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A Maldição do Oscar

fevereiro 26, 2011

Quem será a próxima vítima?

Formou-se uma lenda em Hollywood de que as ganhadoras do Oscar estariam sendo vítimas de uma maldição. As atrizes Sandra Bullock, Kate Winslet, Hilary Swank, Reese Witherspoon e Halle Berry todas ganharam o Oscar e todas são supostas vítimas da mesma maldição.  Todas terminaram o casamento logo após ganharem o Oscar. Seria uma coincidência? A Economia explica.

Interessados em saber se tais declarações de maldições do Oscar teriam qualquer validade empírica, economistas pesquisadores das Universidades Carnegie Mellon e de Toronto acabam de divulgar seus recentes achados. Na investigação, os autores compilaram dados sobre a história conjugal de vencedores e indicados ao Oscar de 1936 até 2010.

Não se pode ter tudo. Assim conclui a pesquisa, que responde ao mistério dizendo: sim, o efeito existe. Ganhar o Oscar está associado a um maior risco de divórcio de melhores atrizes, mas não de melhor ator. A Figura abaixo usa o método de Kaplan-Meier para obter as estimativas das funções de sobrevivência em quatro grupos: melhor ator não-ganhador, melhor ator vencedor, melhor atriz não-vencedora e vencedora de melhor atriz. A função de sobrevivência indica a probabilidade de um casamento sobreviver até um determinado número de anos após a nomeação.

Fonte: Stuart, Moon & Casciaro (2011)

Veja, a diferença entre a sobrevivência conjugal das melhores atrizes não-vencedoras e as vencedoras é graficamente substancial e também é estatisticamente significativa (o teste log-rank forneceu p-valor igual a 0,002). Por contraste, a diferença entre os melhores atores não-vencedores e melhores atores vencedores encontrada não foi significativa (teste log-rank, p = 0,822).

Os autores também estimaram regressões paramétricas de sobrevivência controladas pelas características do candidato ao Oscar, do cônjuge e do casamento. Os resultados indicam que o risco de uma vencedora de melhor atriz divorciar-se é 1,68 vezes maior do que o risco de uma melhor atriz não vencedora (p = 0,050). Não foi constatada nenhuma diferença no risco de divórcio entre os vencedores de melhor ator e os melhores atores não-vencedores (p = 0,445).

A questão que pode ser colocada em discussão é: o que gera estes efeitos? Por um lado, pode ser atribuído ao desconforto do marido com a fama e sucesso de sua esposa. Por outro, após um aumento de status, a mulher pode estar inconformada com o atual matrimônio seja  porque ela cresceu na relação, ou porque agora tem a confiança e a oportunidade de livrar-se de um casamento ruim. Bom, pelo menos por enquanto, o que sabemos é que o gatilho destruidor de lares de Hollywood existe, e continua sendo, a misteriosa maldição do Oscar.

5 Comentários leave one →
  1. fevereiro 27, 2011 6:40 pm

    Gostei da análise! Excelente, parabéns! Gostei também do rigor técnico.
    O caráter e a personalidade dos laureados com o Oscar passa a ser mero aspecto exógeno no estudo.
    Prova que com estatística e econometria dá para provar qualquer coisa.
    O atual IPEA aparelhado que o diga!
    Os autores precisam tomar cuidado para não receberem propostas indecorosas de altos cargos (com mordomias e “extras” da caixinha do Lula, ou melhor, dos gastos não contabilizados do PT), pois lá eles não tem pessoal tão gabaritado para análises técnicas e apresentações de modelos e correlações (saberão o que é R2?)

    • março 3, 2011 12:51 am

      Olá Fusca! Que bom que gostou, pretendemos deixar todos a par dos acontecimentos… Resolvi colocar um pouco de econometria de maneira sutil pra satisfazer também aqueles que estudaram um pouquinho de estatística. A situação do Ipea está de fato complicada, e não é de hoje, é um instituto que precisa prezar pela imparcialidade. Continue com a gente! Abraço, Adriano.

      • março 5, 2011 7:02 pm

        Valeu, vamos permanecer alertas! A farsa do Milagre do PIB é replicada pela imprensa amestrada e não tem um economista de fibra para contestar a evidente manipulação. Lamento que uma fórmula batida volte a ser usada com tanta cara de pau e conivência depois de quase 40 anos!!!

  2. fevereiro 27, 2011 6:48 pm

    O crescimento econômico não foi de 7% e ficou abaixo da maioria dos países.
    Lula transformou a inflação REAL de 11,32% (IGPM-FGV) em 5,92% de inflação OFICIAL mais 5,4% de crescimento mentiroso. Total: 7% de “MILAGRE ECONÔMICO” do crescimento do PIB (que na verdade não cresceu nem 2%).

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  1. Coisas sinistras que os Economistas vêem no Oscar « Prosa Econômica

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