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Dinheiro compra felicidade?

novembro 10, 2010

Por Vinícios Poloni Sant’ Anna

Você já deve ter ouvido alguém dizer “nem tudo na vida é dinheiro” ou “dinheiro não traz felicidade”. E também já deve ter falado “se o dinheiro não traz felicidade, me dê o seu e seja feliz!”. Recentemente, por exemplo, um casal de idosos do Canadá ganhou 11,2 milhões de dólares canadenses, mas doou todo o prêmio para hospitais, igrejas, organizações de caridade e até cemitérios. Estaria o casal maximizando seu bem-estar?

Não há dúvida de que o indivíduo que possui uma maior renda, a partir de sua restrição orçamentária, consome mais de todos os bens (normais), de forma a atingir um nível de bem-estar mais elevado. No entanto, a questão que muitos procuram responder é até que ponto o dinheiro afeta a felicidade das pessoas?

Uma rápida pesquisa na literatura acadêmica a respeito do assunto nos mostra que não existe um artigo científico que estabeleça claramente se o dinheiro realmente compra a felicidade. No entanto, alguns autores chamam a atenção da sociedade por meio de descobertas curiosas.

O Nobel Daniel Kahneman, 76, em coautoria com Angus Deaton, publicaram recentemente o artigo “High income improves evaluation of life but not emotional well-being”. O artigo analisa o efeito da renda sobre o bem-estar das pessoas. Conforme o esperado, os pesquisadores verificaram que o bem-estar aumenta conforme a renda do indivíduo se torna maior. O curioso é o fato de que esse aumento se dá a taxas decrescentes. A partir disso, os autores descobriram que o aumento no nível de bem-estar é praticamente nulo perante aumentos na renda acima do nível de US$ 75.000 ao ano. Em outras palavras, segundo a pesquisa, ganhar mais que US$ 6.250 por mês não geram aumentos significativos no bem-estar.

De acordo com o estudo, vários outros fatores afetam a felicidade dos indivíduos além da renda. Atitudes como casar-se, ter filhos, fazer uma graduação e, principalmente ser religioso, impactam positivamente no bem-estar das pessoas. Por outro lado, fatores como ser obeso, divorciado, ser fumante, ter dores de cabeça, ou sentir solidão, afetam negativamente a felicidade.

A tabela abaixo indica os efeitos de diversos fatores sobre o bem-estar, por meio de uma regressão. O sinal positivo indica o efeito benéfico de alguns fatores, enquanto o sinal negativo representa o efeito contrário sobre o bem-estar dos indivíduos. Veja ainda que a magnitude do efeito dá uma idéia do quão importante cada fator é na determinação do nível de bem-estar dos indivíduos.

Vale destacar que a pesquisa foi realizada nos Estados Unidos. Dessa forma, não podemos simplesmente tomar o nível de renda encontrado como válido para o Brasil. Afinal, considerando a fama da alegria do povo brasileiro, diria que o nível de renda que maximiza o bem-estar das pessoas deve ser menor que o encontrado para os Estados Unidos. Em outras palavras, diria que o brasileiro precisa de menos dinheiro para ser feliz.

Referências:
Artigo do Kahneman na íntegra: http://www.pnas.org/content/early/2010/08/27/1011492107.full.pdf+html
4 Comentários leave one →
  1. novembro 10, 2010 1:44 am

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  2. Cecília Santos permalink
    novembro 10, 2010 6:03 pm

    Conheci o blog faz duas semanas e já to me divertindo bastante. Diria que em geral um dinheirinho há mais deve sempre aumentar o bem-estar. Salvo em casos extremos em que a pessoa ja tenha renda “suficiente”. Resta definir o que seria a renda “suficiente” pra nós brasileiros.

  3. Adriano D. T. permalink
    novembro 11, 2010 12:00 am

    Ótimo post e muito bom o artigo original.Bem, não posso deixar de comentar da obesidade. Afinal é o tema da minha pesquisa, e no mercado de trabalho muitas são as evidências de que existe uma penalização no salário, principalmente nas mulheres. Agora vejo em seu texto um efeito perverso da obesidade no bem-estar e alegria dos obesos.
    Fico pensando, será que os obesos ganham menos e por isso são infelizes? Ou seria o inverso: a infelicidade geraria menos renda? Questão bastante complexa. 🙂

  4. Adriano D. T. permalink
    novembro 17, 2010 11:01 pm

    Continuando a história da felicidade e da obesidade, a Carta Capital publicou há pouco tempo um texto sobre isto:
    “O Brasil mais gordo é um país mais feliz?”
    http://www.cartacapital.com.br/sociedade/5111

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