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Gastos com Política Social: um pouquinho mais de dados

fevereiro 12, 2011

Por Juliana Oliveira

Eis um pequeno brief do recente relatório do IPEA sobre Gastos com Política Social para os apaixonados, como eu, por dados econômicos.

O gasto público social representa 21,1% do PIB brasileiro, sendo que as maiores parcelas deste são os gastos em previdência social (7%), previdência do setor público (4,3%), educação (4,05%) e saúde (3,33%).

Multiplicadores decorrentes de um aumento de 1% do PIB por Tipo de Gasto

Tipo de Gasto/Demanda

Multiplicador
do PIB (%)

Multiplicador
da Renda das Famílias (%)

Demanda agregada (investimento, exportações e gasto do governo)

1,57

1,17

Educação e Saúde

1,78

1,56

Educação

1,85

1,67

Saúde

1,70

1,44

Investimento no Setor de Construção Civil

1,54

1,14

Exportações de Commodities Agrícolas e Extrativas

1,40

1,04

Programa Bolsa Família

1,44

2,25

Benefício de Prestação Continuada

1,38

2,20

Regime Geral da Previdência Social

1,23

2,10

Juros sobre a Dívida Pública

0,71

1,34

Fonte: Elaboração do IPEA com ajuste próprio. SCN 2006, PNAD 2006 e POF 2002

Conforme a tabela acima, é fácil identificar o elevado impacto do gasto em educação no PIB (1,85%). Quanto ao investimento do programa bolsa família, cada real gasto neste leva a um aumento da renda da família de 2,25% e um crescimento de 1,44% do PIB. Maior que o multiplicador das exportações de commodities agrícolas e que o multiplicador dos gastos autônomos. Segundo o Boletim eletrônico do Fórum DRS, em 2008, o valor do programa Bolsa família representou 0,40% do PIB. A contribuição importante destes gastos se dá no fato de atingirem a população que tem uma maior propensão da consumir.

Parece, a meu ver, que a função de assistência e criação de oportunidades da política social está sendo alcançada. Segundo o relatório, estes gastos mostraram-se responsáveis pela redução da pobreza e desigualdade social e impulsionaram o crescimento da economia.

Pelo índice de Gini “estilizado”, (comparação deste entre 12 grupos de famílias), a incorporação de educação e saúde à renda da família leva à redução de respectivamente 1,1% e 1.5% do índice de Gini (lembrando que uma redução do índice de Gini diminui a desigualdade de renda).

Com o programa Bolsa família, a redução deste índice de Gini “estilizado” é de 2,5%. Já as exportações de commodities, têm efeitos basicamente neutros no índice, demonstrando o nulo impacto da expansão desta na redução da desigualdade.

O texto ainda afirma que dada esta multiplicação do PIB, ao fim do ciclo de aumento da renda nacional, 56% do valor dos gastos sociais voltam para o caixa do tesouro, por meio do aumento de impostos e contribuições.

Por fim, o relatório termina relatando que não deve haver um trade-off entre crescimento e equidade, visto que pelos dados acima, as mesmas políticas que melhoram as condições de vida da população elevam o PIB e produzem uma queda na desigualdade, sendo indiretamente “pagas” via aumento da arrecadação.

10 Comentários leave one →
  1. Hugo permalink
    fevereiro 12, 2011 3:27 pm

    Este texto, além de esclarecer e informar, ainda deixa aqueles que acham que o Bolsa Família é esmola de cara no chão. Muita gente é contra, pq simplesmente não entende ou não quer entender a dimensão social e econômica do programa. Além de é claro, a elite não aceita dividir espaço nos shoppings, aviões e até nas ruas (carros) com a ascendente classe média. Vamos seguir, é um desafio acabar com esta desigualdade social, e aliá-la ao crescimento econômico é ainda mais desafiador e nos faz sentir orgulho.

