納爾多
    צי ניט מאַכן מלחמה, מאַכן ליבע.

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