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Os que têm e os que não têm

março 4, 2011

The Haves and the Have-Nots é o nome do novo livro do economista do Banco Mundial Branko Milanovic sobre a desigualdade no mundo. Muitos economistas e jornalistas comentaram o lançamento, sendo o gráfico abaixo um dos trechos mais interessantes do livro.  A interpretação não é instantânea mas  vale a pena, principalmente porque o Brasil está entre as curvas.

Branko Milanovic, “The Haves and the Have-Nots”.

O gráfico mostra a desigualdade dentro de um país, no contexto de desigualdade no mundo. Uma vez que o custo dos produtos varia de país para país, os números de rendimento agregado familiar são todos convertidos em dólares internacionais ajustados pelo mesmo poder de compra, para efetivar a comparação entre os países.

A população de cada país é dividida em 20 grupos de renda, classificadas por seu rendimento domiciliar per capita. Estes são chamados de “vintis”, veja no eixo horizontal. E cada 1 vintil = 5 percentis.

Comecemos interpretando a curva do Brasil, um país com desigualdade de renda extrema.

Veja, aqueles brasileiros que pertencem ao primeiro vintil (ou seja, aqueles que estão entre os 5% mais pobres da população brasileira) estão entre os mais pobres do  mundo. Enquanto isso, o Brasil também possui alguns dos indivíduos mais ricos do mundo, podemos ver o quão alto em cima a curva do Brasil atinge no vigésimo vintil. Em outras palavras, o Brasil cobre uma extensão muito ampla de grupos de renda.

Agora, olhemos nos EUA. Observou como toda a curva dos Estados Unidos fica na parte superior do gráfico? Isso porque todo o país é relativamente rico. Na verdade, o primeiro vintil dos EUA (ou seja o vintil mais pobre do país) é ainda mais rico do que a maioria do mundo: isto é, a pessoa típica pertencente aos 5% inferiores da distribuição de renda norte-americana é ainda mais rica do que 68% dos habitantes do mundo. Repare também que os 5% mais pobres dos EUA são, como um grupo, mais ricos do que os 5% mais ricos da Índia.

Intrigante, não? Parece até uma confirmação da tese do determinismo geográfico… Conclusão: as pessoas nascidas em países ricos ganham um prêmio de localização e os nascidos nos países pobres recebem uma penalidade de localização. É fácil ver então que nesse mundo, grande parte da renda de toda uma vida é determinada já no nascimento.

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