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Um retrato brasileiro: 10% dos municípios respondem por quase 80% do PIB

agosto 19, 2010

Por Jorge Ikawa

Que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, isso não é novidade. De acordo com o coeficiente de Gini, somos o 10º país com maiores diferenças entre ricos e pobres de um ranking composto por 134 nações. Com valores que variam entre 0 e 1 (zero simboliza a situação hipotética em que todos possuem a mesma renda), atingimos o coeficiente de 0,567 (número de 2005), acima de economias bem menores, tais como Panamá, Peru e Equador, só para citar alguns exemplos latino-americanos.

No entanto, pesquisa recentemente divulgada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra uma outra faceta da desigualdade no território brasileiro: a diferença existente entre os diversos municípios para a composição do PIB do país. Segundo o estudo, com base em dados de 2007, quase 80% do PIB brasileiro (78,1% para ser exato) é produzido entre os 10% mais ricos municípios da federação. Já entre os 70% mais pobres, a participação relativa é de apenas 14,7%.

Além dos números em si, chama atenção o fato de que essa situação deteriorou-se ao longo do tempo. Os dados apontam que, em 1920, a participação dos municípios 10% mais ricos era de 55,4% (elevação de 41% no peso relativo nesse período) e dos 70% mais pobres, de 31,2% (queda de 52,9%).

(Gráfico 1)

Assim, é possível constatar um aumento da concentração do produto em determinadas áreas do país durante o período analisado. No entanto, desde 1970, a desigualdade dos PIBs municipais manteve-se constante. O estudo aponta que a partir dessa data o índice de Gini está estacionado em 0,86. Como causas para isso, estão a implantação do 2º Plano Nacional de Desenvolvimento (1974), o movimento de descentralização do gasto público via Constituição Federal de 1988, a existência da guerra fiscal e, mais recentemente, o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Apesar disso, o trabalho ressalta que, embora fundamentais, as políticas públicas implantadas foram insuficientes para reverter o cenário de concentração.

(Gráfico 2)

Outra constatação importante refere-se ao fato de que, quando a análise é voltada para o PIB per capita, embora até 1970 o movimento seja de crescimento da concentração (o índice de Gini passou de 0,37 em 1920 para 0,49 em 1970), desde então teve início um movimento de diminuição das diferenças (0,42 em 2007).

Referências:
http://ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/100812_comunicadoipea60.pdf
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2172rank.html
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