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A Mulher e o Mercado de Trabalho

dezembro 15, 2010

Por Vinícios Poloni Sant’ Anna e Elder Generozo Sant’ Anna

Você deve conhecer várias mulheres que se dedicaram a vida toda aos afazeres domésticos. Mulheres que,  em função dessa atividade não remunerada, deixaram de participar do mercado de trabalho. Todavia, a participação da mulher no mercado de trabalho não só tem aumentado ao longo dos anos, como a importância da remuneração feminina na renda familiar vem tendo destaque na literatura acadêmica. Mas, quais fatores estão por trás dessa decisão de participar ou não do mercado de trabalho?

Segundo as sociólogas Solange Sanches e Vera Lúcia Mattar Gebrim, no artigo “O trabalho da mulher e as negociações coletivas”, nos anos de 1990 verificou-se um crescimento do desemprego, assim como a redução dos rendimentos, da contratação com carteira assinada e de benefícios garantidos em lei. O resultado sobre as famílias foi uma diminuição da qualidade de vida dos indivíduos e o aumento do desemprego do chefe do domicílio, obrigando os demais membros da família, na maioria dos casos a esposa, a buscar um posto de trabalho para aumentar a renda familiar.

As situações familiares são vistas como as principais responsáveis pelas limitações para a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Os trabalhos domésticos assim como os cuidados com filhos demandam grande parte do tempo das mulheres no dia-a-dia e são levados em conta quando essas contabilizam os custos e benefícios de um trabalho fora de seus domicílios.

Vale destacar também a influência das características individuais que afetam a participação no mercado de trabalho. Fatores como a idade e o nível de educação também são importantes na decisão da mulher trabalhar fora de casa. Por exemplo, uma mulher com um maior nível de educação, se optar por trabalhar em casa, pode estar abrindo mão de um salário potencial maior no mercado. Em outras palavras, o custo de oportunidade da mulher trabalhar em casa pode ser mais alto se ela tiver mais anos de educação.

Ainda de acordo com as mesmas autoras, não foram só os fatores de ordem econômica que impeliram a mulher para o mercado de trabalho. O maior número de dissoluções de casamentos, seja em razão morte do marido ou pela simples opção de viverem sozinhas, o movimento de emancipação feminina e a busca de direitos iguais na sociedade, também tiveram impactos não desprezíveis na participação feminina.

Dessa maneira, a participação feminina no mercado de trabalho não deve ser analisada somente sob a perspectiva das condições econômicas da sociedade. Sendo assim, dada a grande mudança que vem ocorrendo no papel da mulher na família, na sociedade e na economia, vê-se uma oportunidade de tentar elucidar ainda mais como a interação entre as mulheres e seus lares interferem na sua busca por um trabalho remunerado.

Referência:
SANCHES, S.; GEBRIM, V.L.M. O trabalho da mulher e as negociações coletivas. Revista de Estudos Avançados, IEA, volume 17, nº 49, setembro/ dezembro, pp. 99-116, 2003
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  1. dezembro 15, 2010 12:56 am

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