    • liscariotes@yahoo.com permalink
      fevereiro 12, 2011 6:00 pm

      amostra de 2006 não vale, né amigo?
      Em tempo, é ÓBVIO que o bolsa-esmola tem impacto direto no consumo da família.
      Agora, quero ver quando acabar o pacto do Lullinha com os preço das commodities. Vai ser difícil sustentar essa cambada quando a economia brasileira desacelerar.
      Sem programas de trabalho e capacitação, esse programa não passa de uma açãod e caráter eleitoreiro. Por que não pegam dinheiro dos banqueiros para pagar essa cambada? Por que pago R$ 2.000 em impostos descontados na folha todos os meses?
      Que saudade da ditadura

  2. fevereiro 12, 2011 8:21 pm

    O Brasil está cada vez mais enraizado com as teorias keynesianas – Louvável!
    Com o advento econômico contemporâneo, se faz necessário a participação do governo. O Brasil foi o Ultimo a entrar e o Primeiro a sair da última grande crise econômica mundial (2008/2009) porque adota um mecanismo de participação no mercado.
    Este mecanismo de distribuição de renda sucede um multiplicador interessante: Desenvolvimento socioeconômico, aumento da atividade econômica, que por consequência contrata ou mantém empregos na indústria e comércio, que por efeito, deixa um cenário confortável para o setor de serviços, com isso, a economia se mentém aquecida elevando-se o consumo e o ciclo econômico acontece novamente.
    O programa de transferência de renda do governo federal é assertivo e de grande valia para o país, no entanto, se faz necessário estudar melhor os mecanismos de fiscalização. É preciso blindar o programa contra fraudes, para se ter a certeza de que o programa está ajudando de fato as famílias de baixa renda, pois assim, estaremos erradicando de fato a fome e a miséria deste país, promovendo assim, o desenvolvimento. Heldon Harlley – Economista pela UFAM.

  3. Juliana Oliveira permalink
    fevereiro 15, 2011 9:22 pm

    Hugo, liscariotes e Heldon,
    Sendo mais pessoal que no texto, acredito que os dados reforçam que o programa tem efeito economico positivo, mas não devo deixar de ressaltar que apenas ele não elevará nossa situação socio-econômica. Esta medida é de curto prazo, serve para remediar o que deveria ter sido corrigido a anos atrás. Para a geração futura, o correto, na minha opnião, seria investimentos em educação, saúde, capacitações, acesso a crédito de forma que no longo prazo o auxilio não fosse tão necessário para conbater nossa desigualdade social.
    Quanto ao período da pesquisa, o Brasil está aos poucos criando e ampliando suas bases de dados. A existência da mesma e as análises possiveis a partir desta já devem ser valorizadas.
    Obrigada pelos comentários!

  4. @auberth permalink
    fevereiro 17, 2011 3:40 pm

    mto interessantes os dados e a tabela dos multiplicadores, so acho q 4% de gastos com educação mto pouco ainda

  5. @paolacavalcant permalink
    fevereiro 17, 2011 3:41 pm

    muito interessante o estudo. O bolsa familia é o gasto que mais multiplica a renda das famílias, não sabia.

  6. @paolacavalcant permalink
    fevereiro 17, 2011 3:41 pm

    esse estudo deixa um recado, investir em qualidade de vida (saúde e educação) é investir no crescimento do Brasil.

  7. @manoelveloso permalink
    fevereiro 17, 2011 3:42 pm

    Seria muito ver todos o dinheiro público investido no país. Eu ainda verei isso aocntecer. Se n, eu mesmo farei.

  8. @relemosss permalink
    fevereiro 17, 2011 3:43 pm

    programas sociais possibilitam o verdadeiro crescimento, baseado no desenvolvimento social e melhor distribuiçao de renda.

  9. @diadiabetes permalink
    fevereiro 17, 2011 3:43 pm

    A educação é o ponto principal. Não a da escola, mas a de casa. Tendo bons exemplos hoje, certamente serão bons no futuro!

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