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Como o país vai pagar os perus de Natal?

dezembro 31, 2010

Por Juliana Oliveira

Estes dias um comentarista da CBN falava sobre o consumo das famílias e dizia não acreditar que o nível de consumo atual pudesse gerar uma contrapartida negativa no futuro. Consumo excessivo sendo financiado por crédito? Isto pode não ser tão sustentável quanto parece.  Resolvi tratar sobre o assunto então.

No final no semestre, nas últimas aulas de Economia Brasileira, recordo do Prof. Amaury Gremaud comentar sobre o aumento do consumo das famílias, o crescimento da economia. Ele disse algo como “o governo  (Lula) está financiando o crescimento do país com consumo das classes mais pobres, um consumo de massa. A questão é: até quando isto será sustentado?”.

Durante o governo Lula houve uma expansão forte do crédito. Segundo dados do Banco Central publicados nesta semana, a relação entre crédito e PIB ficou em 40,8%, em 2008, e em 45% em 2009. Em novembro de 2010, chegou a 46,3%, com saldo de R$ 1,678 trilhão. A expectativa do BC para o fim deste ano é que chegue a 47%. (Veja como tem ocorrido a evolução do crédito no gráfico a seguir)

Sabemos que isto foi possível devido à redução das taxas de juros (Selic) de perto de 25% no início do governo Lula para 10,75% neste ano. Este aumento de crédito disponível alavancou o consumo, principalmente das classes C e D em ascensão no país. Também contribuiu para a expansão do consumo o aumento do salário mínimo, que chegou a R$ 510,00, um aumento de 50% em relação a inflação. Por fim, a redução de tarifas para consumo de eletroeletrônicos e carros no início de 2009 para evitar um maior impacto da crise externa no país fechou o que considero os grandes impulsionadores do aumento do consumo no país. A redução do desemprego, o pouco impacto da crise no país e as expectativas elevadas de crescimento no comércio e indústria deixaram os agentes econômicos num clima de euforia, incentivando ainda mais o consumo.

Isto tudo é, e tem sido muito bom, até que a expansão recorde do crédito comece a trazer preocupações com a inadimplência futura. Acontece que enquanto a maioria olha apenas para o otimismo presente, temos que olhar um pouco além. A taxa de inadimplência no país, que termina o ano entre 5% e 6% é um sinal de que “Estamos em uma trajetória de alto risco, com esse endividamento muito grande das famílias, das empresas e do governo. Estamos em trajetória de superendividamento generalizado no País”, conforme dito pelo o professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves.

Ainda, a pressão inflacionária indica que é necessária uma elevação da taxa de juros. Segundo Meireles, atual-ex presidente do Banco Central as medidas macro tomadas a pouco como restrição do créditos de bens de consumo, reversão dos estímulos tomados para evitar os efeitos da crise no país e o aumento do compulsório não substituem a elevação dos juros.

Estas medidas atreladas à uma elevação dos juros frearão o crescimento das empresas, que como é notado, reduzam o nível de contratações. A tendência é que a renda cresça mais devagar em 2011. (Vide abaixo os gráficos com estimativas do crescimento pelas óticas da oferta e demanda.) Espera-se para a indústria um crescimento próximo de 5,5% em 2011, bem abaixo do visto este ano.

Assim, volto à minha afirmação inicial: como é possível que o nível de consumo atual, impulsionado em grande parte pela expansão do crédito não ter impactos no ritmo de crescimento da economia? Se a maior parte deste consumo está sendo efetuado com expectativas de ganhos futuros para seu pagamento, como ficará este com a projeção de redução de ganhos?

Referências:
Relatório Trimestral de Inflação do BC:
http://www.bcb.gov.br/textonoticia.asp?codigo=2859&IDPAI=NOTICIAS
Reportagem do Terra:
http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201012272056_ABR_79453036

Como o país vai pagar os perus de Natal?

dezembro 31, 2010

Por Juliana Oliveira

Estes dias um comentarista da CBN falava sobre o consumo das famílias e dizia não acreditar que o nível de consumo atual pudesse gerar uma contrapartida negativa no futuro. Consumo excessivo sendo financiado por crédito? Isto pode não ser tão sustentável quanto parece.  Resolvi tratar sobre o assunto então.

No final no semestre, nas últimas aulas de Economia Brasileira, recordo do Prof. Amaury Gremaud comentar sobre o aumento do consumo das famílias, o crescimento da economia. Ele disse algo como “o governo  (Lula) está financiando o crescimento do país com consumo das classes mais pobres, um consumo de massa. A questão é: até quando isto será sustentado?”.

Durante o governo Lula houve uma expansão forte do crédito. Segundo dados do Banco Central publicados nesta semana, a relação entre crédito e PIB ficou em 40,8%, em 2008, e em 45% em 2009. Em novembro de 2010, chegou a 46,3%, com saldo de R$ 1,678 trilhão. A expectativa do BC para o fim deste ano é que chegue a 47%. (Veja como tem ocorrido a evolução do crédito no gráfico a seguir)

(mais…)

4 Comentários leave one →
  1. dezembro 31, 2010 12:04 am

    Aproveite e deixe a sua opinião ou recado. O seu comentário aqui é para nós o nosso termômetro.

  2. gilberto permalink
    dezembro 31, 2010 8:12 am

    O BC aas vezes é meio confuso, viram como a ultima ata do Copom foi ambigua? Deixaram tudo muito nebuloso, tem muito economista (não so jornalista) concordando disto. Texto do Ming: http://blogs.estadao.com.br/celso-ming/2010/12/23/a-pitonisa-falou/#comments

  3. Paulo permalink
    dezembro 31, 2010 2:06 pm

    O aumento do crédito ajudou o Brasil a sair da ultima
    crise, no entanto concordo que o superendividamento que este pode proporcionar é uma
    preocupação sim. Embora não estamos vivendo agora um quadro explosivo de
    inadimplencia. Ainda não temos muito do que reclamar, só observar!

  4. Juliana Oliveira permalink
    janeiro 5, 2011 1:06 pm

    Olá Pessoal,
    Quanto ao seu cometário, Gilberto, eu acredito que esta postura, o ocorreu todo o ano, ao meu ver, tem a ver com a necessidade de ajuste ressecivo que o BC não queria anunciar diretamente, dado a época de eleição. Se a política fosse capaz de interferir menos nas decisões econômicas a coisa ia ser mais fácil pra nós que trabalhamos (ou no meu caso, trabalharemos) nesta área.
    Paulo, eu acredito que nao estamos na beira do abismo, mas se não frearmos este consumo, isto pode ser mto prejudicial.
    Obrigada pelos comentários e até o próximo texto!

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