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O que os Economistas disseram no Fórum Econômico Mundial

fevereiro 2, 2011

Por Adriano Dutra Teixeira

Coloque 2.500 líderes empresariais, líderes políticos e acadêmicos em um só lugar e deixe que as conversas comecem… Assim funciona o Fórum Econômico Mundial que neste ano aconteceu em Davos, de 26 a 30 de janeiro. A seguir uma breve síntese de alguns dos assuntos que estiveram presentes por lá.

O momento é de: confiança cautelosa

Confiança de que o pior já passou e incerteza do que ainda está por vir. “Confiança cautelosa” é o resumo do que os economistas sentiram sobre a economia global durante todo o Fórum Econômico Mundial, uma maneira de levar em consideração uma série de riscos que ainda podem atrapalhar a recuperação econômica.

"Há muitas oportunidades com os novos motores de crescimento do mundo. Nós nunca tivemos tantos representantes do Bric. Eles estão representados aqui com força total" disse Klaus Schwab, responsável por presidir o Fórum Econômico Mundial em Davos.

"Vivemos num mundo dividido, onde uma parte vai muito bem e outra vai mal. As pessoas estão se sentindo bem porque estavam muito doentes antes. A economia mundial saiu da UTI e está agora na sala de recuperação", disse Stiglitz.

  

 O euro sobreviverá?

Nicolas Sarkozy

Grande parte dos discursos mais importantes do Fórum foram de políticos da Europa. Em geral, os líderes europeus tentaram enfrentar ou convencer de que não há razões para pessimismo quanto ao futuro do euro.

Foi recorrente o argumento de que o pior da crise da dívida europeia ficou para trás e que já não há mais qualquer dúvida sobre a sobrevivência do euro.

 

“Para aqueles que apostam contra o euro, cuidado com seu dinheiro, porque nós estamos totalmente determinados a defender o euro. Imaginar que nós abandonaríamos (o euro) é não entender nada sobre a psicologia dos países europeus que combateram uns aos outros em guerras por décadas. Essa é uma questão de identidade”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy em Davos.

Inflação global

A disparada dos preços dos alimentos e da energia gera tensão mundo afora, trouxe muitos alertas sobre a possibilidade de choques e acabou parando no centro das discussões do Fórum.

"A inflação num nível global não está no topo das preocupações, embora mercados emergentes de todo o mundo estejam sentindo alguma pressão", afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner.

”O aumento da inflação pode levar a mais instabilidade social e política, como aconteceu na Tunísia e no Egito”, disse Nouriel Roubini, o Doutor Apocalipse.

 

 

 

 

 

 

 

 

“As pessoas têm de distinguir as fontes de inflação. Existe a inflação importada por exemplo, devido à alta dos preços de alimentos ou energia. Isso tem de ser levado em consideração, mas não se pode lidar com isso simplesmente através da elevação dos juros. O pobre vai sofrer com o aumento dos preços (dos alimentos). Fazê-lo perder o emprego (como consequência da alta de juros) não vai resolver o problema”, disse Stiglitz.

G-20 tranformou-se em G-Zero, diz Roubini

Nouriel Roubini, professor de economia na New York University, lamentou a falta de uma liderança mundial, descrevendo os esforços coordenados para enfrentar os desequilíbrios comerciais, os fluxos de capital, recursos hídricos, imigração e as alterações climáticas como sendo resumidos pelo “G-Zero”.

 “Há um completo desacordo e confusão. Esse é o sentido do G-Zero. Não há acordo sobre nada. Estamos em um mundo onde não há liderança”, disse Roubini.

 O grande desafio

Várias figuras do Fórum Econômico Mundial apontam como sendo a desigualdade de renda o desafio mais sério que o mundo terá de enfrentar nos próximos anos.

"O fosso entre ricos e pobres dentro de nações desenvolvidas e em desenvolvimento precisa encolher para construirmos uma economia mais sustentável que evite os danos causados por bolhas de ativos. O aumento da desigualdade é o desafio mais sério para o mundo. O mundo não está prestando atenção suficiente para isso. ", disse Min Zhu, assessor do Fundo Monetário Internacional.

12 Comentários leave one →
  1. Luiz Henrique permalink
    fevereiro 3, 2011 7:37 am

    Só um idoso como o Stigltz para fazer uma metáfora de hospital.

    • fevereiro 3, 2011 4:12 pm

      Comentário perspicaz. Stiglitz tem focado muito sua pesquisa em desenvolvimento econômico, acabou herdando um viés da economia da saúde no discurso dele.

  2. @airtonteves permalink
    fevereiro 3, 2011 3:49 pm

    excelente post. Muito bom ler o que os acadêmicos falam. A mídia mal citou o Forum. Vocês são incriveis!!

  3. @caio_tito_ permalink
    fevereiro 3, 2011 3:50 pm

    Li o novo post, os posts são sempre impecáveis. O blog Prosa Econômica tem futuro. Parabéns.

  4. @flipe_danta permalink
    fevereiro 3, 2011 3:51 pm

    texto completo. Discordo do Stiglitz, hoje é consenso de que taxa de juros é a melhor ferramenta para lidar com a inflação..

  5. @mefleal permalink
    fevereiro 3, 2011 3:52 pm

    Sarkozy dizendo que a crise da divida ja passou eh dificil de acreditar. Quem ele tah querendo iludir?

  6. @aitonteves permalink
    fevereiro 3, 2011 3:53 pm

    “Estamos em um mundo onde não há liderança”, Roubini. frase de @ProsaEconomica

  7. @auberth permalink
    fevereiro 3, 2011 3:54 pm

    Só discordo do Roubini, acho q importante q as decisões sejam tomadas de forma coordenada entre o todos do G-20

  8. @caio_tito_ permalink
    fevereiro 3, 2011 3:55 pm

    @veja precisam dar a devida atencao ao forum economico mundial assim como fez @prosaeconomica

  9. @flipe_danta permalink
    fevereiro 3, 2011 3:55 pm

    Discordo do Timothy Geithner, inflação global é uma preocupação grave, principalmente entre os emergentes, veja os números.

  10. @aitonteves permalink
    fevereiro 3, 2011 3:57 pm

    Um post completo. http://bit.ly/hDCqNW Desigualdade de renda deveria ser mais discutida no mundo.

  11. @auberth permalink
    fevereiro 3, 2011 3:57 pm

    nao devem existir decisões unilaterais e nem polarização da economia mundial

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